A importância do cancelamento de cultos

O que todos previam e temiam, aconteceu. O Novo Corona Vírus chegou ao Brasil, e até o momento da escrita desse texto, já fez 5 vítimas fatais em solo tupiniquim. Ao contrário do que o governo brasileiro afirmou durante dias, não se tratava de uma histeria coletiva, não era um alarmismo desnecessário e agora, estamos diante de uma situação que pode ser extremamente prejudicial. Diante desse cenário, vários pastores e líderes têm insistido em manter a grade de seus cultos normalmente, sendo Silas Malafaia o que mais fez esse tipo de pronunciamento e até viralizou recentemente um vídeo sugerindo que o Estado o proibisse de realizar cultos. À parte da necessidade quase patológica que Malafaia tem de causar polêmica para se manter relevante, neste texto vou dissertar um pouco sobre como o ato de manter as igrejas abertas não é somente irresponsável, mas vil e desumano e contrário a qualquer princípio bíblico do trato e amor ao próximo.

O que sabemos sobre o Novo Coronavírus?

1 – O que é?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China. Provoca a doença chamada de coronavírus (COVID-19).
Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.
A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.
Fonte: Ministério da Saúde

2 – Transmissão

O coronavírus, como outros vírus responsáveis por sintomas de gripe, é transmitido pelo ar ou por contato pessoal a partir das secreções contaminadas. É possível pegar por meio de tosse, catarro, saliva, toque ou aperto de mão e contato com superfícies e objetos contaminados.

O seu período de incubação, ou seja, o tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas é de um a 14 dias, mas o os pacientes infectados costumam apresentar sintomas em até 5 dias.

E, apesar da alta capacidade de disseminação do novo coronavírus, em cerca de 80% dos casos de contaminação, os sintomas aparecem de forma leve. Menos de 5% dos casos evoluem para um quadro grave. A principal preocupação é com idosos e pessoas com doenças crônicas. Em infectados com menos de 50 anos, a taxa de mortalidade é de menos de 1%.

Fonte: Huffpost Brasil

3 – Resistência e tempo de atividade

Alguns estudos sobre outros coronavírus, incluindo aqueles por trás das epidemias da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês) e Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês) descobriram que eles podem sobreviver em superfícies de metal, vidro e plástico por até nove dias, a menos que elas sejam desinfetadas adequadamente. Esse período pode se estender a até 28 dias em baixas temperaturas.

Neeltje van Doremalen, virologista do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), e seus colegas do Rocky Mountain Laboratories em Hamilton, no Estado de Montana, fizeram alguns dos primeiros testes para analisar quanto tempo o Sars-Cov-2 pode sobreviver em diferentes superfícies.

O estudo, que ainda não foi publicado em uma revista científica, aponta que o vírus pode sobreviver em gotículas por até três horas após ser expelido no ar por uma tosse.

Gotas finas, entre 1 e 5 micrômetros de tamanho, cerca de 30 vezes menores do que um fio de cabelo humano, podem permanecer no ar por várias horas.

Isso significa que o vírus que circula em sistemas de ar-condicionado não filtrados só sobreviverá por algumas horas, principalmente porque as gotículas tendem a se depositar em superfícies mais rapidamente quando há circulação de ar.

Mas o estudo do NIH descobriu que o Sars-Cov-2 sobrevive por mais tempo quando depositado sobre papelão — até 24 horas — e de dois a três dias sobre superfícies de plástico e aço inoxidável.

Os resultados sugerem que o vírus pode sobreviver por este tempo em maçanetas de portas, bancadas e outras superfícies duras. Os pesquisadores descobriram, no entanto, que as superfícies de cobre tendem a matar o vírus em cerca de quatro horas.

Fonte: BBC

4 – Consequências e Danos

Apesar de possuir uma taxa de letalidade menor que outros vírus do mesmo tipo (SARS), o Novo Coronavírus, ganhou destaque por uma outra característica bastante peculiar, sua altíssima taxa de internação. Enquanto que, os óbitos variam de 1% a 3%, as internações possuem uma média de 20% para tratamento. Tais internamentos não são realizados em leitos convencionais, mas em leitos de UTI. O Ministro da Economia Paulo Guedes, afirmou em entrevista à Folha de São Paulo que a projeção do Governo é que até 80% da população seja contaminada. Vamos transformar isso em números capazes de nos dar um panorama real de toda a situação.

Atualmente, o Brasil possui cerca de 210 milhões de habitantes; 80% desse total, corresponde a 168 milhões de pessoas; levando em consideração que a taxa de internação é de 20%, temos então, 33,6 milhões pessoas internadas. Você sabe quantos leitos de UTI (necessários para o tratamento e recuperação dos pacientes) nosso país, possui ao todo? 40,6 mil, desses, apenas 17,9 mil pertencem ao SUS.  Por apresentarem dificuldades respiratórias agudas sendo necessário o uso de pulmões artificiais para manter os pacientes, a chance de possuirmos uma taxa de mortalidade acima da média mundial, é evidente em nosso país, uma vez que o sistema de saúde brasileiro está com um colapso às suas portas. Em um cenário otimista, com a mortalidade a 1%, o número de mortos no Brasil seria 1.680.000 (um milhão seiscentos e oitenta mil).

Por se tratar de um vírus novo, ainda não temos as extensões dos danos causados pelo vírus no longo prazo. Na China, pacientes homens têm apresentado infertilidade após serem curados do vírus. Em outros casos, pacientes tem apresentado perda de até 30% de sua capacidade pulmonar. Logo, seus efeitos podem ser muito mais nefastos do que imaginamos.

Entrevista de Paulo Guedes à Folha de São Paulo
Matéria sobre leitos de UTI no Brasil
Dados pulmonares causados pelo Novo Coronavírus
Novo Coronavírus pode causar infertilidade (em inglês)

O papel da igreja nesse caos

Fiz questão de reunir todas essas informações a respeito do Novo Coronavírus, não com o intuito de te alarmar ou gerar pânico, mas te fazer entender a seriedade da situação. Não se trata de uma histeria coletiva, nem uma arma biológica inventada pela China. Se trata de uma ameaça real e que deve ser combatida. Devemos seguir o exemplo da Coréia do Sul, que por adotar medidas restritivas drásticas e testes em todos os grupos conseguiram manter a taxa de contaminação abaixo da média mundial e está sob controle. A postura que não devemos imitar, é a da Itália que considerou uma “gripe mais forte” e hoje, vive uma situação de zona de guerra.
A igreja do Senhor é a representante de Cristo na Terra, e como tal, deve zelar pela criação. Que não sejamos nós, os propagadores de uma doença que pode matar, com muito sofrimento, diga-se de passagem, nossos irmãos em Cristo, nossos familiares, e os familiares de pessoas próximas. Em tempos convencionais, demonstramos nosso amor pregando o evangelho, já nesse tipo de situação, o amor é demonstrado pelo zelo. Assista aos cultos pela internet.

Sua igreja não transmite cultos online? Diversas denominações estão transmitindo, mas não deixe de assistir e de realizar o culto doméstico. Leve conforto aqueles que estão preocupados e consolos aqueles que foram diagnosticados com esse mal.

O seu pastor te disse para usar a fé? Troque de igreja. Esse não é um pastor, mas um lobo interessado apenas em lhe extorquir dinheiro sem o menor pudor ao custo da vida alheia.

Não se deixe seduzir pela ideia de uma espiritualidade que custa a vida dos outros. Para encerrar, deixo uma carta de Lutero durante a Peste Negra que tem repercutido no facebook e que aplica muito bem aos nossos dias.

” Pedirei a Deus para, misericordiosamente, proteger-nos.
Então farei vapor, ajudarei a purificar o ar, a administrar remédios e a tomá-los.
Evitarei lugares e pessoas onde minha presença não é necessária para não ficar contaminado e, assim, porventura infligir e poluir outros e, portanto, causar a morte como resultado da minha negligência .
Se Deus quiser me levar, ele certamente me levará e eu terei feito o que ele esperava de mim e, portanto, não sou responsável pela minha própria morte ou pela morte de outros.
Se meu próximo precisar de mim, não evitarei o lugar ou a pessoa, mas irei livremente conforme declarado acima.
Veja que essa é uma fé que teme a Deus, porque não é ousada nem insensata e não tenta a Deus.”

O Conselho Pastoral de Lutero Durante a Peste Negra. 
Martin Luther, Works, v. 43, p. 132.

 

Celso Amaral

 

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