Porque estudar Escatologia?

A cada nova desgraça que acontece no mundo, os crentes nas redes sociais ficam ouriçados com os sinais dos tempo, marca da besta e afins. Quem nunca dormiu e acordou achando que o arrebatamento aconteceu e ficou para trás que atire a primeira pedra. Muito disso é fruto de um ensino baseado em achismos, experiências pessoais e um misticismo que existe em relação ao tema, como se somente as mentes mais iluminadas de todas as eras da Igreja fossem capazes de compreendê-los. Entendendo essa necessidade, abro com esse texto uma série de estudos que buscarão te ajudar a entrar nessa parte da teologia. O que acompanhará nessa série, não é nem perto do que vai possuir ao consumir conteúdo a respeito (confesso que estou bem longe de ser um especialista no tema). Entretanto, assim como você, caro leitor, já acreditei em alguns mitos sobre Escatologia que me impediram de acessar e buscar conteúdo bíblico a respeito. Quer saber quais mitos são esses? Confira abaixo:

Mito 1 – É difícil entender Escatologia

Simbolismos, profecias, linguagem figurada, cosmovisão do autor, profecias já cumpridas, etc. São algumas desculpas dadas para justificar a falta de interesse sobre o tema. É verdade que quando comparado aos demais assuntos ligados à teologia, principalmente a teologia sistemática, o estudo do fim dos tempos requer um pouco mais de atenção. Entretanto, nada que uma boa dose de material saudável, conhecimento da Palavra e dedicação não sejam capazes de ajudar no conhecimento dessa importante disciplina. O fato é que, muitas pessoas não desejam sair de suas zonas de conforto, se prendendo a dogmas que são ensinados em suas denominações ou por preferirem seguir algum pregador em sua visão sem nem ao menos saber qual a especialização teológica deles.

Mito 2 – A Escatologia não é urgente

Quando olhamos para o frenesi das redes sociais a respeito do fim dos tempos nem parece que de alguma forma esse assunto não é tratado com a urgência devida. Isso ocorre justamente por conta de não se aprofundarem no assunto no cotidiano e serem levados por comentários que surgem a cada evento “bíblico”. O fato é que, o modo como enxergamos o fim dos tempos reflete diretamente na maneira como lidamos com assuntos atuais. Por exemplo: é difícil se prender à discussão Arminianismo x Calvinismo quando sabemos que o tráfico infantil é a pornografia, que é consumida diariamente em muitos lares cristãos; ou falar sobre pastorado feminino aqui no Brasil, quando tomamos conhecimento de que quem lidera a igreja no Irã, potência islâmica de maior destaque, sejam mulheres. Se não entendemos a urgência com a qual devemos abordar o fim de todas as coisas, ficaremos presos nesse looping temporal, eternamente discutindo se ouvir música secular é pecado. A partir do momento que entendermos os eventos do final dos tempos, com a grandeza devida, entenderemos enfim, quais questões são secundárias e quais são prioritárias em nossos dias atuais. Assim, direcionaremos a atenção devida para o que realmente importa agora, mesmo que estejamos com os olhos no futuro.

Mito 3 – O Fim dos Tempos é totalmente simbólico

Esse aqui talvez seja o mais tentador. Já fui amilenista, então, posso dizer como é reconfortante, principalmente para o ego, a ideia de que o tiver de acontecer de ruim ou bom, já aconteceu, ou vai acontecer somente em sentido figurado. Mas isso é um erro. Quando falamos de interpretação bíblica, devemos entender que há passagens que são de fato, linguagem figuradas, porém, não são todas. Os eventos do fim narrados por Jesus, tanto em fatos como em ordem de acontecimento não são simbólicos. Aqui, entra um ponto extremamente importante de compreensão, assim como outras áreas da teologia sofreram influência por meio de eventos históricos, a escatologia também. Contudo, para nos aproximarmos ao máximo da visão correta a respeito do narrado nas escrituras, cabem as perguntas: “o que o autor tinha em mente quando escreveu isso” e “o que os leitores a quem esses escritos estavam endereçados entendiam ao ler essa mensagem?”. Não se trata de um exercício de empatia, mas sim de um exercício de interpretação básico para a interpretação do conteúdo escrito.

Mito 4 – Não é preciso estudar Escatologia pois ninguém sabe o dia e a hora da volta de Jesus

Quem me conhece há algum tempo, com certeza já me ouviu dizer a seguinte frase: não importa saber quando Jesus vai voltar, o importante é que Ele vai voltar. Hoje, pela misericórdia e graça de Deus sou capaz de enxergar o meu erro. O Daniel Esteves, de Itajaí-SC, em sua mentoria escatológica, constantemente confronta esse pensamento com a seguinte pergunta: “Se escatologia não é tão importante como dizem, qual a razão para a Bíblia falar mais da segunda vinda de Jesus do que da primeira?”. A resposta para essa pergunta é capaz de quebrar muitos paradigmas relacionados à Escatologia. Podemos parafraseá-la para: se não importasse que soubéssemos sobre quando ocorreria a segunda vinda de Jesus, por que então, Jesus deu tantos detalhes sobre os sinais? Não era mais fácil ele dizer que voltaria simplesmente? Qual a razão por trás de tantas profecias e descrições de eventos? Obviamente, a ideia do Senhor era nos preparar. Dar condições de nos mantermos vigilantes e também alertas quanto ao que se sucederá no futuro.

Mito 5 – São tantas linhas escatológicas que não dá para saber qual é a correta

Sim, dá. Diferentes linhas surgiram no decorrer dos tempos para se arranjarem ao momento histórico contemporâneo a seus pensadores. Agostinho de Hipona por exemplo, entendeu o que o Milênio era simbólico e havia começado por conta da instituição do cristianismo como religião oficial do império romano. Apesar de grande filósofo e apologeta, Escatologia não era o forte de Agostinho, o que levou a um erro interpretativo. Esse foi apenas um exemplo, mas através do estudo seremos capazes de entender qual é a linha mais próxima do que acreditavam os apóstolos e profetas.

Os mitos acima fazem parte do imaginário evangélico atualmente. O problema desse imaginário é justamente o fato de que muitos sites e canais se aproveitam da situação em vigor para espalhar mentiras a respeito dos eventos finais. E se você acha que isso acontece somente com pessoas próximas a você, o fato de o rapper Kany West acreditar que a vacina contra a Covid-19 é a Marca da Besta está aí para provar que qualquer um está sujeito a esse tipo de falácia. O Senhor não nos deu uma revelação completa de sua vontade apenas para deixarmos aberta no Salmo 91 acumulando poeira, mas sim para a estudarmos e a conhecermos em sua plenitude.

No próximo texto, falarei um pouco sobre as linhas escatológicas mais conhecidas e suas características. Aguardo você.

Os pontos citados no texto acima são fruto de anotações de aulas sobre escatologia com o Daniel Esteves, para conhecer um pouco mais da abordagem do jovem, clique aqui.

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