Ídolos Modernos: Sexo

“pois tudo que Deus criou é bom, e recebido com ações de graças, nada é recusável”
1 Timóteo 4.4

Ídolos e idolatria

O homem, como uma criatura ligada ao tempo e espaço, tem a característica de prestar adoração a algum tipo de símbolo visível de divindade. No decorrer da história das civilizações este comportamento teve várias formas e manifestações fazendo com que ocorresse o abandono da adoração ao verdadeiro Deus sem que ocasionasse o abandono da religião, sendo esta estabelecida através da substituição do verdadeiro Deus por um deus falso que estivesse de acordo com a sua própria vontade.
Dessa forma se dá origem a um ídolo, que ao contrário do senso comum não é somente uma imagem de escultura mas tudo aquilo que é colocado no lugar do Deus verdadeiro e assim contraria os princípios estabelecidos nos 10 mandamentos.
Tim Keller em seu livro Deuses falsos afirma: “Para pessoas contemporâneas, a palavra idolatria remete a imagens de povos primitivos curvados diante de estátuas.”¹
Já o termo idolatria é a síntese de duas palavras gregas que são: eidolon, que veio a significar especificamente uma imagem de um Deus como objeto de adoração, ou um símbolo material do sobrenatural como tal objeto e latreia, que traz o significado de culto ou adoração aos deuses. Sendo assim o conceito de idolatria fica estabelecido quando se prestam honras divinas a qualquer produto de fabricação humana (ídolo), ou a atribuição de poderes divinos a operações puramente naturais.
A perspectiva bíblica, em Jeremias 2.28, sobre os ídolos afirma a existência subjetiva na mente e na vida do devoto, porém nega a sua realidade objetiva. É uma característica da humanidade a habilidade de produzir ídolos.

O sexo como um ídolo

A biologia define sexo como um conjunto de características orgânicas que diferenciam os indivíduos em macho ou fêmea, mas essa expressão ainda pode ser usada como referência aos órgãos sexuais ou à prática de atividades sexuais. Então pergunta a ser feita é a seguinte: Qual é a relação entre o sexo e a idolatria? É justamente isso que esse artigo visa responder.
Em um primeiro passo podemos afirmar que a idolatria sempre existiu na história da humanidade e as relações sexuais fizeram parte desses acontecimentos em determinadas ocasiões, como por exemplo no culto a divindades como Artemis (ou Diana), Astarote entre outros.
Depois podemos analisar o decorrer da história e como os seus desdobramentos influenciaram para que o sexo se tornasse um ídolo, entenda que os historiadores dividem a trajetória da humanidade em períodos de tempo que são: Pré-história, Antiguidade, Idade média, Idade moderna e Idade contemporânea e cada um desses períodos possuem características peculiariades que os diferenciam entre si.
O período em que vivemos é chamado de pós-moderno e caracteriza-se pelo progresso e conflitos que se originaram na Era moderna. Um dos pensamentos predominantes nesse tempo é o fato da sociedade ter um enfoque no ser humano, colocando-o como referencial a partir do qual todas as outras coisas são medidas e assim predominando a filosofia humanista chamada antropocentrismo, onde o homem é colocado como centro do universo. Como já afirmado pela Bíblia Sagrada em 2 Timóteo 3.1: “porque haverá homens amantes de si mesmo”.
Outro pensamento característico da nossa época é o de que não exista um padrão que sirva de norma universal e isso ocasiona em uma total desordem moral e social pois a conduta de cada pessoa é pautada por seus próprios valores e sua cosmovisão, o relativismo então torna-se o princípio basilar dos dias de hoje. Como consequência do antropocentrismo e do relativismo chega-se ao hedonismo, doutrina filosófica posterior ao filósofo Sócrates, datada entre 470-399 a. C, segundo a qual o prazer individual e imediato é o maior sentido da existência humana. Essa filosofia tem se tornado o único padrão ético de nossos dias e podemos confirmar isso quando abrimos as redes sociais e nos depararmos com a seguinte frase: “nada é errado se te faz feliz”, o que se torna mais assustador é quando alguém que se diz cristão tem esse tipo de comportamento.
Segundo o teólogo Silas Daniel em seu livro A Sedução das Novas Teologias “Na lógica hedonista que rege a pós-modernidade, se algo provoca prazer ou emociona, então se conclui que é bom”. ²
Devido a essas influências o sexo é idolatrado, pois acaba sendo venerado como um fim para autossatisfação humana que está na busca desenfreada pelo prazer individual sem se importar com o próximo, contrariando assim os princípios para que o relacionamento sexual foi estabelecido.

O conceito bíblico sobre o sexo
Ao criar o sexo como característica da constituição anatômica e fisiológica que diferencia o homem da mulher, Deus também criou a sexualidade e o relacionamento sexual foi uma dádiva divina concedida a humanidade. Sendo então criação divina, esse assunto não deve ser tratado como algo imoral ou impuro, como ocorre em muitos meios evangélicos.
A união sexual e a reprodução fazem parte da instituição do casamento estabelecida por Deus após a criação doo homem, sendo assim o sexo não pode ser tratado de forma meramente biológica ou psicológica como ocorre na sociedade contemporânea. Seu principal significado não deve ser encontrado em si mesmo, no ato, na experiência ou em suas consequências sociais, mas deve ser encontrado através do relacionamento com Deus e seus propósitos, o desconhecimento dessa realidade tem levado muitos a formarem uma visão distorcida sobre essa temática.
Ao contrário daqueles que pensam que a prática sexual está relacionada somente com a busca pela autossatisfação, a Bíblia estabelece as seguintes finalidades para o sexo:
Procriação – Em Gênesis 1.28 Deus mostrou a Adão seu propósito quando disse: “Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra e sujeitai-a”, Deus conferiu a humanidade a capacidade de criar vidas por meio do ato sexual, sendo esclarecido que Ele pretendia que o resultado desse ato fosse uma bênção.
Ajustamento entre o casal – Parte do projeto divino para o sexo inclui a necessidade do relacionamento pessoal. É comprovado cientificamente que o relacionamento sexual cria um laço entre o homem e a mulher, mas de acordo com Gênesis 2.24 os níveis mais profundos de união e intimidade só podem ser atingidos com a busca pelo plano de Deus para essa relação.
Satisfação – Uma das razões por que Deus criou o sexo foi para proporcionar e desfrutar do prazer com os nossos cônjuges. Como descrito em Provérbios 5.18-19, quando se desfruta do sexo de acordo com o plano divino, o resultado é que Deus está sendo glorificado através do ato.
A união sexual do cristão, numa visão ética da Bíblia, deve obedecer a alguns aspectos para que a esteja de acordo com o propósito de Deus, ela precisa ser dentro do matrimônio, monogâmica, heterossexual, santa, alegre e natural. Quando os limites estabelecidos por Deus para a nossa vida sexual não são respeitados, o prazer diminui, a intimidade é rebaixada e as bênçãos planejadas por Ele para nosso relacionamento podem se deteriorar, mas quando a prática sexual é orientada pelos princípios divinos o sexo não é tratado como um ídolo, pois não será feito dele um fim para a autossatisfação,
e sim se prestará adoração somente a Deus através da busca de glorificá-lo através desse relacionamento.

Bibliografia:
BÍBLIA. Português. A Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada.
Tradução de João Ferreira de Almeida. Barueri – SP. Sociedade Bíblica do
Brasil, 2006.
KELLER, Timothy. Deuses falsos. 1º Edição. São Paulo. Vida Nova , 2018.
SILAS, Daniel. A Sedução das Novas Teologias. 1º Edição. Rio de Janeiro.
CPAD, 2015.

Citações:
1 Keller, Timothy. Deuses falsos, p. 10.
2 Silas, Daniel. A sedução das novas Teologias, p. 24.

Leir Junior tem 34 anos e é casado com Vanessa Silva. Bacharel em teologia pela FACETEN, é presbítero no Centro Evangelístico Nacional da Benção, na cidade de Cabo Frio – RJ, onde serve como superintendente da Escola Bíblica e professor de teologia. Escritor e entusiasta pela interpretação bíblica é Idealizador da página @entendesoqueles no Instagram.

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