Ídolos Modernos: Materialismo e Consumo

Não é de hoje que ouvimos falar da teologia da prosperidade, porem o quanto conhecemos dela? Talvez de alguma maneira consciente ou inconsciente estejamos a adotando como verdade, pois diz a velha máxima que “se uma mentira é dita varias vezes acaba se passando por verdade”.

Porem o tema que vamos abordar é o consumismo e o materialismo nos dias de hoje, e como eles vem sorrateiramente sendo inseridos dentro da igreja.
Mas antes precisamos entender esses dois temas. Consumismo é o ato que está relacionado ao consumo excessivo, ou seja, à compra de produtos ou serviços de modo exagerado. O consumismo hoje é um estilo de vida orientado pelo que é supérfluo, pela cultura do descartável, pelo desejo incessante de possuir sempre o que é da tendência atual.
Diferentemente do ato de consumir, necessário a todos os seres humanos.
Já o materialismo, é uma versão mais filosófica do consumismo.

O Materialismo é a atitude das pessoas que entendem que tudo é matéria e que têm uma vida voltada unicamente para os bens materiais. Os adeptos do materialismo são chamados de materialistas. A sociedade moderna valoriza mais o ter do que o ser, o consumismo se tornou uma necessidade imperativa na nossa sociedade.

Enfim sabendo um pouco do significado de cada uma dessas palavras, nos perguntamos, como pode isso influenciar a igreja de Jesus Cristo?
O consumismo reduz a quase nada a importância de Deus, dos valores morais, dos desejos puros e da busca do caráter espiritual. Estamos tão atentos as tendências americanas ou mundiais que tudo que vem la de fora nos cativa, uma dessas tendências são as pregações e testemunhos de pregadores ou propagandas de igrejas, que na realidade são mega templos que passa um ar de igreja espiritual rica, e quem tem programas televisivos em que seus  tele-evangelistas cheios de pompa e glamour falam de evangelho extravagante e consumista.
E essa idéia de consumismo acaba sendo difundida através da televisão ou redes sócias que hoje ocupa grande parte do tempo da população. As pessoas sempre gostaram de adquirir bens e sempre houve uma tendência de se viver para o mundo material em vez de se viver para Deus. Se tivermos “bens” suficientes, nos sentimos seguros e até auto-suficientes.

Ta ai o grande problema do consumismo (desejo desenfreado por supérfluos) e do materialismo (que se apega ao que é material) dentro da igreja, pois cria-se um novo evangelho. Chamamos de evangelho de consumo porque ele finge conter as boas-novas de grande alegria para as pessoas, ele faz uma promessa de felicidade por meio da aquisição de bens materiais e atividades que se concentram, principalmente, no prazer que as pessoas sentem quando põe em prática a escolha pessoal.

O evangelho descrito na Bíblia é a única mensagem que a igreja deve passar para o mundo. Este evangelho, fundamentalmente, constitui nas boas-novas pertinentes ao perdão dos pecados diante de um Deus santo, por meio do Senhor Jesus Cristo e de sua cruz. Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores foi isso que Paulo pregava aos gentios.

Esta é uma palavra fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.
1 Timóteo 1:15 

Esta mensagem compreende a intenção de Deus através de Jesus e sua intenção para com o homem.

No evangelho consumista, o evangélico consumista olha para a igreja não mais como um lugar de comunhão e adoração e sentimento mutuo entre os seus pares, mas sim como um grande supermercado ao qual é só me dirigir as prateleiras que são oferecidas pelos pregadores da prosperidade e me servir daquilo que me é necessário no momento. Pessoas buscam consumir entretenimento nas igrejas; quer um espetáculo não um culto a Deus, as pregações tem que ter uma ótima oratória com ensinos que farão os fiéis ganharem alto estima para o dia a dia.

 O foco não está mais na vida interior, mas na vida exterior. Não esta mais em ter vida com Deus, mas sim ter coisas de “Deus”; Não é mais ir para a igreja adorar, mas para buscar o que os consumistas chamam de bênçãos; Não é mais servir e sim ser servido, e o que é pior pelo próprio Deus.

Com isso nos tornamos pessoas egoístas, egocêntricas, mesquinhas e auto-suficientes. Mas quando essa pessoa se frustra por não ter sucesso financeiro, viver infeliz e / ou com doenças é por causa da sua falta de fé, ou que ela não cumpre o que a Bíblia diz. Uma igreja de consumistas não tem uma mensagem salvadora para a sociedade, não tem luz para um mundo em trevas e não tem alimento para os sedentos. Isso me leva a pensar sobre o que Jesus sentiu em Marcos 11:15-19 pois ele expulsou tanto os que estavam vendendo (evangelho de consumo) e também os que compravam (consumistas).

O materialismo esta muito ligado ao ato de se apegar de uma maneira extrema a algo. Deixe-me ser claro: ser rico não é necessariamente pecado.  O dinheiro não é “a raiz de todos os males”. É o amor ao dinheiro que gera tudo tipo de mal.

Conheço algumas pessoas pobres que são extremamente materialistas. Não é a quantidade de dinheiro que uma pessoa tem que o torna materialista. É a motivação do coração da pessoa em relação aos bens materiais que indicam se ela é materialista. O materialismo é uma das tentações mais sutis que um cristão pode enfrentar. Já o materialismo evangélico acredita que a riqueza é um sinal das bênçãos de Deus em suas vidas, e acabam se apegando nessas pseudos-bençãos como uma garantia de vida feliz. De modo que elas passam a ser dominadas pelo que possuem, acarretando numa a auto-satisfação, esquecendo-se do contentamento em Deus. Acabam se esquecendo que tudo o que temos ou possuímos é para a gloria de Deus. A alegria esta em possuir coisas de Deus, e não em ter o Deus que é dono de todas as coisas.

  Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!
Romanos 11:36

Enfim, o consumismo e o materialismo estão intimamente ligados, e são armas sutis do mundanismo que vem se inserido na igreja através da teologia da prosperidade, que de uma maneira sorrateira vem se expandido até as igrejas que não tem muito interesse em estudar a palavra de Deus.

Não há blasfêmia maior do que usar a Deus como nosso servo, e não há pior lugar para isso do que no templo da adoração, onde fazemos a adoração a Deus centralizar-se em nós mesmo e não nELE. O conselho bíblico para os consumistas e materialistas principalmente os evangélicos é esse:

 Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.

Colossenses 3:1-3

Esse desenho da sociedade, infelizmente paira sobre nossos grupos de jovens, células e os ministérios eclesiásticos. Pessoas buscam consumir entretenimento nas igrejas; querem o espetáculo pop-rock no louvor, pregações com a alto e fina oratória cativante de uma peça de teatro e ensinos que farão os fiéis ganharem alto estima para o dia a dia. Crentes que buscam consumir o que é mundano nos templos, ou fazem da Igreja as mudanças da sociedade para se sentirem satisfeitos, tornam-se um objeto frágil e se desumanizam.

O consumismo é o evangelho atual que é oferecido pelo secularismo ao mundo. Chamamos o consumismo de evangelho secular porque ele finge conter as boas-novas de grande alegria para as pessoas – bem, pelo menos para as prósperas. Ele faz uma promessa de felicidade por meio da aquisição de bens materiais e atividades que se concentra, principalmente, no prazer que as pessoas sentem quando põem em prática a escolha pessoal.

As pessoas sempre gostaram de adquirir bens e sempre houve uma tendência de se viver para o mundo material em vez de se viver para Deus. Se temos “bens” suficientes, nos sentimos seguros e até autossuficientes. Todavia nem mesmo o rico insensato na parábola de Jesus em Lucas 12 teve a infinidade de opções com a qual nos deparamos em nossa sociedade sobre onde podemos gastar o nosso dinheiro. Afinal, se podemos comprar até mesmo a espiritualidade, quão infinitas são as opções que o mundo nos oferece?

 

 

Carlos Agapito é casado, tem 40 anos, é o Pastor dirigente da Igreja Cristã Pentecostal da Bíblia no Brasil –  Jardim Casa Grande em Diadema-SP; Formado em Teologia pelo Instituto Pentecostes e Seminário Teológico Porta da Vida; Formado em Apologética pelo Instituto Cristão de Pesquisa.

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