Ídolos Modernos: Ideologias

O apóstolo Paulo em Atenas se indigna pelo fato da cidade estar cheia de ídolos. Pelos cidadãos atenienses não conhecerem o Deus vivo, eles adoravam vários deuses. Havia ídolos de todos os tipos, com poderes diferenciados e para ocasiões diferentes. E isto não apenas em Atenas, mas naquelas sociedades antigas como um todo. E na sociedade atual também não é um tanto diferente. As religiões ritualistas, e mais antigas, tendem a adorar vários deuses ainda e a inventar ídolos para si segundo suas necessidades.

Mas será que os ídolos modernos se resumem às religiões? Será que nos tempos modernos não há outras formas de ídolos já formados? Há sim. A mente humana é extremamente hábil para a criação do mal. O pastor Timothy Keller, em seu livro “Deuses falsos” diz:

“Nossa sociedade atual não é fundamentalmente diferente dessas antigas culturas. Cada uma delas é dominada por seu próprio conjunto de ídolos. Cada uma tem seu ‘sacerdócio’, seus totens e rituais. Cada uma delas e seus templos – sejam eles torres empresariais, spas, academias, estúdios ou estádios – onde sacrifícios têm de ser feitos para que as bênçãos da boa vida sejam obtidas e os desastres sejam evitados. Quais são os deuses da beleza, do poder, dinheiro, e do sucesso, se não os que assumiram proporções míticas em nossa vida individual e em nossa sociedade? Podemos não nos ajoelhar fisicamente diante da estátua de Afrodite, mas muitas jovens de hoje são levadas a depressão e disfunções alimentares por uma preocupação obsessiva com a imagem. Podemos não queimar incenso a Ártemis, mas, quando o dinheiro e a carreira são elevadas a proporções cósmicas, realizamos algo como um verdadeiro sacrifício de crianças, negligenciando a família e a comunidade para conquistar um lugar mais elevado no mundo empresarial e angariar mais riquezas e prestígio.”

Parece que os cristãos tem uma facilidade em se lembrar do segundo mandamento (“Não farás para ti nenhuma imagem de escultura), mas se esquecem, ou não conseguem ver a abrangência, do primeiro mandamento (“Não terás outros deuses além de Mim”). Por isso, portanto, parece que se não há prostração diante de uma estátua, mesmo havendo divisão no coração de quem servir, os cristãos não se opõem com tanta veemência. Mas Deus continua dizendo: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei” (Isaías 42:8).

O ÍDOLO DA IDEOLOGIA

Há um ídolo moderno poderosíssimo e que desde os tempos antigos vem causando brigas, dissabores e desunião até entre os maiores amigos, que é o ídolo da ideologia. O astro da música brasileira, Cazuza, disse em sua música “Meu partido”:

“Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Pra viver”

Segundo o Dicionário Aurélio, ideologia é o “Conjunto de ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que caracterizam o pensamento de um indivíduo, grupo, movimento, época, sociedade.” As ideologias promovem a cosmovisão, que é a forma como se enxerga o mundo. Isto é, dependendo do conjunto de ideias, convicções e princípios que se pensam com relação aos campos da sociedade, se tem uma cosmovisão, que guiará o indivíduo em suas tomadas de decisões e no seu direcionamento de como viver. A cosmovisão é importante, pois ela norteará todo o pensar e o agir de algum indivíduo. Ou seja, a depender de como se é a cosmovisão (a ideologia de vida) irá ser seguido um caminho ou outro. Por isso que o Cazuza queria uma ideologia para viver. Pois ele sabia que a ideologia iria protegê-lo de ir na onda das pessoas, ou de não pensar por si só e não construir os próprios ideais.

Mas veja, a ideologia ou cosmovisão não é algo ruim, como foi dito, ela vai guiar o indivíduo em sua tomada de decisões enquanto viajante neste mundo. A ideologia/cosmovisão vai tentar responder á três questões: 1. Criação, 2. Queda, 3. Redenção. Cada ideologia vai apresentar sua visão de como tudo começou e foi criado, de como e quando as coisas deram errado e de como tudo pode voltar a funcionar de forma perfeita de novo. E é aí que as várias ideologias, junto com suas sugestões de cosmovisão, se tornam um perigo para o cristão.

Bem, onde está o perigo? O perigo reside em que as ideologias têm um cunho salvífico. Como antes dito, a ideologia procura responder redentivamente a um problema. E o cristianismo é uma crença completa em si mesma. O indivíduo ao crer em Cristo não necessita de ideologias para moldar seu pensamento, pois a Palavra de Deus é suficiente como moldadora de pensamento, para os mais altos pensamentos, e Jesus Cristo é a redenção perfeita de Deus. O cristão, portanto, não necessita de mais nenhum outro ato ou pensamento redentivo.

Exemplificando para a melhor compreensão, será falado sobre a causa feminista. Seguindo a lógica do que é ideologia, o feminismo tem por pensamento criativo, o evolucionismo (a Simone de Beauvoir, em seu livro, o segundo sexo, fala sobre isso de forma bem clara. Inclusive, é um livro muito interessante para ser lido por quem é cristão e afirma que o cristianismo e o feminismo podem se misturar (Simone mostrará em seu livro a inconciliação do cristianismo como feminismo). A queda que o feminismo tem por pauta é o problema do machismo (que é um problema real e pecaminoso, e que se encontra na sociedade e que devemos lutar contra). A Redenção que o feminismo traz é ele próprio e suas lutas por maior autonomia pela parte do sexo feminino.

Outro exemplo seria o da política. Hoje em dia, a polarização está tão grande, que o indivíduo que pode ser zombado e não levado a sério, por causa de sua ideologia política. Isto acontece até em meios cristãos, para vergonha nossa. (De onde vem as guerras e pelejas entre vós? Tiago 4:1).

O Cazuza queria uma ideologia para viver, os cristãos deveriam responder a ele dizendo que não apenas têm pelo que viver, mas também pelo que e por Quem morrer, a saber, Cristo. E é sobre Ele que irá ser falado, finalizando.

CRISTO É SUFICIENTE

A soberania de Cristo deve ser exalada em detrimento de qualquer outra coisa existente. A obra redentiva na cruz do Único e Suficiente Salvador das almas dos pecadores deve ser enaltecida acima de qualquer outra obra! É por isso que o cristão não precisa de ideologias de cunho salvífico e redentivo, pois já temos O Salvador e Redentor de nossas almas.

O retorno às Escrituras é urgente. Pois, se os cristãos conhecessem as escrituras, não seriam levados por todo vento de doutrina ou ideologia. Precisamos nos apegar com todas as nossas forças ao que nos dirige com firmeza no caminho estreito, as Escrituras Sagradas. Meditemos mais em Cristo e Seu poder para destruir do pecado. Sabendo que nEle temos tudo o que precisamos (Ele é suficiente!) e não necessitamos assim aderir á ideologias que veem com intuitos remissores.

Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo. Colossenses 2:8

 

Jacira Pontinta Vaz Monteiro
Estudante de Contabilidade na Universidade Federal da Paraíba

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