QUEM É JESUS?: O panaroma bíblico

As galerias de arte estão abarrotadas de quadros com imagens que seus autores dizem ser de Jesus, assim como a imagem que ilustra esse texto. Muitas casas também. Acredito que a mais famosa dessas representações gráficas do Cristo seja a tela chamada Sagrado Coração de Jesus, também acompanhado do Sagrado Coração de Maria. Com a ascensão dos debates pautados em causas identitárias – movimento negro, LGBT, feminista e afins – a questão da aparência de Jesus novamente se tornou ponto de discussão. Mas até que ponto essa obsessão é relevante para aqueles que buscam conhecer a Cristo?

Uma busca idólatra

Antes de mais nada, é preciso definir que o Cristo que necessitamos é o Cristo bíblico. Aquele revelado nas escrituras, que não é somente humano, mas é mais do que isso. É único. Suas características, personalidade, abordagem, e principalmente, sua autoridade sobre os céus e a terra. Boa parte da imagem que tentam pintar de Cristo vem da própria concepção da comunidade local, influenciada pela teologia vigente.
Uma igreja que possui uma teologia voltada para questões raciais, obviamente, apresentará um retrato de Cristo com uma pele mais escura. Bem como, uma igreja voltada para questões underground, apresentará um Jesus coberto de tatuagens, piercings e alargadores. Esse tipo de abordagem evidencia que a reprodução que fazem de Jesus possui mais o objetivo de defesa da própria conduta, do que revelar o dono da mensagem de salvação.
Não podemos nos enganar, apesar de a Igreja possuir a responsabilidade de revelar Cristo ao mundo, ela não possui autoridade dEle. Quando a igreja assume um padrão visual de Cristo como forma de defesa de sua doutrina/teologia, há a pressuposição de que ela possui também seus atributos. Uma teologia que é baseada na defesa de referências gráficas, sempre se limitará a uma figura terrena, afinal, é impossível descrever ou adotar com fidelidade a imagem de Cristo glorificado
. Vejamos o que R.C Sproul diz a respeito da função da igreja:

A Igreja é chamada “o corpo de Cristo”. Alguns se referem a isso como “a encarnação contínua”. A Igreja existe, certamente, para incorporar e levar avante a missão de Cristo. Por essa razão, a Igreja é inconcebível sem Cristo. Todavia, a Igreja não é Cristo. Ela é fundada por Cristo, formada por Cristo, comissionada por Cristo e capacitada por Cristo. A Igreja é governada por Cristo, santificada por Cristo e protegida por Cristo, mas não é Cristo. A Igreja pode pregar salvação e edificar os salvos, mas não pode salvar. A Igreja pode pregar, exortar, repreender e admoestar contra o pecado; ela pode proclamar o perdão do pecado e dar uma definição teológica para o pecado, mas não pode expiar o pecado.

Sproul, R. C.. Quem é Jesus? (Questões Cruciais Livro 1) . Editora Fiel. Edição do Kindle.

No século XIX, os teólogos liberais iniciaram e estimularam de forma quase obsessiva, uma busca pelo chamado “Cristo Histórico”. Uma vez que uma das características da teologia liberal é justamente a crítica aos textos bíblicos visando por em cheque sua veracidade, a ideia de um Cristo segundo os padrões bíblicos não era suficiente para firmar e fortalecer a fé dos crentes. Era necessário mais. O problema de buscar por conta própria algo divino segundo métodos de pesquisa humanos, é que inevitavelmente chegaremos ao ponto de usar nosso coração régua. A partir daí, não buscaremos mais a verdade, mas apenas afirmações daquilo que julgamos ser o certo. Ou seja, as evidências encontradas podem ou não ter valor probatório de acordo a conveniência do discurso que ela apoia ou contradiz.
Atualmente, a imagem mais difundida como sendo a do “Cristo Histórico”, tida como fiel por alguns, se valendo de técnicas de animação e reconstrução de rostos, é a figura de um Jesus negro. O que não seria problema, se não fossem as pinturas cristãs de origem também no Oriente Médio, que apontam um retrato caucasiano de Jesus. Assim como não devemos tentar visualizar Jesus com um perfil que mais lembra um jogador alemão de futebol pois ignora a fisionomia dos povos do Oriente Médio, também é incoerente tomar como referência uma figura que, não condiz com a representação que os próprios povos daquela região fizeram quando alcançaram sua liberdade religiosa.
É extremamente simbólico que nenhum dos evangelistas tenha descrito a aparência de Jesus. Em nenhum dos quatro evangelhos encontramos menção sobre sua altura, tom de pele, postura, peso… nada.

Reflita: Quando foi a última vez que pesquisou algo para formar um quadro real e não apenas para provar que estava certo?

A fonte santa

Num ponto eu tenho que concordar com liberais: A bíblia não é neutra. Mas isso não é um problema. Obviamente todo autor tem um objetivo claro ao escrever alguma coisa para ser lido por outros. No momento que escrevo esse texto, por exemplo, utilizo de ferramentas teológicas e bíblicas para argumentar a respeito daquilo que quero apresentar ao leitor. Cobrar uma escrita parcial de qualquer autor, é o cúmulo da inocência. Os autores do Novo Testamento possuíam um objetivo claro em sua escrita, que era provar que Jesus Cristo, o carpinteiro de Nazaré, era o salvador que tanto esperavam. Vejamos alguns textos:

eu, pessoalmente, investiguei tudo em minúcias, a partir da origem e decidi escrever-te um relato ordenado, ó excelentíssimo Teófilo.
Lucas 1:3

Em meu primeiro livro, caro Teófilo, escrevi a respeito de tudo o que Jesus começou a realizar e a ensinar,
Atos 1:1

Então, Pedro começou a fazer-lhes um relato claro e ordenado de como tudo havia ocorrido:
Atos 11:4

O objetivo do relato bíblico que temos a respeito de Jesus, era justamente com o objetivo de argumentar a favor da natureza messiânica do homem nascido em Belém. Não à toa, as expressões que mais podemos encontrar nos relatos dos evangelistas, eram: “para se cumprir o que está escrito”, “conforme fora dito pelo profeta”, etc. Essas afirmações apontam diretamente para a intenção de apontar Cristo como sendo o cumprimento do que havia sido predito, não apenas alguém que surgiu na história para usurpar uma posição vaga.

O Cristo bíblico

Mais do que uma figura pública, o Jesus narrado pelos evangelhos, predito por todo o Antigo Testamento e defendido pelos apóstolos em suas cartas, é um salvador. Ele é um redentor. O homem de Nazaré, é anunciado por seus seguidores, não porque se identificaram com a imagem dele, mas por terem sido resgatados por seu poder e autoridade. Um Messias substituto que satisfaça nossas aspirações ególatras e por consequência, idólatras, não pode redimir.

Quero conhecer o Jesus que mudou Mateus, transformou Pedro e converteu Saulo de Tarso na estrada de Damasco. Se estas primeiras testemunhas não podem me levar ao Jesus “real”, quem pode? Se não é por meio de amigos e pessoas amadas, como alguém pode ser conhecido?

Sproul, R. C.. Quem é Jesus? (Questões Cruciais Livro 1) . Editora Fiel. Edição do Kindle.

Em seu livro Quem é Jesus? R.C Sproul nos convida a refletir sobre o valor de nossas almas. Se o preço para que fôssemos livres da condenação vindoura, foi o sangue de Cristo, porquê então desperdiçar nossas vidas com nada mais que uma especulação vazia, que pode resultar apenas em frustração e horas de investigação inútil como já mencionado anteriormente?

O Cristo que necessitamos é aquele revelado nas escrituras. Aquele que é capaz de questionar a moralidade dos conservadores e por em cheque a liberdade dos progressistas; que fala aos ricos sobre a superficialidade das riquezas, e ao pobre que sua miséria não é condição para salvação; que para os racistas aponta a unidade; que para os ideólogos apresenta a transcendentalidade; que para os fatalistas revela a esperança; para os materialistas revela a eternidade; para o cansado revela ser o porto de descanso e o alívio para o sobrecarregado.  Esse Cristo, esse Messias, só pode ser encontrado quando buscado na Palavra. Quando buscado fora dela, pode resultar em um encontro com o espelho.

Celso Amaral

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