O sermão do Monte: Parte 3 – A ética do cristão

Como ser Sal da terra e Luz do mundo de forma prática? Como aplicar esses conceitos em nosso dia-a-dia? É o que abordaremos nesse texto. Veremos como todo o processo deve culminar numa compreensão prática da Palavra que agora que devemos transmitir.

Cristo e a sua relação com a Lei (Mt 5.17)

Esse é um versículo que gera debates acalorados em várias congregações, alguns o interpretam de forma de tão literal, que chegam a dizer que os cristãos devem seguir a lei mosaica para poder alcançar a vida eterna e outros, na tentativa de serem “descolados” simplesmente apagam-no de suas bíblias para nem sequer ouvirem falar de nada que remeta a uma obrigação ou compromisso de obediência. Esse extremismo é um problema grave, por conta de essas interpretações serem passadas para frente, e o ensino errado tem consequências muito graves a longo prazo.
Quando Jesus diz que não veio para desfazer a lei, mas sim cumprí-la isso se dá pelo fato de Ele não ter pecado (Hb 4.15; Tg 2.10). A lei do Antigo Testamento tratava apenas de questões exteriores, por isso nos versículos seguintes, Jesus nos apresenta como a origem do pecado está relacionado interiormente no homem, nos mostrando que para superá-los, é necessário uma transformação total do crente. Nenhuma ação pode ser tomada nesse sentido sem a ajuda do Espírito Santo (Rm 8.1-13).

Sobre a Ira e o homicídio (v.21-26)

“Não matarás” é uma composição dos 10 mandamentos (Ex 20.13) – uma das mais famosas, inclusive. Jesus vai mais fundo na abordagem dessa lei, deixando claro que a ira sem motivo é a causa de palavras maldosas que podem chegar ao homicídio. Ou seja, precisamos tomar cuidado com o que é regado em nosso coração. O julgamento se refere à corte local (tribunal dos homens) e ao Sinédrio (responsável pela aplicação da lei divina). Não devemos esperar que nosso irmão ou irmã, contaminado pela ira dê o primeiro passo; nós devemos fazê-lo para que a situação não piore. Mas lembre-se de forma nenhuma devemos tomar tal atitude visando nos sentir superiores, nos tópicos seguintes, veremos que a interpretação egoísta da lei de Deus resulta em hipocrisia e morte espiritual para todos os lados.

Sobre o adultério (v.27-30)

Jesus nos apresenta como nossa natureza pecaminosa é bem mais sutil do que costumamos acreditar. Eventualmente, podemos acreditar que cobiçar alguém por conta do desejo sexual não tenha nenhuma consequência mais grave, porém, o nosso senhor nos mostra que não é bem assim. Lembro de ver no facebook e no twitter uma discussão sobre se beijo configurava uma traição propriamente dita, com várias pessoas argumentando que era e também que não. Como seguidores de Cristo não seguimos o nosso próprio senso moral, mas sim aquilo que entendemos como sendo a Palavra de Deus. Jesus expõe aqui, a necessidade de termos pensamentos tão puros quanto nossas ações. Usando uma linguagem forte para exemplificar o estrago que esse pecado causar, podemos ter uma noção real do impacto que isso tem em nossas vidas, tanto aqui, como na eternidade. Nesse texto falamos um pouco sobre a influência de pensamentos sexuais pecaminosos na vida do cristão.

Sobre o divórcio (v. 31,32)

O texto da carta de divórcio mencionada aqui, era basicamente, o seguinte: “Fulana, você está livre para casar-se com qualquer homem”. Uma prática muito comum aos contemporâneos de Cristo era a do casamento por conveniência. As uniões eram feitas com base em interesses das famílias, principalmente econômicos. Então, quando a união deixavam de ser vantajosa, os maridos davam a carta para encerrar o matrimônio e romper totalmente com seus vínculos. No capítulo 19. 3-12 temos um diálogo mais amplo sobre a questão:

E aconteceu que, concluindo Jesus estes discursos, saiu da Galiléia, e dirigiu- se aos confins da Judéia, além do Jordão; E seguiram-no grandes multidões, e curou-as ali.
Então chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o, e dizendo-lhe: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?
Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?
Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim. Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.
Mateus 19:1-9

Jesus revela o po