Homem-Aranha e as responsabilidades de um grande poder

Um tema muito comum em roda de fãs de quadrinhos, é a discussão sobre os motivos que tornaram o Homem-Aranha o personagem ícone da Marvel e qual a receita que o  sustenta nesse posto há décadas, coisa que nem mesmo o Capitão América conseguiu. A tese mais aceita? O amigão da vizinhança é gente como a gente, por assim dizer.

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A Guerra do Ego: A salvação passa por nossas mãos?

 Thanos é o vilão apresentado em Vingadores: Guerra Infinita, e depois de quase 10 anos recebendo críticas a respeito de seus vilões, finalmente temos um vilão tão ou até mais carismático que os heróis. Loki e Ultron foram ameaças grandes e aterradoras; Killmonger em Pantera Negra representou muito mais um viés ideológico/filosófico do que necessariamente, uma ameaça de extinção global como os anteriores e passando bem longe do plano e eficiência de Thanos no novo longa. Nesse texto trataremos justamente do plano de Thanos, sua dedicação em executá-lo e o seu resultado.

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Homem-de-Ferro: A carne dentro do aço

Não posso negar que fiquei particularmente feliz de receber como primeira sugestão de herói para escrita um dos meus personagens favoritos, tanto nos quadrinhos quanto no cinema. Quais lições podemos aprender com Tony Stark e sua armadura? Será que um personagem com tão poucas virtudes aparentes podem nos ensinar alguma coisa sobre nossa trajetória cristã?

Quem é o homem na armadura?

Poderia usar as palavras do próprio no primeiro filme do Vingadores, mas a verdade, é que ao olharmos a personalidade de Tony Stark de perto, vemos uma pessoa com tantos defeitos que fica difícil conciliar seu estilo de vida com os feitos heróicos de sua contraparte mais elogiada. Alcoólatra, mulherengo, complexos de grandeza, manias absurdas de controle das coisas ao seu redor, egocêntrico, arrogante, imoral, antiético e manipulador… para se ter uma noção da imensidão dos defeitos de nosso heroi, houve um momento em sua história nos quadrinhos que ele foi impedido pela própria armadura de usá-la pois não possuía a mínima condição de pilotá-la sem por em risco a si mesmo e aos outros, por conta de seu problema com o álcool. Essa fase é conhecida como Demon in a Bottle (Demônio na garrafa, publicada em 1979).

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Tony: Você não entende. Se você pudesse estar na minha pele… Você poderia entender o que estou sentindo, você saberia…
… você saberia que eu tive que beber…
…eu tive que…
Capitão:
Tony, o que você diz não é novo para mim. Meu pai – Deus o tenha – era um acoólatra. Nós tentamos ajudá-lo. Mas um homem tem que querer ser ajudado.
Me procure quando o quiser.

 

É possível ver muito de nós mesmos em Tony Stark. Afinal, qual de nós, tirando toda a virtude que recebemos de Cristo, não passamos de um amontoado de desejos egoístas e pensamentos destrutivos tanto para nós mesmos como para com o outros? Temos o hábito narcisista de desprezar nos outros, tudo aquilo que em alguns momentos chegamos a nos orgulhar em nós mesmos, nos esquecendo do que a palavra diz:

Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.”
Gálatas 5.19-21

A armadura.

Após um sequestro por uma facção criminosa do oriente, Tony praticamente nasce de novo, assumindo uma nova postura e um novo comportamento. Dessa vez, voltado a ajudar e proteger as pessoas, nem sempre sendo altruísta, verdade seja dita.
Nós também passamos por um processo parecido. Somos libertos pelo sangue de Cristo, então com o conhecimento de que agora, somos novas criaturas, passamos a tentar a ajudar os outros. E para essa missão nos é dada uma, armadura.

“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.
Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes.
Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça; e calçados os pés na preparação do evangelho da paz; tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno.
Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus;”
Efésios 6:11-17

Obviamente, Paulo estava pensando em um soldado romano quando diz aos crentes em Éfeso para se revestirem de uma proteção adequada para poderem lutar contra todas as ciladas e potestades do maligno. Gosto de pensar, que se Paulo tivesse visto algo semelhante à armadura do Homem de Ferro, ele poderia tê-la usado como referência. Lembram da cena na qual o Tony Stark, trajando a Verônica encara um Hulk descontrolado em Vingadores: Era de Ultron? Se pensarmos no Hulk como a manifestação destruidora de nossos desejos egoístas, temos na cena do filme uma ilustração muito didática de como ocorre a batalha espiritual em nossos corações todos os dias.

Tire Tony Stark da armadura e ele se torna o mais frágil dos humanos. Tire o homem do evangelho, e ele se torna a mais desprezível das criaturas.

Cosmovisão Cristã

Como alguns leitores sabem, o blog conta com a colaboração de três escritores e temos alguns planos e projetos de textos a serem publicados futuramente, que abrangem uma série de assuntos contemporâneos, com o mesmo intuito de sempre: apresentar um ponto de vista bíblico que seja, relevante e coerente. E para podermos abranger tais assuntos com liberdade, é necessário sabermos a fonte de tal ponto de vista e é isso que será abordado nesse texto. Continuar lendo “Cosmovisão Cristã”

As maravilhas da Ressurreição

No texto anterior falamos sobre o significado da páscoa e também sobre o sofrimento vicário de Cristo. Hoje, é o domingo de Páscoa. Mas, desde que Cristo ressuscitou, os domingos nunca mais foram os mesmos. Vamos discorrer sobre alguns acontecimentos e porque, a sua volta dos mortos em glória representa tanto para a fé cristã e consolida o evangelho como a verdade absoluta em meio ao caos do pecado.

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Páscoa: a festa e a crucificação

Como diz o Pr. Renato Vargens, no domingo, várias igrejas e fiéis serão assaltadas, mas não no sentido criminal da coisa. O que será roubado é o significado da Páscoa. A festa que tinha como objetivo celebrar a libertação do povo judeu do Egito e a também libertação da humanidade da escravidão pelo pecado mediante a morte de Cristo, tem se tornado cada vez mais uma data comercial, onde os fabricantes de chocolate aproveitam para maximizar as vendas. Nesse texto, vamos falar um pouco sobre o que é a páscoa, seu surgimento e sua consagração na crucificação de Jesus.

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O Sermão do Monte: Parte 5 – Conclusão

Ainda falando sobre a prática da justiça, Jesus usa alguns exemplos bem particulares aos judeus para que eles pudessem absorver totalmente a mensagem. É bem provável que ao se deparar com alguma dessas situações no cotidiano, os ouvintes e em especial os discípulos, se lembrassem de imediato dos ensinamentos e da profundidade da situação. Continuar lendo “O Sermão do Monte: Parte 5 – Conclusão”

Os dons do Espírito Santo: Parte 1

Talvez um dos temas que mais cause debates, e até mesmo, divisões no meio evangélico, seja a questão dos dons espirituais. Alguns tratam como uma questão meramente secundária. Outros defendem fortemente suas posições, decretando uma verdadeira “caça as bruxas” contra aqueles que não concordam com seus pontos de vista. Existe ainda o problema de que muita bagunça tem sido feita em nome do Espírito Santo. Mas afinal, pode algo que gera tanta discórdia ser realmente importante para a igreja? Sim. E o apóstolo Paulo vai confirmar isso em 1Coríntios 12, texto que propomos expor aqui.

Antes de iniciar, quero deixar a menção de que neste texto, sou profundamente grato ao Rev. Leandro Lima, que em seu livro, “Razão da Esperança” (Editora Cultura Cristã), aborda de forma muito bíblica este assunto e influenciou em grande parte as propostas e exposições que faço. Nesta primeira parte, estudaremos a definição bíblica para o propósito e uso dos dons espirituais.

Neste capítulo em questão (1Co. 12), Paulo demonstra seu interesse em que os crentes de Corinto tenham conhecimento verdadeiro sobre os dons (v. 1), e este trecho trata-se de uma advertência séria contra a ignorância. Ignorância literalmente significa falta de entendimento, e, no que diz respeito aos dons, isso pode complicar seriamente o ministério e a vida cristã, como já estava acontecendo em Corinto, representado pela quantidade de divisões e discórdias relatadas. O que o apóstolo quer que tenhamos em mente é o fato de que ao dispormos da Palavra de Deus como meio para conhecer mais sobre este assunto temos o dever como cristãos de estudá-lo.

Wayne Grudem, em sua obra “Teologia Sistemática”, define dons espirituais da seguinte maneira:

Um dom espiritual é qualquer habilidade que é concedida pelo Espírito Santo e usada em qualquer ministério da igreja.

Posto isso, devemos compreender que o propósito para os dons, à luz do Novo Testamento, é que eles são dados para a edificação da igreja, a fim de que ela desenvolva seu ministério até que Cristo retorne (1Co. 1.7). Ou seja, os dons são dados para a igreja, no período entre a ascensão de Cristo e o seu retorno, para ajudá-la na tarefa proclamar a mensagem do evangelho e edificar os membros do Corpo.

            Assim, podemos entender que o derramamento do Espírito Santo com “poder” no Pentecoste (At. 1.8) era para equipar a igreja para pregar o evangelho. Ainda seguindo esta proposição, Paulo lembra aos crentes que eles devem procurar desenvolver aqueles que trazem edificação para a igreja (1Co. 14.12).

            Vale ressaltar que os dons, entretanto, não somente preparam a igreja para a volta de Cristo, mas, como o próprio Espírito também, são um selo, uma garantia, de que este é o começo de uma obra dentro de nós, que será plenamente realizada no futuro.

            Seguindo o capítulo, chegamos ao verso 4: “Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo”, onde compreendemos a unidade e a diversidade da igreja: ela é uma comunidade interligada porque o Espírito Santo habita em todos os crentes, e sua ação se demonstra multiforme porque o mesmo Espírito distribui diferentes dons aos crentes. Todos os crentes são batizados no Espírito, e isso faz deles um corpo (v.13), ou seja, uma igreja única e unida.

O dom espiritual não é algo que conquistamos, mas algo que é dado a nós tendo em vista um objetivo: “A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum” (v. 7). Não é uma questão de escolha pessoal, pois o Espírito distribui a cada um, de acordo com seu desejo – “Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, conforme quer.” (v. 11). Se os dons são distribuídos com a finalidade de edificar a igreja, então o Espírito Santo concede soberanamente os dons mais úteis a um determinado lugar e por um determinado tempo.

            Na analogia que o apóstolo faz de um corpo composto por apenas um membro (v.17), sua intenção é demonstrar o quão monstruoso isso seria! Como não lembrar o personagem da Família Adams que era apenas uma “mãozinha”, que corria pela casa assombrada? É de causar espanto mesmo. Então, ele faz questão de listar alguns dons, distinguindo entre pessoa e pessoa (vv.8-10). Hoje, certos grupos afirmam que, a não ser que possuamos um dom particular, como na maioria dos casos, referindo-se ao dom de línguas, não fomos batizados com o Espírito Santo. E isto não é verdade.

            Precisamos deixar claro que há diferença entre dons (v.28), e alguns são mais preciosos para a edificação do Corpo. Deixando bem claro que a diferença está entre os dons, e não entre pessoas. Notemos nesta lista que o apóstolo apresenta, que o dom que é mais valorizado e buscado por tantas pessoas, aparece em último lugar na lista. Aliás, o problema apresentado pelos crentes de Corinto, era justamente este: estavam dando um valor excessivo ao dom de línguas. No capítulo 14, por exemplo, ele diz claramente que o dom de profecia é superior ao dom de línguas (14.5), demonstrando que os dons sempre funcionam para o bem dos outros, não somente para edificação própria. Qualquer que seja o dom, todos tem valor dentro do corpo de Cristo (vv. 21-25).

            Concluindo esta primeira parte, onde compreendemos o que são e qual o propósito para os dons, na segunda parte deste texto, demonstraremos como o amor deve ser o regulador para o uso dos dons e em um terceiro momento, propor a definição de alguns dons e seu uso para a igreja hoje.

Por: Prof. Vinícius Mello
Igreja Cristã Evangélica Ebenézer
São José dos Campos – SP

 

Elisabeth Elliot – Um coração submisso a Deus

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Elisabeth Elliot – 1926 – 2015

Acredito que biografias missionárias sejam obras que sempre devem estar ao alcance de nossas mãos para nos edificar, confortar e animar, diante das intempéries da vida. Tenho um espaço especial dedicado a elas em minha biblioteca. Mas existe uma que sempre está em minha mente, e lembro-me de ter ouvido pela primeira vez em um acampamento de jovens. Era a história de Jim Elliot e seus amigos, martirizados no Continuar lendo “Elisabeth Elliot – Um coração submisso a Deus”