As maravilhas da Ressurreição

No texto anterior falamos sobre o significado da páscoa e também sobre o sofrimento vicário de Cristo. Hoje, é o domingo de Páscoa. Mas, desde que Cristo ressuscitou, os domingos nunca mais foram os mesmos. Vamos discorrer sobre alguns acontecimentos e porque, a sua volta dos mortos em glória representa tanto para a fé cristã e consolida o evangelho como a verdade absoluta em meio ao caos do pecado.

O dia da ressurreição
Mt. 28; Mc. 16; Jo. 20

Hoje em dia, é bem comum a crença de que o domingo é o último dia da semana. Além do mais, chamamos de “fim de semana” tanto o sábado quanto o domingo, o que reitera essa visão. Porém, biblicamente, o domingo é o primeiro dia da semana. Cristo ressuscitar no primeiro dia, representa o início de um novo tempo para humanidade. O tempo da graça!

A visita ao sepulcro

As primeiras pessoas a avistarem o Jesus ressurreto foram Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e José e Salomé (Mt 28.1; Mc 16.1). Mateus dá alguns detalhes que os outros evangelistas não comentam sobre. Um dos mais significativos para nós, é o relato do anjo assentado sobre a pedra do túmulo:

“E eis que houvera um grande terremoto, porque um anjo do Senhor, descendo do céu, chegou, removendo a pedra da porta, e sentou-se sobre ela.
E o seu aspecto era como um relâmpago, e as suas vestes brancas como neve.”
Mateus 28:2,3

Somente Mateus descreve o terremoto e o aspecto do anjo. A causa do terremoto foi a descida do anjo. Essa descida para remover a pedra, nos revela o poder de Cristo sobre a morte. Entre os judeus, havia o credo de que a alma circulava ao redor do corpo por cerca de três dias, e que nesse intervalo, a possibilidade de volta. A pesada pedra no túmulo de Jesus, representava que ali jazia um corpo totalmente sem vida e sem expectativa de retorno. Ao remover a pedra e assentar-se sobre ela, o anjo já declarava o poder de Cristo sobre a morte. Ele havia retomado a sua posição à destra de Deus. Nenhum poder tinha condições de contê-Lo, o Filho de Deus estava novamente ocupando o seu lugar acima de toda a criação, em glória e poder!

O suborno dos guardas (Mt 28.11-15)

Como Mateus é o único a mencionar a presença dos guardas no sepulcro, cabe a ele também, relatar o que ocorreu com eles. Espantados de medo, os guardas fugiram do local e correram para relatar o ocorrido aos sacerdotes e foram subornados a não comentarem nada sobre o ocorrido com ninguém. Afinal, o testemunho de oficiais romanos tinham credibilidade acima da média. Então, para aqueles que contribuíram para a morte do Cordeiro de Deus, era melhor que os comentários sobre a ressurreição ficassem apenas no campo dos boatos e conversas de judeus de classes mais baixas.

A ida dos discípulos ao túmulo

As três mulheres receberam do anjo a ordem para irem aos discípulos e falarem sobre o ocorrido, e tomadas de alegria, quando voltavam-se para encontrá-los, acabaram se encontrando com o Mestre. Esse é mais um dos eventos que só Mateus descreve. Ele as saudou com as palavras eu vos saúdo. Em grego, está é uma única palavra, chairete, que literalmente significa “alegrem-se, fiquem contentes”. Jesus reforça as palavras do anjo com “não temais”. O termo usado aqui é phobeo, usado hoje em dia, como fobia, que denota “pânico, terror a ponto de fugir/correr”. Foi como se Ele tivesse dito: “Parem de ter medo!”. Então, ele repete a ordenança de chamarem os discípulos para a Galileia (região norte).

O evangelho de João, diz que Maria Madalena encontrou Simão Pedro e o próprio evangelista, que ao ouvirem o relato da pedra removida, correram em direção ao sepulcro juntos até dado momento, até que João deixou Pedro para trás. Ao ver os lençóis, João então se encontra diante da segunda evidência da ressurreição de Cristo, tomado de alegria e euforia, o discípulo fica parado na entrada. Já Pedro, seguindo sua natureza impulsiva, entra e vislumbra os lençóis e o lenço usado para envolver a cabeça de Jesus dobrado à parte.

A maravilha da ressurreição

Recentemente, ouvi uma história que dizia que o lenço dobrado encontrado no sepulcro trazia a mensagem de que Jesus voltaria. Pois, na cultura judaica havia o hábito de que ao terminar de comer, se o cliente deixa o guardanapo dobrado sobre a mesa, significa que ele voltaria. Apesar do apelo emocional que esse conto pode ter, não faz sentido no contexto da ressurreição, havendo uma razão bem simples para tal: durante a última ceia, nenhum evangelista relata nada sobre um guardanapo dobrado sobre a mesa após a refeição. Uma mensagem tão significativa e relevante como essa não teria passado desapercebido por nenhum dos participantes.
O lenço dobrado nos revela o poder de Cristo ao ressuscitar, pois significa que ao contrário de Lázaro, Ele não havia voltado em um corpo carnal. Mas em um corpo glorificado, de modo que, Ele atravessou o lenço, deixando-o dobrado. Ele não removeu os panos, Ele os atravessou!

Caso alguém houvesse entrado no túmulo para roubar o corpo, isso não seria possível em hipótese nenhuma, é algo que ultrapassa toda e qualquer compreensão humana, tornando impossível que esse acontecimento pudesse ter sido forjado. Principalmente, se levarmos em consideração a simplicidade daqueles que seguiam a Jesus. Se hoje, algo desse tipo, é impossível, quem dirá no primeiro século?

A importância da ressurreição

O primeiro ponto a ser considerado do por quê a ressurreição é tão relevante para o cristão, é que por meio dela temos a revelação do poder de Deus. Acreditar na ressurreição é acreditar em Deus. Se Deus realmente existe, e se Ele criou o universo e tem poder sobre o mesmo, então Ele tem poder de ressuscitar os mortos. Se Ele não tem tal poder, Ele não é um Deus digno de nossa fé e louvor. Apenas Aquele que criou a vida pode ressuscitá-la depois da morte; só Ele pode reverter o horror que a morte é, e só Ele pode remover o aguilhão que é a morte e a vitória que pertence ao túmulo. Ao ressuscitar Cristo dos mortos, Deus nos faz lembrar de Sua absoluta soberania sobre a morte e vida.
Segundo, a ressurreição de Jesus é um testemunho da ressurreição do homem, que é uma doutrina básica da fé Cristã. Ao contrário de outras religiões, o Cristianismo possui um fundador que transcende a morte e promete que os Seus seguidores farão o mesmo. Todas as outras (falsas) religiões foram fundadas por homens e profetas cujo fim foi o túmulo. Como Cristãos, podemos nos confortar com o fato de que Deus Se tornou homem, morreu pelos nossos pecados, foi morto e ressuscitou no terceiro dia. O túmulo não podia segurá-lO. Ele vive hoje e se senta à direita do Pai no Céu. A igreja viva tem um Cabeça vivo!
O apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 15 defende a doutrina da ressurreição como extremamente necessária para a igreja. Ele lista algumas consequências desastrosas caso a ressurreição não tivesse ocorrido, são elas:

  • Pregar sobre Jesus e a fé em si, seria em vão (v.14)
    “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé;”
  • Todas as testemunhas do fato seriam mentirosas (v.15)
    “e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus, que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam.”
  • Ninguém poderia ser redimido do pecado (v.17)
    “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.”
  • Todos os cristãos que dormiam teriam se perdido (v.18)
    E também os que dormiram em Cristo estão perdidos.”
  • Cristãos seriam os mais infelizes dos homens (v.19)
    “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.”
  • Mas Cristo realmente ressuscitou dos mortos e é “as primícias dos que dormem” (v.20), assegurando-nos de que vamos segui-lO na ressurreição.
    “Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem.”

Geralmente, fala-se mais da morte de Cristo do que de sua ressurreição, o que por consequência, nos torna ansiosos, pois temos o panorama apenas dessa vida. A ressurreição do Filho de Deus, nos garante algo muito mais sublime e poderoso do que gostaríamos. Pedimos o perdão pelos nossos pecados, e Ele nos deu vida. Há um ditado que diz que a única certeza nessa vida é a morte. Mas, para o cristão, esse ditado é diferente. Quem confia no poder da ressurreição de Cristo, o escuta dessa forma:
“Se a morte é uma certeza, então maior certeza temos de que ela foi derrotada pelo autor da vida!”

“Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem.
Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.”
1 Coríntios 15:21,22

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *