Os dons do Espírito Santo: Parte 2

O capítulo 13 da primeira carta de Paulo aos Coríntios tem sido desde tema de música à leitura quase obrigatória nos casamentos. Aqui, ele fala de forma magnífica sobre a superioridade do amor sobre os dons. Mas, o que é o amor? Talvez a maior parte das pessoas o defina como um sentimento, algo intrinsecamente ligado às emoções. Aquele momento em que o coração bate mais forte, as pernas tremem e as palavras fogem. Não há nada mais longe da definição de amor do que esta.

O termo para este amor é “ágape”, um amor sacrificial, que não busca seus interesses. É um amor que coloca o próximo acima de si mesmo, e se entrega. Muito próximo ao amor que Cristo demonstrou ao se tornar servo e obedecer até a cruz. Este amor não é natural ao homem, pois somente pode ser entendido e vivenciado à luz da capacitação do Espírito Santo e do entendimento correto das Escrituras.

Após listar os dons e dar explicações sobre eles, o apóstolo introduz a realidade do amor no uso dos dons espirituais (v.31), ele pretende dizer que sem o amor, por mais espetaculares que sejam os dons, eles de nada servirão (1Co. 13.1-3). Portanto:

  1. O amor é o dom supremo – A igreja em Corinto orgulhava-se dos dons que tinha em seu meio, e parece que os dons extraordinários eram vistos com certa proeminência. Não muito diferente, hoje em dia, podemos observar existe uma verdadeira guerra entre os crentes buscando, em uma competição acirrada, ser e demonstrar ser mais “espiritual” possível. Todos querem demonstrar sua espiritualidade contando suas experiências pessoais e buscando sempre alguma “novidade espiritual”. Paulo nos ensina que o amor é a experiência espiritual mais espiritual que o crente pode ter. Seu entendimento era que, se devemos buscar os melhores dons, há um que é sobre todos: o amor – o dom supremo.
  2. O amor dá valor aos dons – Outro argumento que o apóstolo utiliza é que, sem amor, os demais dons são totalmente sem valor. Ele faz uso de hipérboles para demonstrar que o amor é mais importante até do que um dom elevado à sua categoria máxima. Vejamos isto nos versículos de 1 a 3:

Línguas dos homens – línguas dos anjos;

Profecia / conhecimento – todos os mistérios e toda ciência;

Fé – transportar montes;

Serviço – distribuir todos os bens e morrer pelo próximo.

Na igreja de Corinto, parece ser muito claro um sério problema de complexos de inferioridade e superioridade. Estavam em busca dos dons do Espírito, mas vazios dos frutos do Espírito. Eles não entenderam que o amor é a argamassa que edifica a igreja. Sem o amor, não existe qualquer generosidade que compense o uso dos dons.

  1. O amor une os dons – Quando existe amor, as pessoas são pacientes em relação às outras (13.4); significa que não irão retrucar ou retribuir na mesma moeda. Num tempo em que as pessoas parecem viver cada vez mais estressadas, e seus nervos estarem à flor da pele, o amor é o que fará suportar as condições mais difíceis e os comportamentos mais hostis. Amar é demonstrar longanimidade para com o próximo.

Quem ama não espera que os outros sejam perfeitos, mas pacientemente espera que Deus transforme a vida deles. A solução para todos os problemas que existiam na igreja dos coríntios, e para a nossa é o amor.

  1. O amor permanece para sempre – Os dons espirituais, por mais importantes que sejam, são temporários, ou seja, eles cumprem uma função determinada por Deus (13.8). Por que o amor é um dom supremo? Primeiro, porque, a importância dos dons é apenas para esta vida, servindo para a edificação da igreja militante. Segundo, porque o amor ultrapassa esta vida e serve à igreja triunfante. Apenas o amor permanece, ele é eterno.

Quando a função de edificar a igreja aqui estiver cumprida, os dons desaparecerão. Porém, isto não acontecerá com o amor, pois mesmo depois da consumação de todas as coisas e do estabelecimento pleno do Reino de Deus, o amor continuará existindo e sendo o grande elo entre Deus e os seres humanos (13.13). Portanto, ser espiritual no nível máximo é viver e demonstrar o amor de Deus para com os outros por meio dos dons. O amor é o tempero da vida, é o dom supremo, é aquilo que mais devemos desejar e buscar.

Conclusão

  1. Tenha certeza que Deus lhe deu pelo menos um dom espiritual, e quer que você saiba qual é e o use para a glória dele.
  2. Ore com discernimento e objetivo para que Deus o leve a ver seus dons.
  3. Tenha certeza de que quer usar seus dons espirituais de maneira que honre a Deus.
  4. Busque uma compreensão inteligente do que a Bíblia diz sobre dons espirituais.
  5. Procure conhecer a si mesmo e suas capacidades.
  6. Aceite com humildade e gratidão o dom que Deus parece lhe ter dado e use-o o mais possível.

LIMA, Leandro Antonio de. A razão da esperança – Teologia para hoje. São Paulo: Cultura Cristã, 2006

LOPES, Hernandes Dias. 1Coríntios – Como resolver os conflitos na Igreja. São Paulo: Hagnos, 2008.

 

Vinícius Mello final

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