Elisabeth Elliot – Um coração submisso a Deus

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Elisabeth Elliot – 1926 – 2015

Acredito que biografias missionárias sejam obras que sempre devem estar ao alcance de nossas mãos para nos edificar, confortar e animar, diante das intempéries da vida. Tenho um espaço especial dedicado a elas em minha biblioteca. Mas existe uma que sempre está em minha mente, e lembro-me de ter ouvido pela primeira vez em um acampamento de jovens. Era a história de Jim Elliot e seus amigos, martirizados no Equador pela tribo Auca (atualmente conhecidos como Waorani), e seus corpos, lançados no rio Curaray. Nunca mais fui o mesmo. E a vontade soberana de Deus, mesmo enxergando uma “derrota” para o movimento missionário até então, nunca esteve tão clara e vitoriosa em minha vista, como esteve naquele dia.

Mas, em vista de estarmos estudando mulheres importantes para a igreja, devo aqui destacar alguns pontos acerca de Elisabeth Elliot, esposa de Jim. Nascida em 21 de dezembro de 1926, viveu dois anos como missionária entre os membros da tribo que assassinou seu marido.

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Elisabeth e seu marido, Jim Elliot

Quando questionada sobre o porquê desejava ser missionária, sua afirmação era que o Senhor havia deixado claro que deveria ir para o campo missionário, e portanto, era para lá que deveria ir. Sua oração era: “Senhor, se houver qualquer coisa que eu faça quanto aos Aucas, terás de me mostrar. Eu não sei como, quando ou onde isso poderia acontecer, mas estou a Teu dispor”. E todos eles tinham conhecimento daquela tribo. Seu estilo de vida era fortemente ligado ao uso de lanças sem um toque sequer de misericórdia. Porém isto não mudou o coração daqueles cinco missionários e sua certeza de que o Senhor os havia preparado para aquele momento.

O último contato que Elisabeth e as outras esposas tiveram apenas dizia: “Orem garotas. Orem”. Naquele dia, Elisabeth perdeu seu marido, mas, foi neste dia que Deus ainda assim fez tudo de acordo com seu plano soberano. Deus agiu de acordo com Sua providência, por mais que a dor tomasse conta de seu coração. Então, em um ato de confiança nAquele que havia os conduzido até ali, ela se propôs a continuar o trabalho que seu marido havia começado. Então, ela orou.

Algum tempo após a morte de seu marido, Elisabeth e Rachel Saint (irmã de Nate Saint, um dos missionários assassinados), viram a providência de Deus mais uma vez se mostrar de forma soberana, abrindo uma possibilidade miraculosa de entrarem naquela tão temida tribo, e por amor àquelas vidas, serviram e amaram aqueles que, aos olhos humanos, eram dignos de ódio por serem os assassinos de seus maridos.

Os cinco jovens missionários não conseguiram entrar naquela tribo, mas o Senhor abriu um caminho para aquelas duas mulheres. A providência divina, como compôs sabiamente William Cowper, algumas vezes se mostra em uma nuvem escura, porém não por isso, devemos julgar Deus com “débil entendimento”, pois, por trás de todas suas ações, Ele esconde uma face sorridente.

Ela confiou em Deus, e disse:

“Nossa visão é tão limitada que temos dificuldade em imaginar um amor que não se mostre em proteção do sofrimento. O amor de Deus é de uma natureza totalmente diferente. Ele não odeia a tragédia. Ele nunca nega a realidade. Ele se coloca bem no meio do sofrimento.”

Deus poderia nos livrar de diversas situações que enfrentamos no dia-a-dia, assim como poderia ter impedido aqueles missionários de várias maneiras. Mas ele não o fez. Poderíamos dizer, ao olhar os corpos daqueles missionários, que segundo alguns jornais da época, “jogaram a vida fora”, não estavam cumprindo a vontade que Deus tinha para eles? Elisabeth seria tola ao tentar entrar naquele lugar seguindo os passos de seu marido? Não. Aquela era a vontade de Deus para sua vida. E o próprio Jim sabia disso, quando escreve em seu diário: “Não é tolo aquele que dá o que não pode manter para ganhar aquilo que não pode perder”.

Sua recompensa estava em ver naquelas vidas um tesouro tão precioso, que nada poderia comprar, e, ainda, receber junto daqueles homens, um tesouro que ninguém poderia tomar. Ela entendeu que não poderia segurar sua própria vida, e seu testemunho correu os Estados Unidos e todo o mundo. Ela se tornou escritora e palestrante amplamente requisitada, percorrendo o país e outros compartilhando seu relacionamento com o Deus que sempre cuidou de sua vida.

Quando olhamos para a vida de Elisabeth, vemos a confiança de que Deus teve compaixão para com ela por que Ele é rico em misericórdia. Seu marido queria levar o Evangelho para os índios, mas, e se ele não tivesse morrido? Teria a tribo se convertido? A resposta a essa pergunta, particularmente, me faz descansar sob os cuidados de Deus, assim como aquelas mulheres viram a benignidade do Senhor ao longo dos anos que se seguiram.

Ao fim da vida, ela disse em uma entrevista:

“Quanto mais velha eu fico, mais totalmente convencida sou de que Deus sabe o que está fazendo; Ele nos ama com um amor eterno. E Ele quer que confiemos nele.”

Elisabeth Elliot faleceu aos 88 anos, no dia 15 de junho de 2015, deixando um legado de confiança em Deus, mesmo quando a vida nos golpeia, mesmo quando o sentido da própria jornada cristã parece não ter lógica. Sua vida contraria o cristianismo confortável que nos rodeia e nos faz confiar nos propósitos eternos dAquele que nos chamou. Diante disso, só podemos seguir a oração de Paulo aos Colossenses: – Que Deus nos faça cheios do conhecimento de Sua vontade, em sabedoria e entendimento espiritual (Cl. 1.9).

Por: Vinicius Mello

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