Não dê ouvidos ao diabo

Qual a primeira coisa que vem à sua mente quando falamos em tentação? Como você imagina que foi a tentação de Eva no Éden e de Jesus no deserto? Se pudesse descrever como o inimigo de nossas almas se aproxima de nós para nos fazer pecar e desobedecer a Deus, de que forma ele se apresentaria? Ao contrário do que muitos podem pensar, quando o diabo quer nos fazer trocar Deus por qualquer outra coisa, ele não surge através de um portal flamejante, mostrando suas presas, garras afiadas, rabo pontudo e com tridente nas mãos. Em nosso tempo, Satanás tem se apresentado de forma contrária a essa visão. Surge com uma roupinha descolada, fundo preto, luzes direcionadas para a platéia e palavras bonitas seguidas de choros que logo são substituídos por risos. Essa descrição te parece familiar? Continuar lendo “Não dê ouvidos ao diabo”

Você acredita no inferno?

De acordo com pesquisas recentes, 81% dos americanos adultos acreditam no céu, e 80% esperam ir para lá quando morrerem. Em comparação, cerca de 61% acredita no inferno, mas menos de 1% pensa que é provável que ele irá para lá. Em outras palavras, uma pequena maioria de americanos ainda acredita que o inferno existe, mas o medo genuíno do inferno é quase inexistente.

Continuar lendo “Você acredita no inferno?”

O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE ABORTO ESPONTÂNEO?

Provavelmente, a pergunta mais comum que as pessoas fazem após um aborto espontâneo é “Por que isso aconteceu?” Ou “Por que Deus fez isso comigo?” Não há respostas fáceis para essas perguntas. De fato, não há uma conclusão satisfatória ao motivo pelo qual coisas ruins acontecem às pessoas, especialmente crianças inocentes. Devemos entender que Deus não tira nossos entes queridos de nós como uma espécie de punição cruel. A Bíblia nos diz que “não há condenação para os que pertencem a Cristo Jesus” (Romanos 8: 1). Continuar lendo “O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE ABORTO ESPONTÂNEO?”

VIVER A MISSÃO

Viver a missão de Deus está intrinsecamente ligado a usar a armadura de Deus

O Senhor Jesus veio em uma missão específica, a de salvação da humanidade de seus pecados. Por ter essa missão, Ele nasceu como nasceu, viveu como viveu, de maneira impecável, morreu como morreu e ressurgiu triunfante, mostrando ser o Todo Poderoso redentor e salvador de todos aqueles que creem. Ao ressurgir, e ascender aos céus, Ele deu uma missão aos Seus seguidores.

A missão que Jesus deixou aos seus seguidores pode ser vista no Evangelho de Marcos, na referência de 16:15, que diz: “E lhes ordenou: “Enquanto estiverdes indo pelo mundo inteiro proclamai o Evangelho a toda criatura.”. Portanto, pregar o Evangelho não deve ser tratado como uma missão especial dada por Deus a uns, as quais chamamos de missionários e pastores, mas é uma missão dada por Deus a todo o que decide por seguir ao Senhor Jesus Cristo.

Jesus nos deu uma ordem, e 2019 anos depois da ida dEle aos céus, nós, os seguidores dEle, ainda não conseguimos cumprir essa ordenança. Isso deveria nos envergonhar. A nossa justificativa é que estamos muito ocupados. O problema é que nos ocupamos para alcançar as “outras coisas” e nos esquecemos de nos concentrar no essencial, o Reino de Deus. Invertemos Mateus 6:33. Nos concentramos nas “outras coisas” e esperamos que o “Reino dos Céus” nos seja acrescentado. E isso nunca vai acontecer.

Seguir a Jesus é deixar de viver para nós, para vivermos para Ele. Deixamos nossos bobos e pequenos projetos, como o de ter uma vida confortável e estável, para vivermos para o projeto dEle, de que em todo lugar que formos, pregarmos a Cristo, e este crucificado e ressurreto, para a glória de Deus. Que Deus nos ajude a priorizar o que deve ser priorizado. Para que a glória dEle seja vista e o Nome precioso dEle seja conhecido nas nações.

Visto isso, quando vemos o que o apóstolo Paulo fala à Igreja de Éfeso, sobre o cristão vestir a armadura de Deus, lemos em Efesios 6:15, “calçando os vossos pés com a proteção do Evangelho da paz”. Portanto, viver a missão de Deus, o pregar a palavra do Senhor, está intrinsecamente ligada a usar a armadura de Deus. A ideia que quero passar aqui, é que, quando estamos usando a armadura de Deus, calçamos os nossos pés com a preparação do Evangelho da paz, e por isso, enquanto formos pelo mundo, proclamaremos o Evangelho do Senhor Jesus, já que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10:17).

Julgamos as ações dos não cristãos e a forma como eles caminham, mas não exercemos misericórdia, da mesma forma que Deus exerceu conosco, pregando, para que todos venham a conhecer o Evangelho e tenham assim suas vidas transformadas por Cristo. Parece que nos esquecemos que andávamos como eles em outros tempos, até que Cristo nos encontrou e nos resgatou do lamaçal do pecado. Deus nos amou mesmo quando estávamos mortos pelos nossos delitos, e nos deu vida juntamente com Cristo, e assim, pela graça somos salvos (Efésios 2:5). E é por isso, que devemos amar as pessoas que estão mortas em seus delitos e pregar-lhes o Evangelho, para que pela Graça do Senhor, elas também possam ser salvas. As nações nos esperam.

Devemos entender que o que Deus planejou para nós, isso Ele cumprirá. Fugir da missão que ele tem para nós, não resolverá nada. O melhor é entender a verdade de que participar da Missão de Deus, seja servindo à Igreja local, seja sendo missionário nos lugares mais distantes, seja pastoreando um rebanho, na verdade, é um privilégio. Saber que somos sujos e pecadores, todavia, mesmo assim o Senhor nos ama e nos possibilita ser coadjuvantes dEle em Sua missão tão preciosa, deveria nos motivar a investir a maioria dos nossos tempos para Ele, para as coisas Dele.

Esta mensagem é de apelo. Apelo a você, meu irmão e leitor, em perseverar no Caminho, e que ao perseverar, você se envolva cada vez mais e mais com a missão de Deus aqui na terra, calçando seus pés com a pregação do Evangelho da paz, falando Dele a todos enquanto você estiver indo pelo mundo.

E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo habitado, como testemunho a todas as nações, e então chegará o fim. Mateus 24:14

Estas palavras são do nosso Senhor Jesus. Ele deixa bem claro que o fim dos tempos, que acontece com a volta dEle, só ocorrerá quando o Evangelho for pregado em todo mundo habitado (Marcos 16:15). Ou seja, se não pregarmos o Evangelho a toda criatura, enquanto estivermos indo pelo mundo, não podemos esperar que Jesus volte. É incoerente.

Jesus voltará quando praticamos a ordem que Ele nos deixou, de pregar o Seu Santo e Doce Evangelho a todos. Só assim a consumação dos séculos se dará. Não adianta ficarmos cantando “Maranata, ora vem Senhor Jesus”, se não estivermos empenhados na pregação do Evangelho. Se desejamos a volta do Senhor Jesus, devemos fazer algo a mais que apenas cantar. Devemos pregar. A toda criatura.

O que você tem feito para que Jesus retorne? O que você tem feito para que o Evangelho da Graça seja pregado entre os povos não alcançados?

Que o Senhor nos desperte para o essencial. Que o Senhor nos desperte para Si mesmo.

Em Cristo, com temor e tremor,

Jacira Pontinta Vaz Monteiro.

 

8 PRINCÍPIOS BÍBLICOS CONTRA O RACISMO

Há forte evidência de que salientar as diferenças pouco trabalha para melhorar as relações raciais, e pode ainda exacerbar as mesmas diferenças.

Por exemplo, os distritos escolares de Minneapolis e St. Paul fizeram da dispendiosa educação de diversidade uma prioridade por décadas. Apesar disso, o distrito de Minneapolis recentemente anunciou que “racismo embutido” continua a permear as suas escolas, enquanto que um estudo de 1994 da People para a American Way descobriu que as “relações raciais e a tolerância” nas escolas de ensino médio de St. Paul estão “desmoronando”. (Katherine Kersten, “‘Diversity Training’ Efforts Proceed from False Premise,” StarTribune, 10 de Janeiro de 1996, p. A13)

Continuar lendo “8 PRINCÍPIOS BÍBLICOS CONTRA O RACISMO”

O impressionante novo álbum de Kanye West

O mundo da música está em polvorosa com o novo álbum do cantor e produtor musical Kanye West. Particularmente, não conheço a carreira do cantor, e sinceramente, nem sabia que ele havia sido convertido ao evangelho, até o lançamento hoje de Jesus Is King. Esse texto tem como objetivo, não uma análise teológica robusta sobre cada música que compõe o disco uma a uma. Como o disco possui muito mais conteúdo que boa parte das músicas gospel que ouvimos nas igrejas, acredito que seja um material sobre o qual seja interessante nos debruçarmos e ao final do texto, teço um comentário sobre como estou vendo essa questão toda da conversão do cantor. O disco possui 11 faixas, então vamos abordar um pouco sobre cada uma. Vamos lá? Continuar lendo “O impressionante novo álbum de Kanye West”

Ídolos Modernos: Sexo

“pois tudo que Deus criou é bom, e recebido com ações de graças, nada é recusável”
1 Timóteo 4.4

Ídolos e idolatria

O homem, como uma criatura ligada ao tempo e espaço, tem a característica de prestar adoração a algum tipo de símbolo visível de divindade. No decorrer da história das civilizações este comportamento teve várias formas e manifestações fazendo com que ocorresse o abandono da adoração ao verdadeiro Deus sem que ocasionasse o abandono da religião, sendo esta estabelecida através da substituição do verdadeiro Deus por um deus falso que estivesse de acordo com a sua própria vontade.
Dessa forma se dá origem a um ídolo, que ao contrário do senso comum não é somente uma imagem de escultura mas tudo aquilo que é colocado no lugar do Deus verdadeiro e assim contraria os princípios estabelecidos nos 10 mandamentos. Continuar lendo “Ídolos Modernos: Sexo”

Ídolos Modernos: Relacionamentos

Não sou muito forte em conhecer músicas românticas, mas, conheço pessoas que se desmancham ao ouvir várias vezes a mesmas baladas que fazem o coração bater mais rápido. Aparentemente, a música romântica que retrata certos relacionamentos parece fazer ainda mais sucesso. Certa música diz assim em um de seus trechos (obs. não concordo com ela, muito menos aprovo seu conteúdo, é apenas um exemplo): Continuar lendo “Ídolos Modernos: Relacionamentos”

Ídolos Modernos: Materialismo e Consumo

Não é de hoje que ouvimos falar da teologia da prosperidade, porem o quanto conhecemos dela? Talvez de alguma maneira consciente ou inconsciente estejamos a adotando como verdade, pois diz a velha máxima que “se uma mentira é dita varias vezes acaba se passando por verdade”.

Porem o tema que vamos abordar é o consumismo e o materialismo nos dias de hoje, e como eles vem sorrateiramente sendo inseridos dentro da igreja. Continuar lendo “Ídolos Modernos: Materialismo e Consumo”

Ídolos Modernos: Dinheiro

Nesta série de estudos intitulada “Ídolos Modernos”, vários tipos de ídolos que tiram nosso foco em Deus serão abordados. Nesse texto especificamente falarei sobre o dinheiro. O qual, o próprio Cristo chama de um senhor. Continuar lendo “Ídolos Modernos: Dinheiro”

Ídolos Modernos: Ministério

“Não terás outros deuses diante de mim.” – Ex. 20:3 (BJ)

Você não encontrará, singularmente, em nenhum lugar nas Sagradas Escrituras a associação de ministério com idolatria. Entretanto, isso não nos tolhe de fazer tal conexão, fazendo uso da ideia de que idolatria não se trata unicamente da fabricação e adoração de um ídolo de metal ou argila. Continuar lendo “Ídolos Modernos: Ministério”

Ídolos Modernos: Ideologias

O apóstolo Paulo em Atenas se indigna pelo fato da cidade estar cheia de ídolos. Pelos cidadãos atenienses não conhecerem o Deus vivo, eles adoravam vários deuses. Havia ídolos de todos os tipos, com poderes diferenciados e para ocasiões diferentes. E isto não apenas em Atenas, mas naquelas sociedades antigas como um todo. E na sociedade atual também não é um tanto diferente. As religiões ritualistas, e mais antigas, tendem a adorar vários deuses ainda e a inventar ídolos para si segundo suas necessidades. Continuar lendo “Ídolos Modernos: Ideologias”

Ídolos Modernos: Eu

A palavra Idolatria vem de dois radicais gregos, eidolon (ídolo, imagem mental, corpo) + latreia (Serviço, adoração), sendo traduzido e habitualmente utilizado como “adoração a ídolos”. Comumente quando pensamos em ídolos ou idolatria, logo imaginamos deuses, pessoas em procissão, rituais macabros e etc., mas e quando o “EU” se torna ídolo na existência humana? Continuar lendo “Ídolos Modernos: Eu”

Ídolos Modernos: Personalidades

Sempre que alguma celebridade do mundo da música faz turnê no Brasil, surge o debate sobre idolatria, por conta dos fãs ficarem dias, semanas e em alguns casos até mesmo meses na fila para comprar o ingresso e garantir os melhores lugares para verem o seu ídolo. Se vestem, falam e imitam qualquer gesto ou ação do objeto de sua adoração. Ao contrário do que muitos podem pensar, o termo “ídolo” para se referir a alguma celebridade é empregado da maneira correta. Biblicamente falando, “ídolo” é tudo o que, ou quem, ocupa o lugar de Deus em nosso coração. E quando vemos o modo como as pessoas se desesperam diante da possibilidade de não mais verem os objetos de sua devoção, seja por motivos fúnebres, seja por motivos problemas com a lei, podemos ver então, como esses, de fato, se tornaram deuses nos corações daqueles que os seguem.

Continuar lendo “Ídolos Modernos: Personalidades”

OS SETE PECADOS NA ERA DIGITAL: Orgulho

Agora, ao concluirmos nossa série, chegamos finalmente ao pecado do Orgulho, “o Grande Pecado”, como chama CS Lewis, e como a tradição cristã tem consistentemente ensinado. É tanto o primeiro como o último dos pecados: a mãe que dá à luz a todos os outros, mas que, quando crescida até à sua plena estatura, pode suplantar, até mesmo devorar os outros, e durar muito depois de terem sido subjugados. É a mãe de todos os outros pecados porque o orgulho é, na sua raiz, o amor próprio, ou melhor, amor próprio desordenado. Há um amor próprio apropriado que de fato age como uma verificação de outros vícios, particularmente os sensuais, nos quais nos reconhecemos como criaturas e servos de Deus, e no devido respeito por nosso Criador e a tarefa a que Ele nos chamou, buscamos a saúde e o bem-estar e buscamos a excelência do corpo, da mente e da alma.

No orgulho, entretanto, deixamos de nos amar como criaturas de nosso Criador e começamos a nos amar como criadores, como mestres, em vez de servos. Notamos que a letargia de preguiça, ou acídia, consiste em ser uma apatia para com Deus, na qual, não querendo aguentar a luz ofuscante de Sua presença, nos arrastamos lentamente em direção à escuridão. Mas o orgulho é ainda mais mortal, pois não é uma mera falta de amor para com Deus, mas uma hostilidade ativa. Como diz Aquino, enquanto em outros pecados, “o homem se afasta de Deus, seja por ignorância ou fraqueza, ou por desejo de qualquer outro bem, o orgulho denota aversão de Deus simplesmente por não estar disposto a estar sujeito a Deus, enquanto todos os vícios fogem de Deus, só o orgulho resiste a Deus”.

Ao nos amarmos como bens primordiais, em vez de bens próximos, buscando ser autossuficientes como nossos próprios mestres, nos afastamos do bem ao qual Deus nos chama em favor de todo tipo de males. Ao nos amarmos, decidimos que devemos nos sentir livres para satisfazer nossos desejos, e ninguém mais deve ser capaz de nos dizer que limites estabelecer sobre eles, de modo que nos entregamos à luxúria e à glutonaria. Ao nos amar, tentamos criar um espaço privado para nós mesmos, acumulando bens e títulos mundanos a fim de nos tornarmos autossuficientes e, assim, sucumbir à ganância. Ao nos amar, não podemos suportar o pensamento ou a visão de Deus ou as tarefas para as quais ele nos chama e, assim, nos afastamos dele em direção ao nada no pecado da preguiça. Ao nos amar, ansiamos por honra para nós mesmos e nos ressentimos por qualquer coisa que deva ser compartilhada com os outros, então nós queimamos com inveja. Ao nos amar, não podemos tolerar que alguém ouse desonrar-nos e tirar de nós o respeito e a dignidade que nos são devidos, e assim o atacamos em Ira. Então, o orgulho é o princípio de todos os pecados.

Ao mesmo tempo, porém, à medida que o Orgulho cresce e amadurece, às vezes pode levar à morte desses pecados, enquanto se fortalece cada vez mais. CS Lewis perspicazmente comenta sobre isso “O orgulho pode muitas vezes ser usado para derrotar os vícios mais simples. Professores, na verdade, muitas vezes apelam para o orgulho de um menino, ou, como eles chamam, seu respeito próprio, para fazê-lo comportar-se com decência: muitos homens superaram a covardia, a luxúria ou o mal humor ao aprender a pensar que estão abaixo de sua dignidade – isto é, pelo orgulho”. Assim, o orgulho pode permanecer, e até mesmo ter raízes profundas, mesmo quando seus filhos são sistematicamente removidos.

Isso nos leva a um pensamento perturbador: que em tudo o que dissemos até agora sobre nossa disposição aos vários pecados na era digital, as formas como nossa Internet, smartphones e imersão na mídia conspiram para gerar hábitos de luxúria, glutonaria, inveja e todo o resto, aqueles de nós menos dispostos a esses vários pecados podem ainda estar nas garras do maior pecado de todos. Eu, sentado aqui pacientemente e perspicazmente analisando como as pessoas são apanhadas nas tentações do Facebook e do Youtube, estou correndo um grande risco de dizer: “Eu sou melhor que essas pessoas que caem nessas armadilhas. Obviamente, sou mais iluminado que elas, e, portanto, sou imune a tais coisas”. Mas isso é parte do que torna o orgulho tão mortal: sua capacidade de se disfarçar como um semblante de virtude. Isto é particularmente verdade quando consideramos cuidadosamente a relação da vaidade e do orgulho.

Em seu ensaio sobre Orgulho, CS Lewis perspicazmente observa que a vaidade, que prontamente identificamos como uma forma de orgulho, é na verdade uma forma relativamente inócua e imatura de orgulho, por mais irritante que possa ser ver. Observei em um texto anterior que a inveja ainda não é tão corrupta quanto a ganância, porque a pessoa invejosa ainda não voltou completamente para si mesma; ele ainda se julga em relação aos outros, em vez de buscar a autossuficiência. Da mesma forma, a pessoa vaidosa está obviamente bem ao longo da estrada do amor-próprio que cresce no Orgulho, mas ainda é assolada por inseguranças. A maior parte da publicidade moderna favorece essas inseguranças e procura bajular nossa vaidade, e nossa mídia digital tornou muito mais fácil para todos nós monitorarmos obsessivamente nossas métricas de popularidade. Não devemos mais confiar em avaliações qualitativas subjetivas de quão apreciados e estimados somos; podemos monitorar quantos seguidores temos, quantos comentários, quantas curtidas, quantos compartilhamentos; podemos examinar as estatísticas do nosso blog e aproveitar o pensamento de que 200 pessoas leram nosso último post (sem parar para considerar que, se nossos próprios hábitos de navegação são uma indicação, talvez um décimo desses “hits” realmente leiam o post).

Como diz Lewis, a vaidade “mostra que você ainda não está completamente satisfeito com sua própria admiração. Você valoriza outras pessoas o suficiente para querer que elas olhem para você. Você é, de fato, ainda humano. O verdadeiro orgulho diabólico e obscuro vem quando você menospreza tanto os outros que não se importa com o que eles pensam de você “. Para blogueiros como eu, que passaram anos tentando evitar a armadilha da vaidade, dizendo a nós mesmos que escrevemos para explorar ideias que valem a pena ser exploradas, e não seremos incomodados se poucos ou muitos os lerem, as próximas linhas de Lewis são chocantes:

[O homem orgulhoso] diz: “Por que eu deveria me importar com o aplauso dessa ralé como se a opinião deles fosse valiosa, eu sou o tipo de homem para corar de prazer com um elogio como uma menina em sua primeira dança? Não, eu sou uma personalidade adulta e integrada. Tudo o que fiz foi feito para satisfazer meus próprios ideais – ou minha consciência artística – ou as tradições de minha família – ou, em uma palavra, porque eu sou esse tipo de cap. Se a turba gostar, deixe-os. Eles não são nada para mim”

A partir dessa descrição, deve ficar claro que o orgulho, pelo menos, não é uma característica particularmente distintiva de nossa era digital, pelo menos em seu componente digital. O orgulho, como o mais íntimo e espiritual de todos os pecados, é um hábito do coração e da mente muito mais do que o corpo, e é relativamente pouco afetado por nossa nova mídia de comunicação e socialidade. Com certeza, como observamos em nossa discussão sobre a ganância, o fato de que o mundo digital nos possibilita cada um estabelecer um pequeno espaço próprio, onde somos a estrela, da qual somos o ditador, onde podemos nos expressar. inteiramente como desejamos, e ninguém nos impedirá, isso naturalmente gratifica a cobiça e encoraja o orgulho – a falsa sensação de autossuficiência, o desejo de ser como deuses.

Mas, mais amplamente, o vício do Orgulho está profundamente inscrito na retórica e nos valores de nossa moderna cultura de consumo. “Faça do seu jeito”, declara Burger King, resumindo adequadamente a ética da época. Você é livre para fazer suas próprias escolhas, ter seus próprios valores, pensar seus próprios pensamentos, fazer o que está certo aos seus próprios olhos, “ser sua própria pessoa”, como quase todos os filmes da Disney das últimas décadas nos encorajaram. Você é, em suma, independente. Embora obviamente haja um tipo de independência que é fruto da maturidade, e muitas das liberdades que desfrutamos são bens genuínos, não devemos ser lentos em ouvir o sussurro da Serpente nesses slogans modernos: “você será como Deus”. Se o orgulho é, como Aquino disse, aquilo pelo qual “um homem almeja ser mais do que ele é”, negando sua dependência radical de Deus, e assim afastando-se de Deus “simplesmente por não estar disposto a estar sujeito a Deus e Seu governo”, então talvez o orgulho seja o grande pecado de nossa era.

Felizmente, assim como o Orgulho pode dar origem a qualquer outro tipo de pecado, o remédio para o orgulho – cultivando um senso de nossa dependência radical de Deus e uma profunda gratidão por isso – pode começar a nos libertar de todos os outros. Lembrando que fomos comprados por um preço, nos envergonharemos de nos perder nos desejos carnais da Luxúria e da Glutonaria, e nos encheremos de contentamento com os bons presentes que Deus derrama sobre seus filhos. Descansando com segurança em Deus, seremos libertados da busca de estar seguros em nossos próprios bens, abandonando a fome insaciável da ganância e as obsessivas comparações da inveja. Reconhecendo que somos literalmente nada sem Deus e Sua graça, estremeceremos com o pensamento de nos afastarmos dele em Preguiça para o nada das diversões ociosas.

Finalmente, esse senso de dependência radical, na verdade, é o que mantém o segredo para resolver nosso dilema anterior – como distinguir a virtude madura do Orgulho que se congratula por ser bom demais para as virtudes mais mesquinhas. Ao reconhecer nossa dependência de Deus, não necessariamente pensamos menos de nós mesmos, em vez disso, pensamos menos em nós mesmos. Nós não perdemos muito tempo avaliando o quão bem nós superamos vários vícios, mas simplesmente fixamos nossos olhos em Jesus e começamos a nos concentrar nos próximos vícios que precisam ser superados – lembrando que esse lado da glória, Orgulho, sempre será um deles.

Celso Amaral