Imagens e miragens

Já reparou como parece praticamente impossível sair tão bem ou bonitos em uma foto, quanto nos enxergamos diante de um espelho? Esse fenômeno tem intrigado diversas pessoas no decorrer de suas vidas. Afinal, em tempos como os nossos, com a exposição das redes sociais, todos nós queremos parecer belos e convidativos. Passar tanto tempo se admirando, pode ter consequências bem devastadoras, tanto para nossos relacionamentos, quanto para nós mesmos.

Imagem como mercadoria

Das dez redes sociais mais usadas atualmente, metade delas, tem como base o uso da imagem para alimentação de postagens e atualizações. A outra metade, mesmo não tendo essa obrigatoriedade também permite que usemos fotos como mecanismo de exposição, seja de conteúdo, ou porque simplesmente queremos aparecer mesmo. Esse mecanismo vai diretamente em nossa vaidade, afinal, quantas curtidas e comentários costumamos receber ao postar uma foto.
Para vender nossa imagem, não é necessário que recebamos o valor em dinheiro. Atualmente, as formas de venda de imagem vão desde quando nos expomos apenas para ganhar likes, até quando o fazemos para participar de uma promoção ou conseguir algum brinde ou presente. É um mercado em crescente ascensão, porque o ego humano, raramente se acaba, mas frequentemente se multiplica. Não à toa, vivemos na era dos Influenciadores Digitais.

Miragens nossas de cada dia 

O psicólogo polonês Robert Zajonc, em 1968, fez um experimento chamado de “Efeito de Mera Exposição”. Por meio do experimento, Zajonc concluiu que temos uma espécie de atração pela familiaridade. Por isso, costumamos nos ver mais bonitos do que realmente somos, quando estamos diante de uma superfície. O efeito contrário ocorre com aquilo que nos é estranho. Quanto menos conhecemos ou temos familiaridade com algo, mais rejeitamos tal coisa.
Essas miragens (algo que parece, mas não é), prejudicam nosso julgamento nos tornando menos justos e mais tendenciosos para as coisas às quais estamos mais familiarizados, são essas miragens que nos fazem ver apenas defeitos e falhas naquilo que não gostamos e apenas qualidades naquilo que gostamos ou dizemos amar.

Imagem ou miragem?

A principal diferença entre imagem e miragem, é que a imagem fornece um retrato real com qualidades e defeitos proporcionais, enquanto que nas miragens, o interesse/sentimento, pendem de forma desigual fornecendo um vislumbre distorcido da realidade. Em Gênesis 1.26 diz que Deus criou o homem à imagem e semelhança do próprio Deus. Obviamente, essa imagem não se refere à aspectos físicos, mas há aspectos invisíveis. O homem é um ser moral, com capacidades que o diferem das outras criaturas, por possuir intelectualidade e capacidade de governar.

“A aptidão para governar implica em capacidade intelectual adequada para argumentar, organizar, planejar e avaliar. A aptidão para governar implica em capacidade emocional adequada para desejar o mais alto bem-estar dos súditos, apreciar e honrar o que é bom, verdadeiro e bonito, repugnar o e repudiar o que é cruel, falso e feio, ter profunda preocupação pelo bem-estar de toda a natureza e amar o que Deus criou. A aptidão para governar implica em capacidade volitiva adequada para esco­lher fazer a toda hora o que é certo, obedecer ao mandamento de Deus indiscutivelmente e sem demora, entregar alegremente todos os poderes a Deus em adoração jovial e parti­cipar em uma comunhão saudável com a natureza e Deus.”

Comentário Bíblico Beacon

Porém, algo nos impede de cumprirmos esse objetivo elevado, tal coisa, é o pecado. Ao pecar o homem, passa a ter um outro aspecto moral que não o de Deus (Is 59:2). Pois Deus é santo, logo, o homem não é mais uma referência dEle, mas da queda, corrupção, destruição e morte. Talvez seja essa a causa de maquiarmos os efeitos do tempo, escondendo nossas imperfeições físicas e nos prendamos a conceitos que nos façam parecer moralmente superiores aos outros. Todo o princípio de elevação e preservação moral que nos ligavam diretamente ao Senhor, foram perdidos com o pecado original. Passamos então, a sermos não a ter uma imagem moral, mas a possuirmos uma miragem da mesma. E assim como para o sedento no deserto a miragem  se manifesta na forma de um oásis, para o pecador, a ilusão se apresenta em seus próprios desejos.

Rejeitamos o evangelho como o poder de Deus para salvação, pois quando apresentados a ele, enxergamos de fato, a realidade. As miragens com as quais vivíamos e buscávamos tão confortavelmente, agora são dissipadas e passamos a ver com clareza toda a depravação e corrupção presentes em nosso ser. Não à toa muitas pessoas se ofendem com o evangelho, e isso acontece como um sinal de que o pecado em intrínseco a elas esta sendo ofendido, da mesma que o mesmo pecado ofende a Deus. A diferença é que Deus é capaz de manifestar amor para com o pecador, mas o contrário não acontece sem a ação do primeiro.
Ao encarnar como homem, Cristo manifesta a real imagem do Deus incorruptível, revelando à humanidade, que atualmente, ela é apenas uma miragem. Desejando para si, uma elevação que uma sombra, nunca terá, quando comparada à imagem original. Mas, há esperança. O perfeito virá, então, tudo o que não for, não mais existirá (1 Co 13.10-13).

 

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