Os Sete Pecados Capitais: Gula

Nanatsu no Taizai (Sete Pecados Capitais, em português) é um dos animes mais comentados, e talvez mais populares da atualidade. Até mesmo quem não é fã, mas que acompanhe animes regularmente, conhece a obra e tem uma ideia ainda que vaga do enredo. Porém, esse texto não é para falar sobre o anime, nem sobre o mangá. Os Sete Pecados Capitais já foram tema de filmes, novelas, animes e até mesmo de uma teoria sobre o seriado Chaves. É algo que muitos ouvem falar, mas que não sabem nem mesmo quais são as iniquidades que os compõem. Hoje, iniciamos uma série semanal na qual abordaremos cada um destes pecados em um contexto bíblico e contemporâneo e a Gula é o primeiro a ser abordado.

Origem

O pecado não é um conceito novo para a humanidade e muito para os cristãos. Porém, no século VI, papa Gregório Magno, tomando como base as repreensões do apóstolo Paulo em suas cartas, foi o primeiro a tomá-los como ponte para outros, abordagem essa, que foi oficializada por São Tomás de Aquino no século XIII em sua suma teológica, onde é abordada especificamente o que esses pecados têm de tão peculiar que os demais não o têm.

Gula

Não estejas entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne.
Porque o beberrão e o comilão acabarão na pobreza; e a sonolência os faz vestir-se de trapos.
Provérbios 23:20,21

Quantos memes sobre comida você viu até ler esse texto? Quantas vezes se pegou pensando em comida como se fosse a coisa mais importante do seu dia? Existe uma máxima no meio evangélico que diz o seguinte: “Crente não bebe, mas come que é uma beleza”. Há um grande problema em pensar assim, pois, não deixamos de nos embriagar apenas por não estarmos bebendo, apenas mudamos o objeto com o qual atingimos tal objetivo.
Comer desesperadamente traz uma série de outros problemas em nossa saúde espiritual, entre eles o fato de usarmos o prazer proporcionado pela comida como forma de alívio para a ansiedade, por exemplo. Trocamos a esperança em Deus pela satisfação momentânea da comida. Com isso, podemos desenvolver os chamados distúrbios alimentares, já que com o excesso de comida pode vir o sobrepeso e a autodepreciação da imagem que leva muitos à bulimia e à anorexia. Não sendo difícil encontrar nas igrejas pessoas nessa situação.
Uma vez que somos um corpo, a obsessão por comer também resultar em problemas de comunhão. O apóstolo Paulo alerta a esse respeito em sua primeira carta aos Coríntios quando se refere à ceia do Senhor com as seguintes instruções:

Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome e outro embriaga-se.
Não tendes porventura casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo.
1 Coríntios 11:21,22

O que acontecia em Corinto era uma total desordem de um momento que deveria ser solene. A ceia do Senhor é o momento no qual todos se alimentam do corpo de Cristo e bebem do seu sangue, na condição de iguais. Ao se reunirem para tal, não havia presbíteros, neófitos, apóstolos… O que havia eram os servos lembrando do sacrifício do seu Senhor para salvá-los da condenação eterna. Mas alguns, buscavam nesse momento satisfazer os próprios prazeres carnais, se colocando à frente e agindo de forma que o próximo ficava com fome e não participava da celebração como deveria ser.
O pecado da Gula é chamado na Bíblia de glutonaria, que possui o mesmo significado de voracidade pela comida. Em diversos outros versículos temos advertências sobre não praticarmos tal ato. Vejamos alguns:

Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja.
Romanos 13:1

Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias;
1 Pedro 4:3

E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia.
Lucas 21:34

Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.
Gálatas 5:21

A referência de Galátas é bem emblemática,pois trata-se de uma exposição de quais práticas configuram justamente um comportamento de quem se age dominado pela própria carne, afinal, se somos dominados por nossos desejos, então não estamos vivendo no Espírito como gostamos de afirmar.

A comida é uma provisão de Deus e é necessária para nossa sobrevivência, porém, não podemos nos permitir que o desejo por ela, se torne uma forma de adoração no qual buscamos saciar não somente nossas necessidades físicas, mas também espirituais.

 

Celso Amaral

Fiquem tranquilos, não há combate

É quase uma regra que durante os desfiles das Escolas de Samba, alguém irá proferir uma blasfêmia ou colocar uma ofensa direta aos cristãos. Nada mais natural, afinal, carnaval é a festa mais esperada por quem quer se esbanjar em seus prazeres, como se fosse uma espécie de salvo-conduto para o pecado. Em 2019, não poderíamos fugir dessa regra. A Gaviões da Fiel ganhou as redes sociais por conta de uma cena em que sua comissão de frente encenava um combate entre Jesus e o diabo e logo as redes sociais foram tomadas por cristãos ofendidos com a cena de um Cristo sobrepujado pelo mal. Nós postamos uma foto sobre o ocorrido no Instagram do Cristão Racional, e é sobre a ideia contida nessa foto que esse texto se trata. Continuar lendo “Fiquem tranquilos, não há combate”

Navigium Isidis: a origem do Carnaval

A expressão latim Navigium Isidis significa: “Navegação de Isis”, nome dado a uma festividade romana, anual, dedicada a Isis. Ela era uma deusa egípcia. Apesar de ser uma entidade egípcia, tornou-se popular entre os gregos e chegou a Roma, no período helenístico, com seu culto e festividade, os quais integravam religiões de mistério.

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Qual a sua fraqueza?

Já parou para pensar qual a sua maior limitação? Sejam elas, físicas ou emocionais, todos nós possuímos fraquezas ou fatores limitadores. O verso mais usado para tratar sobre as fraquezas é um trecho da segunda carta aos Coríntios, escrita pelo apóstolo Paulo:

Mas ele me disse: “Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim.
2 Coríntios 12:9

O filme Um Lugar Silencioso trata de fraquezas que podem ser um trunfo. E é sobre disso que falaremos nesse texto. Continuar lendo “Qual a sua fraqueza?”

As Maravilhosas Doutrinas da Graça: Depravação total do homem

“Não teremos uma idéia adequada do domínio do pecado, a menos que nos convençamos dele como algo que se estende a cada parte da alma, e reconheçamos que tanto a mente quanto o coração humano se têm tornado completamente corrompidos.”
João Calvino Continuar lendo “As Maravilhosas Doutrinas da Graça: Depravação total do homem”

Hatfields, McCoys, você, eu, e a Cruz

A Netflix tem nos disponibilizado séries muito boas de acompanhar, e sinceramente, tantas outras que são dignas de maratonas. Recentemente estive procurando no catálogo, filmes e séries que envolvessem histórias de faroeste, ou como meu pai costumava dizer, “bang-bang”, e encontrei uma que me chamou a atenção por sua narrativa. A minissérie leva o nome que se tornou cultural na América para descrever conflitos: Hatfields & McCoys. Acredito que você deve se lembrar de alguns episódios do Pica-Pau em que dois homens brigam o tempo todo! Pois é, uma referência a esse conflito.

Esta minissérie norte-americana possui apenas três capítulos (de pouco mais de uma hora cada um), foi baseada na rivalidade entre a família Hatfield e a McCoy, sendo produzida pelo History. Este conflito, ocorrido no final do século XIX, envolveu duas famílias na divisa dos estados norte-americanos de Virgínia Ocidental e Kentucky, iniciou com as desavenças entre Anse Hatfield e Randall McCoy, que eram amigos e lutaram juntos na Guerra de Secessão do seu país. Mais tarde, quando cada um retornou aos seus lares e famílias, tem início uma longa, violenta e brutal rivalidade de 28 anos, que custou a vida de membros das duas famílias[1].

Ao assistir esta minissérie, os ideais de honra, justiça e vingança sendo levadas até as últimas consequências são vistos como motivadores para suas atitudes em prol de manterem seus nomes familiares honrados.

Pode-se perceber ao longo da narrativa que houve tentativas de pacificar a situação, tendo inclusive, ameaças de intervenção do governo. Mas foram tentativas fracassadas. A história se encerrou apenas em junho de 2003, quando representantes das famílias se reúnem para assinar um acordo onde colocam fim neste conflito centenário.

Não é de se duvidar que este mundo seja um campo minado de conflitos. Esta coisa acontece em todos os lugares, com todos os tipos de pessoas, o tempo todo. Guerras de classes, de raças, grupos sociais, esquerda e direita, calvinistas e arminianos. Conflitos leves e conflitos pesados. As redes sociais que o digam! Parece que desde o jardim do Éden o homem está fadado em viver em conflito. E não é de se esperar menos: este é o efeito do pecado.

Missões de paz têm sido levantadas constantemente para resolver estes tipos de conflitos. Mas quer saber de uma coisa? A maioria falha. Algumas, falham gravemente! O apóstolo Paulo, no entanto, escrevendo aos Efésios, no capítulo 2, trata de uma missão, A MISSÃO de paz que resolve o conflito do homem.

A cruz de Cristo não apenas se limita trazer paz entre o homem caído e o Deus santo e justo. A obra de Cristo traz paz para o conflito entre o homem e os homens. Entre você e eu. Se a ligação entre o homem e Deus estava rompida pela pecado, tanto mais estava rompido o relacionamento entre os homens que formariam a Igreja. Isto esta bem explícito na igreja de Eféso, no caso de judeus e gentios.

Os cidadãos naturais de Éfeso, cidadãos gregos, zombavam dos que não tinham sua mesma nacionalidade e cultura, chamando-os de pagãos, e, os judeus por sua vez, chamavam os gentios de incircuncisão, por não possuírem a marca da aliança de Deus com Seu povo. Havia dois motivos que alegravam um pai judeu zeloso, em particular: seu filho não nascer mulher nem gentio.

O evangelho da cruz então anuncia o único pacto de paz, o verdadeiro e eficaz meio de o homem estar em paz com aquele com quem formaria a Igreja de Cristo. Essa sim é a maior missão de paz da história: Deus reconciliando judeus e gentios num único corpo e, assim, reconciliou o mundo consigo mesmo por meio de Jesus. Cristo destruiu toda inimizade que existia.

Esta nova posição da comunidade cristã obtida pela reconciliação em Cristo é o fundamento para uma vida em unidade. Aqueles a quem Deus reconciliou consigo mesmo, agora são capacitados para serem cidadãos de um novo Reino.

Os gentios eram espiritualmente falidos: “… estáveis naquele tempo sem Cristo, separados da comunidade de Israel, estranhos às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo.” (Ef. 2.12). Eles não tinham a esperança pactual do Messias. Eles não conheciam o Cristo que salva. Eles estavam separados da esperança, sem perspectiva de salvação.

Sua crença divina apresentava apenas deuses caprichosos, zombeteiros, e muitas vezes cruéis, que apenas desciam à terra para abusar deles na maioria das vezes.

Será que existe um caminho para encontrar a paz tão almejada? Será que a paz é possível para o ser humano? Sim, o próprio Cristo! (Ef. 2.14-17).

A palavra grega para “reconciliação” (katallassein), usada pelo apóstolo Paulo, tinha o sentido de trocar dinheiro ou trocar por dinheiro. Depois passou a representar a troca da inimizade pela amizade, ou seja, unir duas partes que estavam em conflito.

Paulo então usa a ilustração de uma casa, um edifício bem construído e arquitetado. Os crentes em Cristo Jesus são semelhantes a este edifício construído “sobre o fundamento dos apóstolos e profetas”. Agora, tanto gentios quanto judeus, tem todo o direito de cidadania celestial, são tijolos nesta construção, cuja pedra principal é Cristo, proclamado pelos apóstolos.

Assim, agora gentios e judeus, eu e você, unidos pela cruz, compartilhamos todas as áreas da vida comum e da atividade do corpo, pois, todo crente é advertido do perigo do cristianismo individualista. Não existe a igreja do “eu sou a igreja” (apesar de alguns tornarem esta expressão em algo parecido com o que Groot fala, como último representante da espécie). O Novo Testamento sempre apresentará o ideal único e verdadeiro de “nós somos a Igreja”.

            Agora, unidos em Cristo, que destruiu toda barreira de inimizade, seja ela, racial, cultural ou social, aqueles que são lavados por Cristo, são membros da família de Deus. E, como membros de um só corpo, lutam juntos pela fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos. Somos um em Cristo. Temos o mesmo Espírito. Temos o mesmo Pai. Somos herdeiros da mesma herança. Moraremos juntos no mesmo lar.

            Sendo então Cristo a nossa paz, podemos juntos, em alto e bom tom exaltar a Ele, unidos, testemunhando a obra do evangelho em nossa vida comunitária. Que assim como na oração sacerdotal de Jesus, possamos ser um, para que o mundo reconheça que o Pai o enviou para ser a nossa paz.

[1] Wikipedia

 

Vinícius Mello

As Maravilhosas Doutrinas da Graça (Parte 1) – Introdução

“Não é uma novidade, então, que eu estou pregando; não é nenhuma nova doutrina. Gosto de proclamar essas velhas e fortes doutrinas que levam o apelido de CALVINISMO, mas que são, certa e verdadeiramente, a verdade revelada de Deus como se vê em Cristo Jesus.”
Charles H. Spurgeon Continuar lendo “As Maravilhosas Doutrinas da Graça (Parte 1) – Introdução”

Textos que você precisa ler para se preparar para 2019

O Cristão Racional é um blog que trata de assuntos atuais sob a perspectiva cristã, assim como aborda conteúdo teológico de forma de simples e usando uma linguagem bastante comum ao leitor. E nesses dois anos de existência, já abordamos os mais variados assuntos e como nosso número de leitores cresceu bastante desde o início – GLÓRIA A DEUS – uma de nossas leitoras sugeriu que fizéssemos uma lista com os textos que tratam de assuntos que os cristãos devem conhecer, ou, no mínimo, uma prévia para se aprofundarem posteriormente. Atendendo a esse pedido, selecionei entre os mais de 70 textos que escrevemos, e organizei em uma ordem lógica para entendimento. Por não ser em ordem de escrita, alguns textos serão uma verdadeira viagem no tempo. Chega de enrolação, e vamos para a lista! Continuar lendo “Textos que você precisa ler para se preparar para 2019”

Bohemian Rhapsody – Um ciclo natural para o homem

Farrokh Bulsara, foi um jovem londrino, cantor e pianista, que ficou bastante conhecido pelo alcance de sua voz, sendo capaz de alcançar desde as notas mais baixas até as mais altas com a mesma facilidade com que tomamos um copo d’água no dia-a-dia. Não sabe de quem estou falando? É que Farrokh é mais conhecido por seu nome artístico: Freddie Mercury.
É praticamente impossível que alguém fale sobre Freddie Mercury e não tenha em mente a sua energia e presença de palco. Um verdadeiro showman. Se movendo de um lado para o outro como se estivesse prestes a explodir de emoção e adrenalina, e segundos depois, colocava toda a carga emocional necessária para tornar as baladas do Queen inesquecíveis. Mercury se tornou em seus anos de carreira e de vida, praticamente uma unanimidade entre o público e a crítica. A banda formada por ele, o guitarrista Brian May, o baterista Roger Taylor e o baixista John Deacon, alcançou sucesso mundial, e até hoje, algumas de suas músicas são usadas em filmes (quem nunca ouviu We are the champions?) com bastante frequência, mantendo na mente e corações de alguns a voz de Farrokh. Nesse texto, vamos usar como referência, especificamente aquela que talvez seja a canção mais icônica do Queen, Bohemian Rhapsody. Uma canção que em sua letra podemos vislumbrar a vida de Freddie, e quem sabe a nossa, antes de sermos resgatados por Cristo.

Bohemian

Boêmia é o estilo de vida baseado no hedonismo livre, no qual todos os prazeres são permitidos e são regados a bebidas e drogas. Geralmente, é atribuído aos artistas por conta da agitação do show business no qual, tem-se a ideia de diversão e felicidade constantes. Freddie Mercury viveu esse conceito com intensidade. Por muitos anos a imprensa britânica especulou sobre a sexualidade do cantor por conta de seu jeito extravagante e movimentos femininos que fazia nos palcos enquanto interpretava as canções. Apesar da ideia geral de que Freddie era gay, sua vida amorosa mesclava relacionamentos e envolvimentos amorosos com ambos os sexos.
A ideia de liberdade sexual como expressão de identidade seduz o homem desde os primórdios da criação, onde o prazer projetado e planejado supera a posição natural dos sexos (macho e fêmea), num comportamento quase animalesco. Se de 1920 a 1970, o consumo de álcool e drogas era um fator determinante para caracterizar uma vida boêmia, hoje, a sexualidade entra nessa equação assumindo uma posição muitas vezes mais importante que as anteriores. Já notou a competição para saber quem é mais descolado e “desconstruído”, sexualmente? Há uns meses, enquanto assistia ao Altas Horas, lembro-me de que a sexóloga convidada foi perguntada sobre como lidar com o preconceito com pansexuais (atração sexual por qualquer pessoa ou objeto), a convidada ficou intrigada pois a pergunta havia vindo de alguém bastante jovem para falar com tanta convicção sobre a sua identidade sexual. O rapaz respondeu que possuía 16 anos e ainda era virgem, mas quando falava sobre ser pansexual com os amigos não era compreendido. Esse jovem, é apenas fruto de uma competição a respeito de quem é mais libertino.
Outro ponto bastante preocupante a respeito do comprometimento de nossa juventude em seguir os passos de Freddie na vida boêmia, é o consumo de álcool e outras drogas. Não é difícil encontrar jovens bebendo cada vez mais cedo e sendo estimulados ao consumo de substâncias mais pesadas. A morte de nossa juventude tem começado aos 13 (idade média de início no consumo de álcool) e a partir daí, é regada constantemente.
Somos escravos de nossos desejos, inclinados naturalmente para o mau, pois em nosso coração habitam todos os desejos hedonistas de uma vida boêmia e desregrada (Jr 17:9; Mt 13:15; Mc 2:17;7:21-22; Rm 1:21; 7:11; Ef 4:22; Ec 9:3; Is 1:5,6; 6:10).

“Não tenho outro nome, senão o de pecador; pecador é meu nome; pecador, meu sobrenome.”
Martinho Lutero

Rhapsody

Rapsódia é o ato de repetir o mesmo verso de uma obra, com ênfases diferentes em cada nova declaração. Se o Chaves tivesse conseguido repetir o verso do cão arrependido no Festival da Boa Vizinhança, porém, com tonalidade e ênfase diferentes em cada uma delas, isso seria uma rapsódia. Analisando friamente a canção Bohemian Rhapsody, podemos notar que em termos de letra ela é bem fraca, porém, possui uma produção musical bastante criativa, por misturar elementos de hard rock com ópera, algo que com certeza abriu caminho para a popularidade de bandas posteriores como Nightwish, Van Canto e Within Temptation que mesclam os mesmos elementos de forma semelhante.
A vida do homem é uma constante rapsódia, pois apenas tenta mudar o tom e o ritmo como as coisas andam, mas no fim, o resultado é sempre o mesmo: morte.
Qualquer fã de música no geral, já ouviu falar sobre o Clube dos 27. Esse termo é usado para se referir ao alto número de cantores e artistas que morreram aos 27 anos, frequentemente pelo uso excessivo de drogas e álcool na busca pela vida boêmia que falamos acima. Alguns dos membros mais ilustres, são:

  • Brian Jones, fundador do Rolling Stones: Afogado em uma piscina. A certidão de óbito dizia que a morte foi “acidental”.
  • Jimi Hendrix, considerado por muitos como o melhor guitarrista de todos os tempos: A necrópsia mostrou que ele foi asfixiado pelo seu próprio vomito depois de uma combinação de vinho com pílulas para dormir.
  • Janis Joplin, “a voz rouca mais potente que o rock já viu”: Provável overdose de heroína.
  • Jim Morrison, vocalista da banda The Doors: Insuficiência cardíaca
  • Kurt Cobain: Suicídio
  • Amy Winehouse: Intoxicação Alcoólica

Mesmo que Freddie não tenha morrido aos 27 (morreu com 45 anos, em virtude de uma broncopneumonia acarretada pelo vírus da AIDS), é inegável que possuía um estilo de vida semelhante aos citados acima. O homem pode florear o quanto quiser o seu caminho, pode dizer que aquilo é o que o torna feliz, logo, faz bem, mas no fim, não pode mudar a realidade de que o seu caminho natural, é a morte. Ele pode trilhá-lo de forma mais intensa, ou até mesmo de forma suave, mas o destino permanece o mesmo (Rm 6:23; Gn 2:17; Is 3:9; Ez 18:4; Mt 25:46; Jo 4:36; Rm 1:32; Rm 5:12;21; 6:16,21; 8:6,13; Gl 6:8; Tg 1:15)

“Tão certo como a retidão conduz a uma vida feliz, assim o que segue o maligno corre para sua própria morte.”
Provérbios 11:19

O único capaz de quebrar o ciclo de pecado (Hb 4:15) e morte do homem (1 Co 15:20-22), foi o próprio Deus encarnado (Jo 1:14) para nos mostrar que somente a santidade e a perfeição podem romper com nossas fraquezas (Jo 1:12,13). Quantas vezes nos orgulhamos do número de séries que assistimos, buscamos desesperadamente por algum entretenimento, apenas para tentar satisfazer o nosso vazio? Somente Cristo pode nos libertar dessa rapsódia boêmia na qual somos tentados a buscar, ora momentos de grande adrenalina por meio de experiências sejam sexuais ou por meio do uso de drogas, ou na calmaria de se dedicar à preguiça e ao entretenimento televisivo, meios de satisfazer nosso vazio existencial que não em Deus. As experiências podem ser diferentes, mas a dedicação ao próprio desejo, tem somente um destino final.

Celso Amaral

Cristãos podem comemorar o Natal?

Já disse em diversos outros textos como a internet é uma ferramenta tanto para edificação quanto para destruição. Com ela, podemos acessar milhões de informações sobre os mais variados temas, somente se tornando negativa quando não filtramos esse conteúdo e não o analisamos de forma no mínimo, crítica. A máxima, que hoje é uma piada “se tá na internet é verdade” fez com que diversos cristãos desenvolvessem uma espécie de raiva por datas como o Natal e a Páscoa. Porém, se existe a possibilidade de comemorarmos o nascimento de nosso Senhor, por que não o fazer?

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