Cristãos podem comemorar o Natal?

Já disse em diversos outros textos como a internet é uma ferramenta tanto para edificação quanto para destruição. Com ela, podemos acessar milhões de informações sobre os mais variados temas, somente se tornando negativa quando não filtramos esse conteúdo e não o analisamos de forma no mínimo, crítica. A máxima, que hoje é uma piada “se tá na internet é verdade” fez com que diversos cristãos desenvolvessem uma espécie de raiva por datas como o Natal e a Páscoa. Porém, se existe a possibilidade de comemorarmos o nascimento de nosso Senhor, por que não o fazer?

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Os dons são uma evidência de recebimento do Espírito Santo?

Cresci em igrejas neo-pentecostais e pentecostais, praticamente a minha vida cristã inteira. Quando minha mãe se converteu, eu tinha aproximadamente 7 anos de idade, no mês que vem, farei 27. Então, posso dizer que tive bastante vivência com a pergunta que dá título a esse texto, mas vejo a necessidade de escrevê-lo por diversos motivos, mas o principal deles, é justamente pelo modo como essa crença tem atrapalhado o crescimento espiritual de pessoas que acreditam não possuir o Espírito Santo, simplesmente porque não fala uma língua esquisita durante um culto ou reunião religiosa. Portanto, vou usar definições bíblicas a respeito do assunto, não me prendendo aos chamados “avivamentos” e manifestações carismáticas que ocorreram e ocorrem atualmente.

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Os dons do Espírito Santo: Parte 2

O capítulo 13 da primeira carta de Paulo aos Coríntios tem sido desde tema de música à leitura quase obrigatória nos casamentos. Aqui, ele fala de forma magnífica sobre a superioridade do amor sobre os dons. Mas, o que é o amor? Talvez a maior parte das pessoas o defina como um sentimento, algo intrinsecamente ligado às emoções. Aquele momento em que o coração bate mais forte, as pernas tremem e as palavras fogem. Não há nada mais longe da definição de amor do que esta. Continuar lendo “Os dons do Espírito Santo: Parte 2”

Jesus e os sinalizadores

Você sabe o que é, ou já ouviu falar sobre sinalização da virtude (virtue-signalling)? É um novo padrão de comportamento que tem se tornado bastante popular por conta das redes sociais. Quando começou, era visto como algo bom, pois uma espécie de estímulo para que outros praticassem o bem, mas, atualmente, é visto como algo não somente negativo, mas também nocivo. E como a igreja é composta de pessoas, e essas pessoas acompanham as tendências comportamentais e são por diversas vezes influenciadas pela cultura na qual estão inseridas, no ambiente de culto, nós passamos então a ter a sinalização da espiritualidade.

Sinalização da Virtude: o que é?

Estamos chegando ao final de 2018, e quantas vezes as hashtags do tipo #somostodos(alguma coisa) foram usadas à exaustão? A ideia por trás das tags é a promoção de alguma causa como uma forma de conscientização por meio da popularização. Mas quantas das pessoas que compartilharam e entraram na onda, realmente tomaram ações concretas no seu dia-a-dia para de fato, promover a causa pela qual se manifestaram? Isso é a sinalização da virtude, promover a luta contra o câncer usando hashtags ao invés de buscar doações para hospitais e instituições que forneçam tratamento. Mostrar para o maior número possível de pessoas que está envolvida com algo virtuoso, sem o estar na realidade.
Recentemente, uma jovem suíça ficou famosa por impedir a decolagem de uma avião para que um homem não fosse deportado para o Afeganistão. Uma cena comovente que foi transmitida ao vivo pelo facebook. Casos como esse, não são difíceis de encontrar no feed de nenhuma rede social, principalmente o facebook, por conta da capacidade de viralização da plataforma. É possível até mesmo contar quantos vídeos passam pelas nossas linhas do tempo todos os dias, com pessoas ajudando pobres, ou militando por alguma causa.
A SV (sinalização da virtude) se tornou um problema social por conta da massiva busca por fazê-lo sem medir as consequências. O homem defendido da deportação no exemplo anterior, dias mais tarde foi acusado de ter estuprado uma adolescente. As pessoas não estão ajudando ou se engajando para ajudar de fato, mas poderem anunciar isso em bom som e conseguirem em certa medida, promoção. O ser humano é vaidoso e orgulhoso por natureza, buscamos sempre meios e formas de nos colocar em uma posição superior moralmente, adoramos a ideia de estar acima, seja em qualquer aspecto (quantas pessoas não se orgulham de terem levado vantagem indevida sobre outras?). É a busca desenfreada pela própria glória que nos leva a decadência desde o Éden.

E quando esse comportamento entra na igreja?

Como dito anteriormente, a igreja é composta de pessoas, e essas pessoas, possuem e interagem por meio de redes sociais, e dentro desse contexto, são influenciadas por elas, algumas mais e outras menos. Dizer que passamos ilesos por esse aspecto da cultura que nos cerca, é ser no mínimo, negligente. Dentro da igreja, as pessoas tem buscado sinalizar não somente suas virtudes, mas também sua espiritualidade. Mãos levantadas, gingado de um lado para o outro, choros, pulos, gritos… Para uma boa parcela das pessoas que se declaram evangélicas, essas são as características que servem de padrão para medir a espiritualidade de alguém, ou até mesmo para definir se um culto foi bom ou não. Se teve alguma dessas, foi bom, se não, Deus não estava presente.
O maior problema desse tipo de cultura na igreja, é justamente a promoção de uma espiritualidade superficial e sem nenhum tipo de comprometimento com o alvo da adoração. Afinal, o objetivo não é oferecer um culto racional e consciente de que cada ação executado naquele momento, deve ser para honra e glória de quem se adora, mas sim, a busca pelas emoções e reações palpáveis, que podem ser vistas e registradas.
Na prática, temos duas situações opostas, mas que são igualmente prejudiciais à saúde da congregação, que são:

  1.  Hipocrisia: Pessoas em situação de total escravidão do pecado e totalmente imersas na própria corrupção, deixam de buscar a santificação e concerto, pois o fato de reagirem emotivamente às situações do culto, faz com que creiam estarem vivendo uma vida agradável aos olhos do Senhor, afinal, Ele ainda se “manifesta” através delas. Um sinal bastante claro de que a pessoa foi ao culto apenas para se servir, é que normalmente, ela não se lembra do que foi pregado, e por consequência não se preocupa com o que realmente deve fazer para agradar ao Senhor.
  2. Rejeição: Na outra ponta, temos aqueles que pelos mais diversos motivos não reagem da mesma à cerimônia, podem se sentir desprezados pelos irmão mais “espirituais” e até mesmo por Deus, uma vez que, não há sinais de “manifestação” do sobrenatural através deles. Tal situação resulta em um crente que não se firma na fé e que constante busca atalhos para poder ter o mesmo que os demais.

Ambas as situações, contribuem para uma visão superficial e totalmente mundana a respeito do culto, e em nenhuma delas o nome do Senhor é glorificado. Ele não recebe a adoração de um povo que está mais preocupado com as próprias reações num culto que não é para elas, e não também não é adorado por quem não sente segurança no amor do Criador e Provedor de todas as coisas.  Nos dois casos, negligenciamos os atributos do próprio Deus que tanto repetimos à exaustão, como justiça, graça, verdade, soberania, amor e misericórdias, pois tornamos condicionais, as características do Deus eterno.

Jesus e os sinalizadores

Atualmente, Jesus, o Salvador, Redentor e Justificador do pecador, tem sido usado como uma espécie de muleta moral. Ou seja, sempre que puder ser usado para expressar uma superioridade sobre os outros, o nome de Jesus será utilizado, o que é contraditório e evidencia um desconhecimento a respeito dEle, afinal, diante dEle, somos igualmente pecadores, corruptos e sem nenhum atributo que seja capaz de nos justificar a nós mesmos (Gl 3:28).
Durante o Sermão do Monte, o mestre dos mestres trata diretamente com as duas situações que falamos acima. Aos que ajudam, mas tiram selfies, disse:

“Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial.
Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa.
Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita,
de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará”.
Mateus 6:1-4

E continuou, agora se referindo aos que ostentam seus próprios métodos de culto:

“E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa.
Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará.
E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos.
Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem.”Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os homens vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa.
Ao jejuar, ponha óleo sobre a cabeça e lave o rosto,
para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê no secreto. E seu Pai, que vê no secreto, o recompensará”.
Mateus 6:5-8;16-18

A repetição das expressões “hipócritas” e “lhes garanto que já receberam sua recompensa”, evidencia a vaidade dos sinalizadores de virtude e da espiritualidade. Afinal, tudo o que fazemos visando uma recompensa, seja ela qual for, indo desde a aceitação por um grupo até algo material, não passa de vaidade. Fora de Cristo, vivemos apenas para nós e para nossa própria glória obedecendo à nossa própria natureza carnal. É necessário que peçamos ao Senhor para que Ele limpe o nosso coração e mantenha afastado nosso maior inimigo: Nós mesmos.

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A necessidade da tribulação: Expectativa e Esperança

Já parou para contar quantas mensagens motivacionais vemos todos os dias em nossas redes sociais? Aquelas frases feitas que tem o único objetivo de massagear o ego e contribuir para sentimento de que somos mais importantes e iluminados que os outros. Esse tipo de conteúdo é muito popular por ser de fácil acesso, mas também de ótima aceitação. Afinal, quem não quer ouvir/ler que é mais especial que pessoas de contexto social semelhante? Mas, qual o resultado disso? Será que esse tipo de conteúdo não contribui para o isolamento em bolhas sociais, nos tornando alvos extremamente frágeis para os espinhos que a vida possui? É sobre o que vamos discorrer nesse texto.

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Sal que não salga e a luz que se esconde

Recentemente, comentei ao final de uma live no Instagram sobre como o dualismo – ou dualidade como preferir – tem sido amplamente aceito pela igreja como algo não só comum, mas também necessário, abrindo margem e dando munição para os inimigos dela que usam dessa oportunidade, para a isolar e calar sua voz na sociedade. Continuar lendo “Sal que não salga e a luz que se esconde”

Os Cinco Solas da Reforma Protestante: Solus Christus

Chegamos ao texto que conclui os Cinco Solas. Falar de Jesus é algo que por vezes é muito fácil, outras é difícil, mas nunca um fardo! Como deve ser, é o assunto mais inspirador da Palavra, afinal, é dEle que ela se trata, é para a glória d’Ele, e é por meio d’Ele que ela existe! Espero que ao final desse texto, sintam-se inspirados, a vê-Lo como o centro de suas vidas, e como a causa da criação, e a perfeição de tudo que é bom!

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Os Cinco Solas da Reforma Protestante: Sola Scriptura

Não são poucos aqueles que advogam que o momento em que estão vivendo em suas igrejas é um tempo de avivamento, e isso tem sido muito comum. A questão a ser esboçada aqui é: estes “avivamentos” têm respaldo em fundamentos encontrados nas Escrituras, ou, como em maior parte dos casos, em busca de satisfazer o interesse do público, relativiza as verdades das Sagradas Letras? Como bem nos lembra o pastor Continuar lendo “Os Cinco Solas da Reforma Protestante: Sola Scriptura”

Reforma Protestante, o que foi?

No próximo 31 de outubro, a reforma protestante desencadeada pelas 95 teses de Martinho Lutero, completa 500 anos. Embora as tentativas de sufocar esse movimento tenham sido amplas e intensas, a Reforma atravessou séculos e gerações por meio das igrejas e denominações que, de alguma forma herdaram seus princípios. Continuar lendo “Reforma Protestante, o que foi?”

Cruz, roupas, odres e vinhos

Recentemente, tivemos dois grandes eventos de música no Brasil. O Rock in Rio e o São Paulo Trip. Quando se dá uma olhada nos públicos desses shows, podemos ver que as pessoas tentavam se parecer o máximo que podiam com seus ídolos. Na tentativa, de serem identificadas com seus ídolos, e mostrar quem era o alvo de sua devoção, essas pessoas, usavam camisas com nomes de bandas e cantores, usavam maquiagens e cortes Continuar lendo “Cruz, roupas, odres e vinhos”