Você leu os termos de uso?

Eles estão presentes em praticamente tudo que é informatizado. Do jogo mais bobo ao programa mais sofisticado, passando por sistemas operacionais, aplicativos de celular e pelo cadastro que fazemos para ingressar em uma rede social. Na maioria das vezes, notamos sua presença apenas por um vislumbre. Pode até ser que alguma vez você tenha pensado em lê-lo, mas quando viu a imensidão de parágrafos e cláusulas, correu para selecionar o campo “aceito” e prosseguir para o seu objetivo. Pois é, os termos de uso e contrato de licença competem em busca do título de mais ignorado da história humana. Por não ser uma leitura obrigatória cria-se uma atmosfera de que tal conteúdo não tem importância. Recentemente o Davi Benac postou no twitter, o seguinte:

https://twitter.com/davibenac/status/1219791868566949888

O post do Davi me lembrou uma outra situação bem, digamos, peculiar. Em 2017, a Super Interessante postou uma matéria bastante interessante sobre casos envolvendo os tais termos de uso e contrato de privacidade. “No começo de 2005, Doug Heckman resolveu ler um contrato. No meio das cláusulas, encontrou algo estranho – um prêmio de mil dólares. Entrou em contato com a empresa de softwares PC Pitstop, responsável pelos termos, e recebeu o prêmio. O problema: foram precisos 5 meses e 3 mil cadastros para que alguém percebesse a brincadeira. Anos depois, em abril de 2010, a loja de jogos GameStation foi ainda mais longe: escondeu uma cláusula que fazia o usuário ceder os direitos da própria alma à empresa. Enquanto mil pessoas identificaram a brincadeira, 7 mil concordaram.” a matéria completa pode ser lida aqui.

Curiosamente, essas histórias de aceitar e “assinar” sem ler, têm muita relação com nossa vida espiritual como um todo. É muito comum que pessoas ainda não convertidas entrem em nossas igrejas, e logo após a pregação ficamos afoitos, esperando que ela diga sim a tudo o que foi dito e passe a dividir os bancos/cadeiras do templo já na semana seguinte. O resultado é uma leva de novos crentes que foram convencidos, mas não foram convertidos. Os danos disso são sentidos das formas mais variadas. Passando desde o legalismo (apego a normas de conduta) até a nova onda do momento, a hipergraça (a ideia de que a graça de Deus nos permite pecar desregradamente e ainda assim contar com sua ação). Todo o movimento das igrejas, deixa de ser para frente seguindo os passos do mestre para um movimento tipo pêndulo, onde sempre estamos balançando de um extremo a outro. Ora legalismo, ora hipergraça. Tudo isso porque os termos de uso do evangelho não ficaram claros seja para terceiros, seja para nós mesmos.

Quais os termos de uso do evangelho?

Para encontrarmos as referências adequadas precisamos entender que a Bíblia Sagrada fala de Jesus. Desde Moisés narrando a criação até a consumação de todas as coisas, tudo se trata de Jesus. Isto posto, é dela que vem toda a fonte de conhecimento a respeito da realidade de Deus. Por meio dela, entendemos que caímos da graça e não temos condições de nos apresentarmos como referencial de nada (Jó 15:14; Sl 51:5; Ef 2:3; Rm 3:9-12; Is 64:6), mas que apesar do abismo de nosso pecado e desgraça, a ação salvadora de Cristo vem como uma avalanche imparável para nos resgatar da morte (Ez 36:26; Jo 6:28-29). Todo o processo da salvação está registrado nos termos de uso que o próprio Deus escreveu para que pudéssemos nos manter firmes e constantes em Seu propósito (Dt 17:18,19; 31:9,22; Is 30:8; Jr 30:2; 45:1; 51:60). Infelizmente, temos tratado os estatutos do Senhor da mesma forma que tratamos os termos de um aplicativo novo que instalamos.

Recentemente, assisti ao documentário Sheep among Wolves no YouTube (para assistí-lo clique aqui ) e o ponto que mais me chamou a atenção é um momento em que os irmãos do Irã, relatam que eles não buscam converter as pessoas para depois discipulá-las ao falarem sobre a fidelidade dos crentes iranianos. A ação é o contrário, o discipulado vem primeiro, para que depois busquem a conversão. Essa estratégia tem se mostrado bastante eficaz, pois as pessoas que passam a compor a igreja, sabem dos riscos que correm e quais suas responsabilidades para com o corpo. Dessa forma, se tornam uma comunidade cada vez mais forte e sadia, espiritualmente falando. Precisamos repetir os feitos de nossos irmãos do Oriente Médio, seja em abordagem com amigos e familiares, sejam com os nossos irmãos que assistem os cultos todas as semanas em nossas congregações. Conheça a fé que professa, ensine-a a outros.

Caso você leitor(a), não tenha certeza se conhece os termos do evangelho quando levantou sua mão, procure o seu pastor ou professor(a) de Escola Bíblica Dominical e converse com ele(a) a respeito e seja esclarecido(a). Muita gente morreu para que tivéssemos acesso aos Termos e Condições do Senhor Todo-Poderoso, o mínimo que podemos fazer é honrar esse sacrifício com a leitura e conhecimento do seu conteúdo.

Celso Amaral

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