As Maravilhosas Doutrinas da Graça: Depravação total do homem

“Não teremos uma idéia adequada do domínio do pecado, a menos que nos convençamos dele como algo que se estende a cada parte da alma, e reconheçamos que tanto a mente quanto o coração humano se têm tornado completamente corrompidos.”
João Calvino

Entramos então no primeiro ponto das doutrinas da graça, ou calvinismo. Esta definição “depravação total” aponta para o fato de o homem estar completamente condenado no pecado. Alguns a chamam de “corrupção radical”. O pecado de Adão condenou toda a humanidade a estar morta em seu pecado.

Alguns textos que afirmam isto:

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” – Romanos 5.12

Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados…” – Efésios 2.1

A ideia para que este seja o primeiro ponto da Graça se deve ao fato de que para que recebamos o favor de Deus, a salvação, precisamos entender do que estamos sendo salvos, libertos.

O termo “depravação total” não apenas quer dizer que todo o homem vai realizar os atos mais grotescos de maldade, mas sim, que toda parte de toda pessoa é, utilizando o termo que Steven Lawson usa, “empesteada” totalmente pela morte espiritual. Alguns vão dizer que o homem não morreu totalmente, que o pecado de Adão trouxe apenas um tropeço na história do plano de Deus. Porém a Bíblia é bem clara em afirmar que houve “morte” espiritual. Você já foi a um velório de alguém que estivesse meio morto? Eu não.

Desta doutrina podemos então afirmar que o homem, em todo o seu ser – pensamentos, sentimentos e ações – está contaminado com o pecado. E o resultado disso? Todos nós somos incapazes de ir a Deus por nossa própria vontade. Pelágio (séc. V) se opôs fortemente à depravação total ensinada por Agostinho, dando margem ao que Armínio alguns séculos mais tarde haveria de ensinar.

Mas, Agostinho expunha claramente o texto de Romanos 8.7-8:

“Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.”

Ele não estava sozinho nesta interpretação, outros reformadores, como John Huss, John Wycliffe, William Tyndale, Martinho Lutero e João Calvino, também enfatizaram o princípio bíblico de depravação total.

A Bíblia compara a situação do homem morto em seu pecado com várias outras situações – morte, cegueira total, escravidão desesperadora, completa dureza de coração, incapacidade permanente de ouvir e enfermidade completa e incurável. Então à luz disto, questionamos: “Pode o homem morto em seu pecado ter livre arbítrio?”.

Jesus Cristo mesmo, em João 3.3, afirma que “ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo”. Ou seja, ele está afirmando categoricamente que os não regenerados não podem “ver” o reino de Deus. Então, fica claro que para a salvação, o homem, não pode contribuir com nada – exceto com seu pecado. Não pode porque o pecado o escraviza – “Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado.” (João 8.34).

Mas ainda, talvez você possa dizer: “Mas meu pecado é muito inferior ao de um assassino”. Em conseqüências concordo com você, mas, diante de um Deus completamente santo, qualquer pecado, não importando o tamanho, é uma afronta. E em Romanos 1.18, Paulo nos ensina que todos os homens, sem qualquer exceção, merecem ser castigados por Deus.

Concluindo, o pecado de Adão é nosso pecado também. Não podemos nos achegar a Deus por causa desta contaminação que atingiu todo nosso ser (Isaías 59.2). Mas então, entendendo isto, sabemos por que a Graça Salvadora de Cristo é tão grande: é porque nossa queda foi muito grande, nos conduziu à morte espiritual. Quando entendemos isto, estamos abertos para receber a maravilhosa esperança bíblica: A Eleição Incondicional, que trataremos na próxima semana.

A doutrina da corrupção total não apenas nos joga para um poço sem fim, mas, aponta para a graça regeneradora de Cristo!

Até a próxima semana!

Vinícius Mello final

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