Não dê ouvidos ao diabo

Qual a primeira coisa que vem à sua mente quando falamos em tentação? Como você imagina que foi a tentação de Eva no Éden e de Jesus no deserto? Se pudesse descrever como o inimigo de nossas almas se aproxima de nós para nos fazer pecar e desobedecer a Deus, de que forma ele se apresentaria? Ao contrário do que muitos podem pensar, quando o diabo quer nos fazer trocar Deus por qualquer outra coisa, ele não surge através de um portal flamejante, mostrando suas presas, garras afiadas, rabo pontudo e com tridente nas mãos. Em nosso tempo, Satanás tem se apresentado de forma contrária a essa visão. Surge com uma roupinha descolada, fundo preto, luzes direcionadas para a platéia e palavras bonitas seguidas de choros que logo são substituídos por risos. Essa descrição te parece familiar?

Coaching e Prosperidade: Origens e contexto

A chamada teologia da prosperidade, é a crença de que os cristãos tem direito ao bem-estar incondicional – uma vez que as realidades físicas e espiritual são a mesma não havendo nenhum tipo de limitação entre as esferas – , sendo interpretados como saúde física e prosperidade financeira. Os pregadores desse tipo de ensino focam suas mensagens em uma visão positiva sobre a alma e o corpo, levando seus ouvinte a realizarem confissões positivas a respeito de suas realidades. Interpretando a criação como imagem e semelhança de Deus no âmbito da autoridade, defendem que por meio de ações podem mudar suas realidade. É desse pensamento que temos as campanhas do tipo “12 meses de clamor para 12 meses de vitória”, os chamados atos proféticos que envolve imitações de situações bíblicas, como simular os setes mergulhos de Naamã, atirar uma pedra para derrubar o gigante (que no contexto representa um problema pessoal que desafia a fé) que tem como “base” a história de Davi e Golias, e assim por diante.
Atualmente, é quase uma regra acreditar que a teologia da prosperidade e a teologia pentecostal sejam sinônimos. É um erro acreditar ou dizer coisas do tipo, pois no início do Século XX, os líderes pentecostais não aceitavam esses ensinamentos e práticas em seus cultos. A situação só mudou de figura nas décadas de 1940 e 1950 com a popularização do cultos de libertação e cura no meio pentecostal. Ainda hoje, igrejas que seguem o denominado Pentecostalismo Clássico, como setores mais tradicionais da Assembleia de Deus – Missão e Belém – se opõem duramente a essa vertente. Como muitos dos expoentes da TP tiveram origem em igrejas pentecostais essa generalização ocorre, como dito antes, de forma equivocada. Esses “dissidentes”, misturando elementos do pentecostalismo clássico com a confissão positiva, criaram o que hoje, é conhecido como neopentecostalismo.
A TP surgiu de suprir uma carência financeira e física, mas com o tempo, seus mestres foram sendo expostos e desmascarados. Ainda faz vítimas pela falta de conhecimento bíblico das pessoas, infelizmente.  Mas os tempos mudaram, e nesse novo cenário, apesar da crise que nos assombra, temos uma vida muito mais confortável que nossos pais. A vida do brasileiro é, atualmente, melhor que há 60 anos atrás. Porém, somos seres imperfeitos, e nessa imperfeição temos necessidades. Ao contrário de nossos avós e pais, nossa necessidade principal não é mais de saúde e segurança financeira. A necessidade de nosso tempo é emocional, e para atender a essa demanda, surge a teologia do Coaching.

O nome Coaching não deve ser estranho para você. É muito provável que já tenha assistido a uma palestra sobre motivação e direcionamento na tomada de decisões, ou quem sabe até mesmo ouviu alguém que teve sua vida mudada por ter participado de uma palestra/sessão dessas. Para entender como essa nova tendência entre pregadores funciona, vamos tomar algumas definições segundo o Instituto Brasileiro de Coaching.

O que é Coaching?

O Coaching é um processo definido como um mix de recursos que utiliza técnicas, ferramentas e conhecimentos de diversas ciências como a administração, gestão de pessoas, psicologia, neurociência, linguagem ericksoniana, recursos humanos, planejamento estratégico, entre outras. A metodologia visa a conquista de grandes e efetivos resultados em qualquer contexto, seja pessoal, profissional, social, familiar, espiritual ou financeiro.

Como o Coaching acontece?

Conduzido de maneira confidencial, o processo de Coaching é realizado através de sessões, onde um profissional chamado Coach tem a função de estimular, apoiar e despertar em seu cliente, Coachee, o seu potencial infinito para que este conquiste tudo o que deseja.

A TC (teologia do Coaching), surge para atender à demanda humanista e até mesmo hedonista de nossos dias. Nos últimos anos, com o advento das redes sociais e das facilidades tecnológicas, houve um aumento exponencial de registro de casos e distúrbios mentais em todo o mundo segundo a Organização Mundial da Saúde. A igreja sendo constituídas por pessoas, em muitos casos é alvo para esse tipo de ensinamento, e por sermos uma sociedade conectada, essas mensagens se espalham de forma extremamente rápida, sendo as redes sociais e o YouTube os principais canais de difusão. Nomes como Deive Leonardo, Tiago Brunet e Victor Azevedo, têm despontado de forma bastante popular, com sua retórica simples, técnicas de hipnose e valorização da pessoa como bem maior não somente de si mesma, mas de toda a existência. Ou seja, a síntese do satanismo.

Por que tais ensinos são satânicos?

Dizer que alguém que fala em Deus e usa Jesus como tema de palestras na verdade possui uma mensagem satânica pode parecer pesado, e até desnecessário para alguns. Mas, vamos entender bem o termo e comparar com o que a bíblia nos revela sobre a atuação do adversário de nossas almas.
O nome Satanás que usamos para nos referir ao diabo vem do hebraico “satan”, que literalmente, significa “adversário”. Esse termo é o usado pelos autores da bíblia para se referir à pessoa que é o opositor direto de tudo o que envolve o Senhor Deus, desde a criação até a obediência de seus filhos. O Dicionário da Bíblia John Davis, nos traz a seguinte definição: “Adversário, Jó 1.6; Zc 3.1, assim chamado, porque, em virtude de suas disposições hostis, promove toda a espécie de impiedade, opondo-se a Deus e aos homens, Jó 2.3; Lc 22.3; 1 Cr 21.1 e Sl 109.6, comprometendo a obra de Deus, Mc 4.15, induzindo os homens a pecar, At 5.3; 26.18; a separarem-se de Deus, Jó 2.5; Mt 4.9,10, e a rejeitarem o plano da salvação, Zc 3.1,2.” Logo, quando o ensino resulta em situações como as citadas, podemos classificar tal ensino como satânico, sim. Mas onde os ensinamentos de Deive Leonardo & Cia possuem tais características? Vejamos abaixo:

Da Bíblia e do evangelho, Jesus é o centro. Mas do coração de Jesus, você é o centro!
Deive Leonardo

Ao afirmar que nós somos o centro do coração de Jesus, Deive ensina algo satânico, pois compromete a obra de Deus e rejeita o plano da salvação. Dizer que do coração de Jesus nós somos o centro, é o mesmo que dizer que Deus não tinha interesse na salvação do pecador (Ez 18.23; 33.11; 1 Tm 2.3,4)  e que Cristo não veio para cumprir a vontade de Deus (Jo 4.34; 5.30,36; 6.38) mas sim para cumprir um desejo próprio de salvar a humanidade pecadora. E que esse amor, não provém do Pai (Mq 7.18). A mensagem apesar de sua roupagem romântica, possui em seu cerne um veneno mortal.

Nota: Em pregações recentes, Deive Leonardo tem assumido uma postura bíblica, centralizando e valorizando Cristo ao invés dos atributos humanos que nos tornariam de alguma forma aceitáveis. Devemos louvar a Deus por isso, pois é um sinal de arrependimento e maturidade do pregador. Oremos para que Deus o mantenha firme nessa mudança e no anúncio do evangelho! Soli Deo Gloria!

 

 “Ele planeja coisas para sua vida e, de diversas formas, inclusive pelas suas decisões, você pode apagar o que Ele escreveu para você”
Tiago Brunet

Em uma mensagem que tinha como tema o destino, Tiago Brunet diz que Deus não estabelece nem determina os fatos a acontecerem em nossas vidas. Tal afirmação é danosa para a alma, pois nos faz crer que de alguma forma temos um poder de decisão semelhante ao de Deus. Ora, se nossas ações são capazes de apagar as decisões de Deus, como então podemos ter certeza de que somos salvos? Como confiar no poder de um Deus que não tem condições de governar suas criações? Segundo a ótica de Tiago Brunet, Deus não é onipotente, nem sábio o suficiente para construir o fluxo da história. A bíblia discorda de Brunet (Is 14.27; 2 Cr 20.6; Pv 16.1; 19.21; Sl 33.10,11).

“Se Adão não pecasse, Jesus pecaria.”
“Quando olho para Deus e me olho, vejo que sou tão justo quanto ele.”
Victor Azevedo

Recentemente, ao ser perguntado sobre sermos ou não inferiores a Deus, Victor respondeu que por sermos criados por Deus, possuímos a mesma natureza, logo não somos inferiores em termos qualitativos (atributos), mas apenas em termos quantitativos (proporção de manifestação de tais atributos). Todas as três falas – conhecidas do público geral – são problemáticas.
Dizer que Cristo pecaria por conta do amor à Noiva (representada por Eva), anula todo o poder salvador de Cristo. Afinal, o que o torna um salvador único, é justamente o fato de que por ter sido gerado por Deus, possui os atributos qualitativos e quantitativos do Pai. Caso Jesus pecasse, ele não teria as condições de nos salvar, simples assim. Sobre a segunda fala, deixo o artigo escrito pelo Prof. Vinicius Mello sobre Depravação Total, para entender completamente nossa real natureza, e porque é um absurdo que alguém se considere tão justo quanto Deus, o mesmo texto serve de base para esclarecer a razão de não sermos comparáveis em hipótese nenhuma a Deus.

Como saber se o que estou assistindo é uma pregação de fato, ou uma palestra coaching?

Como vimos no tópico anterior, a ideia do Coaching quando aplicado na igreja, resulta numa doutrina satânica, por se opor aos ensinamentos básicos da fé cristã, como a soberania, onipotência e onisciência de Deus, a suficiência e completude da pessoa de Cristo. Mas por ser apresentado sob uma roupagem bonita e com uma estrutura visual atrativa, tais venenos passam desapercebidos. Para saber identificar uma mensagem desse tipo, é preciso saber quais são suas bases em termos de cosmovisão.

  • Humanismo: O coaching utiliza de técnicas humanas num indivíduo que é o centro de tudo para que este alcance seus objetivos humanos. Muitos pastores e líderes tem enveredado por esse caminho. Tratam suas pregações como palestras motivacionais da fé que confundem fé com força e vontade, evangelho com motivacionismo e Cristo com um palestrante. O foco está naquilo que o homem pode fazer através da sua fé pessoal. Fé essa que passa por Cristo, mas que tem seu objeto na própria pessoa e nos seus esforços dirigidos.

  • Materialismo: há um desejo enorme em conquistar coisas. Sejam elas produtos do mercado como carros, casas, roupas, viagens ou algo mais “espiritual” como paz, pessoas, bom casamento, filhos educados, castidade, etc.  O papel do pastor se tornou muito parecido com o do coach: “estimular, apoiar e despertar em seu cliente (ovelha)… o seu potencial infinito para que este conquiste tudo o que deseja”. É exatamente isso que essa mistura humanista-materialista busca: o potencial infinito de cada ser humano para conquistar aquilo que ele deseja. Há uma conexão com o existencialismo, onde o indivíduo e sua busca pessoal por significado em si mesmo passa a ser o centro do pensamento filosófico.
  • Ceticismo: Humanismo e materialismo são marcas de seres céticos. A crença no Deus da Bíblia é cada vez mais fraca onde esse tipo de cultura se manifesta. Como já dito anteriormente, a TC busca descobrir o potencial de cada pessoa para que ela alcance seus próprios objetivos. Dependência de Deus é algo apenas fantasiado. Orações são feitas apenas para que Deus abençoe nossos planos e para que Ele nos dê apoio em nossa própria empreitada. O sobrenatural é esquecido e Deus vai ficando cada vez mais distante. Na TC o soberano é o indivíduo com suas decisões de fé e sucesso. Em muitas igrejas tudo que você vai encontrar nos púlpitos são mensagens sobre o que os homens podem fazer para serem alguma coisa melhor do que já são. Até a mistura com conteúdos de coaching, marketing pessoal e psicologia você encontrará. Aliás, tem sido comum pastores e líderes entrarem nesses cursos e palestras para serem mais persuasivos, contagiantes e teatrais (pra não usar manipuladores). O Espírito Santo não tem muito espaço na TC, mesmo que usem seu nome.
    Via: Dois Dedos de Teologia

Se o mensageiro estiver anunciando uma mensagem que busque valorizar o seu potencial como ser humano sendo completo em si mesmo e que executa sua missão em conjunto com Deus, e não como ferramenta dEle; te incentivando a conquistar objetivos palpáveis como avanços financeiros, espirituais e emocionais, por meio de ferramentas e “chaves” mentais e no final, tratando Deus que é o autor da história como coadjuvante e substituindo o poder sobrenatural de Deus por mecanismos e técnicas humanas de “conquista”, fuja. Esses são os aspectos mais notórios desse tipo de mensagem.
Como pudermos ver, o mesmo discurso presente na tentação de Satanás a Eva no Éden está presente nos profetas do Coaching, que é a ideia de ser igual a Deus (Gn 3.5), e assim como fez ao tentar o próprio Jesus no deserto, por meio do conceito de que por sermos filhos de Deus temos condições de exigir algo dEle usando de forma errada o escrito em sua Palavra (Mt 4).
Se o seu pastor ou líder, costuma aplicar esse tipo de discurso na congregação, talvez seja o momento de considerar a mudança para uma igreja bíblica. Pois a sua alma e fidelidade a Deus correm sério risco no médio e longo prazos. Caso você seja líder e tem exposto seus liderados a esse tipo de conteúdo, revise sua teologia e no que tem crido, pois, ensinamos apenas o que cremos e consideramos relevantes. Satanás é sutil, mas isso não significa que ele seja menos perigoso por isso.

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