A Guerra do Ego: A salvação passa por nossas mãos?

 Thanos é o vilão apresentado em Vingadores: Guerra Infinita, e depois de quase 10 anos recebendo críticas a respeito de seus vilões, finalmente temos um vilão tão ou até mais carismático que os heróis. Loki e Ultron foram ameaças grandes e aterradoras; Killmonger em Pantera Negra representou muito mais um viés ideológico/filosófico do que necessariamente, uma ameaça de extinção global como os anteriores e passando bem longe do plano e eficiência de Thanos no novo longa. Nesse texto trataremos justamente do plano de Thanos, sua dedicação em executá-lo e o seu resultado.

AVISO: CONTÉM SPOILERS!

 

QUEM É THANOS?

Antes de falarmos sobre o plano aplicado no filme precisamos conhecer um pouco de quem o põe em prática.

Thanos nasceu em Titã, uma das luas de Saturno. Pertencente à sociedade Eterna – seres humanos modificados geneticamente pelos Celestiais. Porém, o vilão nasceu com a Síndrome do Deviante, dando-lhe a aparência dos primos e inimigos dos Eternos. Seu tom de pele, e desproporções corporais geraram repulsa até mesmo de sua mãe, com esta tentando o matar logo quando nasceu, mas acabou protegido por seu pai, A’Lars, também conhecido como Mentor.

Até ir para a escola, Thanos era um garoto pacífico e gentil. Entretanto, as constantes humilhações e desprezo que sofria por conta de sua aparência, em sua família, escola e restante da sociedade Eterna, o tornaram um garoto sombrio e vingativo. Como não conseguia alterar seu aspecto físico, buscou e desenvolveu meios de aumentar gradativamente o seu poder, para que assim, pudesse sobressair sobre aqueles à sua volta. Mas, conforme o seu poder aumentava, numa proporção ainda maior crescia o seu desejo por destruição. Roubando uma das naves de seu povo, Thanos viajou pelo espaço à procura de mercenários que o ajudassem na execução de seu plano de vingança contra a sua lua natal.

Voltando de seu exílio e já conhecido como o Titã Louco, Thanos então bombardeou seu antigo lar com bombas atômicas. Causando uma devastação de proporções dantescas, causando a morte da maior parte da população, inclusive, de seus familiares. Após nomear-se líder dos sobreviventes de Titã, Thanos tentou invadir o planeta habitado mais próximo: a Terra. Sendo impedido pelos Vingadores na investida.

Conforme seu poder e desejo de destruição aumentava, Thanos, se viu romanticamente obcecado por ninguém mais, ninguém menos que a Morte. Sendo a primeira que o Titã sentia amor em sua vida. Fazendo parte do hall dos seres celestiais, a Morte pode se apresentar de diferentes formas. Quando Thanos ainda era jovem, ela apareceu pela primeira vez como uma garota pequena, encorajando sua sociopatia. Foi com ela, que ele aprendeu todos os segredos sombrios que o levaram a aumentar seu poder de forma exponencial. Chegand à idade adulta, a Morte apareceu para ele agora como uma mulher, enlaçando seu coração para sempre.

Para se tornar digno dela, ele decidiu que iria se tornar o mais poderoso possível. Primeiro, ele planejou algo simples, tentando capturar poder político ao conquistar mundos, mas rapidamente ele começou a coletar itens de grande poder como o Cubo Cósmico e as Joias do Infinito.

O Thanos do filme é um pouco diferente. Seu desejo por matar metade da população universal não tem relação com o seu relacionamento com a Morte, mas sim, com o conhecimento e compreensão de que o crescimento populacional descontrolado pode trazer sérios riscos para o Universo, com essa consciência, Thanos decide tomar para si esse fardo. Invadindo planeta após planeta e assassinando metade da população com as próprias mãos, o Titã Louco se vê cansado e decide executar todo o processo de uma única vez utilizando as Jóias do Infinito.

O QUE PODEMOS APRENDER COM ISSO?

 

A saga de Thanos em busca da redenção e de satisfazer seu ego ilustra de certo modo a tentativa do homem, desde a expulsão do Éden, de se redimir e alcançar salvação e descanso para sua alma em méritos próprios. No Éden o desejo de ser como Deus levou o primeiro casal à morte espiritual, mas, em Lameque, duas gerações após o ocorrido, encontramos um homem que tentou mostrar o poder que acreditava estar em suas mãos:

“Disse Lameque às suas mulheres: Ada e Zilá, ouçam-me; mulheres de Lameque, escutem minhas palavras: Eu matei um homem porque me feriu, e um menino, porque me machucou. Se Caim é vingado sete vezes, Lameque o será setenta e sete.” – Gn. 4.23-24

Não muito distante, em Babel mais uma vez o homem deseja estar perto de Deus por seu esforço (Gn. 11.1-9). A rebeldia que se revela nesta passagem, onde aquelas pessoas querem evitar de se espalhar pela terra, um coração orgulhoso, que deseja honrar e engrandecer seu próprio nome. Mais uma ilustração dos esforços que todo homem caído tem feito para alcançar o céu com seus próprios esforços e méritos, em vez de encontrar em nos méritos de Cristo o dom gratuito da salvação.

Em seu ministério, Jesus teve de lidar com um grupo conhecido por ser especialista na Lei. Eram mestres na interpretação das tradições orais dos rabis e exerciam forte influência sobre as massas camponesas. Mas, seu desejo em alcançar benefícios por uma forma de vida rigorosamente ligada às tradições, apenas os deixou com a marca de “sepulcros caiados”.

Se a própria criação geme como dores como as de uma mulher em trabalho de parto, como então alcançaremos a redenção que tanto carecemos? Thanos certamente não alcançou em toda a sua jornada. O homem, por si só, também não. E observando Paulo escrevendo aos Efésios (cap. 2), traz notícias desesperadoras: o homem está morto em seus pecados. Nossas melhores obras não têm efeito algum sobre a salvação. Mas, para a história desesperadora em que fomos inseridos, há esperança. O novo Adão. Cristo, aquele que cumpriu toda a Lei. Aquele que em obediência foi fiel até a morte, e morte de cruz.

A esperança que temos para chegar ao trono da graça e alcançar misericórdia não está no nosso poder de “tocar no altar”, de “dançar como Davi”, ou no “levantar de mãos”. Nossa esperança está nAquele que foi levantado no madeiro. Criamos ídolos que vão satisfazer nosso ego, que vão nos encher de esperança em suas promessas, ainda que vazias, mas estes ídolos vão falhar conosco. Estes ídolos vão frustrar nossos planos. Estes ídolos vão tomar o lugar que só deveria ser dAquele que realmente nos redime.

Thanos criou para si um ídolo redentivo. Lameque, o povo de Babel, os fariseus, eu, você, todos, tendemos a colocar esperança de salvação muitas vezes em coisas que por si, são boas. Cônjuges, filhos, pais, emprego, estudos. Coisas boas, mas que não salvam.

Mesmo sabendo e aparentemente ciente da condição temporal de tudo isso, ainda assim persistimos no engano. Aparentemente, o plano de Thanos, é visando o bem mas praticando o mal, algumas pessoas inclusive, chegaram a ver no plano do vilão um potencial realmente redentor. Mas, há um problema muito simples: e depois? Uma obra que precise ser feita novamente, está inacabada. O ídolo redentivo de Thanos não dá certeza de salvação eterna, assim como os rituais religiosos dos fariseus. Nossas obras e ações de esvaem por conta de nossa natureza temporária. O sepulcro caiado mencionado anteriormente ostenta uma presença que não condiz com seu conteúdo já dissolvido e tragado pela terra. A obra verdadeiramente perfeita só pode ser concluída por alguém de origem perfeita, incorruptível e eterna. O plano de Thanos faz sentido aos nossos olhos pois nosso desejo pela morte e destruição cravados em nossa carne pelo pecado, nos leva ao caminho mais rápido: matar.

Por meio de um homem, tivemos acesso à morte. E somente por meio de um homem perfeito podemos ter acesso à vida. Se a salvação estivesse ou dependesse de nossas mãos, não teríamos feito nada diferente do que Adão fez, a teríamos negociado, usado como moeda de troca por alguns momentos de prazer.

É por isso que a mão que sustenta a salvação, não cabe na Manopla do Infinito.

Texto escrito por: Prof. Vinícius Mello e Celso Amaral

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