Ídolos Modernos: Ministério

“Não terás outros deuses diante de mim.” – Ex. 20:3 (BJ)

Você não encontrará, singularmente, em nenhum lugar nas Sagradas Escrituras a associação de ministério com idolatria. Entretanto, isso não nos tolhe de fazer tal conexão, fazendo uso da ideia de que idolatria não se trata unicamente da fabricação e adoração de um ídolo de metal ou argila.

 Idolatria não é simplesmente a adoração de objetos, mas sim a honra e a glória exclusivas de Deus destinadas a outrem, seja este o que for. Dessa forma, chegamos ao tema desse artigo: Quando o ministério apodera-se da glória e honra exclusivas de Deus.

 Qual é, pois, a contrariedade? Deus não cede a outro Sua glória, nem aos ídolos Sua honra.

“Eu sou Iahweh; este é o meu nome! Não cederei a outrem a minha glória, nem a minha honra aos ídolos.” – Is. 42:8 (BJ)

Uma das palavras gregas traduzida em nossas Bíblias por “ministério”, é a palavra “Diakonia”, que tem basicamente o sentido de “Servir”, e essa é a essência de cada ministério bíblico, tanto o ministério levítico como o ministério apostólico, entre outros. O ministério torna-se um ídolo quando o ser visto ocupa o lugar do servir, quando o orar em pé nas sinagogas, e nas esquinas das ruas ocupa o lugar do orar ao Pai em oculto fechando a porta do aposento (Mt. 6:5-6), quando o orgulho ocupa o lugar da humildade, quando o reconhecimento diante dos homens ocupa o lugar da aprovação de Deus (2Tm 2:15), pois todos esses exemplos citados redundam na honra exclusiva de Deus sendo depositada aos pés do altivo homem. Devemos ter por certo que, antes de nos declararmos chamados e separados para o ministério, devemos ser servos.

“Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus.” – Rm. 1:1

No meio evangélico brasileiro, vem crescendo um número alarmante de “ministros” motivados não pelo servir, mas sim pelo reconhecimento que o ministério oferece; espelhando-se em falsos profetas que vivem um outro evangelho – o qual não há outro – diferente do bíblico, numa vida de altivez, isentos de perseguição, o sinete do ministério genuíno.

“Até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa, nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos; somos blasfemados, e rogamos; até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos.” – 1Cr. 4:11-13

“Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas; e sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios. Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque naquela mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós. E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. E odiados de todos sereis por causa do meu nome.” – Mt. 10:17-22a

Essa é a verdadeira essência de ministério, servir fortemente por amor apesar das provações atribuindo a glória a Deus, tudo o que foge disso, ainda que por um minúsculo declive, não pode ser dito ministério! Trata-se de uma deformação idólatra. Não existe ministério sem perseguição, todo aquele que deseja tal obra – boa obra deseja (1Tm. 3:1) — deve estar ciente de que assim como Cristo passou por perseguições, certamente passaremos, e assim como Cristo glorificou ao Pai, também devemos glorificar; e se fomos chamados, atendamos ao ministério que recebemos do Senhor, cumprindo-o bem (Cl. 4:17).

Toda a honra produzida pelo ministério deve ser depositada aos pés do Altíssimo; o Pai deve ser glorificado! Não importa quem plantou, ou quem regou, sabemos que é Deus quem dá o crescimento (1Co. 3:6). O ministério, não pode ser usado para autoglorificação, visando status, fama, conquistas, como muitos têm feito; ministério é autonegação, é tomar a cruz, é pregar atribuindo a glória a Deus. Empenhemo-nos vigorosamente na pregação do Evangelho, no afã de que Cristo seja glorificado!

A procura virtiginosa por status e reconheimento ministerial é como um câncer à porção do corpo de Cristopresente no Brasil, formada por uma vasta quantidade de irmãos em Cristo de várias denominações, visto que quebra um conceito básico apontado pelo apóstolo Paulo na epístola aos Filipenses.

“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.” – Fl. 2:3-5

A exaltação do ministro, referindo-se a superioridade eclesiástica, vai contra tudo o que as Sagradas Escrituras nos ensinam. Pois o bom ministro, experimentado na sã doutrina, tem o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, estando pronto a rebaixar-se e lavar os pés de seus discípulos. Portanto, tais ministros não são aptos a exercerem o ministério aos olhos bíblicos, pois convém ao ministro não ser cobiçoso de torpe ganância (1Tm. 3:3). Já que exercem um ministério não aprovado por Deus, o que esperar de ministros idólatras num cenário escatológico?

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” – Mt. 7:21-23

Por se multiplicar a iniquidade o amor de muitas está esfriando. Quanto mais cresce o número de ministros exaltando a si mesmos, mais o corpo de Cristo sofre pela falta de amor fraternal, gerando uma frieza espiritual deplorável. O organismo funciona com o ajuste perfeito e coordenado das células, quando uma célula recusa-se a agir em conformidade nasce o câncer, e este, aos poucos, corrompe cada vez mais células. Que o Senhor nos guarde para que não caiamos nesse pecado!

Texto por: André Martins

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