O sermão do monte: Parte 2 – Sal da Terra e Luz do Mundo

Esse texto é um complemento deste aqui, onde tratamos inicialmente sobre as bem-aventuranças, e daremos continuidade ao restante do Sermão da Montanha.
É importante para compreensão total da mensagem que Cristo quer passar lermos a mensagem como um único texto. Começando no capítulo 5 e indo até o versículo 28 do capítulo 7 do evangelho de Mateus. Vamos ao texto.

“Bem-aventurados os perseguidos da justiça, porque deles é o reino de Deus.”
Mt 5.10

Aqui o texto faz menção aos perseguidos por causa da justiça. Algumas pessoas sofrem “perseguições” por causa de sua própria ignorância. Quem usa essa bem-aventurança para se justificar quando corrigido por agir ou falar algo errado ou insensato, está pecando por distorcer o que o texto bíblico diz, pois no verso seguinte, fica claro em quais situações isso se aplica.

“Bem-aventurados sois vós quando, por minha causa vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus. pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vós.
v.11

Mesmo citando o exemplo dos profetas, Cristo é o exemplo supremo de perseguição por conta do Reino de Deus. Alguns consideram as bem-aventuranças até mesmo como uma biografia do Próprio. William Fitch faz um excelente resumo das bem-aventuranças:

“Elas se dividem naturalmente em quatro partes separadas. As três primeiras mostram um homem se convertendo dos seus pecados a Deus, e a quarta nos mostra Deus se voltando para o pecado e revestindo-o com a justiça de Cristo. As três seguintes… nos mostram o filho recém-nascido de Deus operando as obras de justiça entre os homens; e a beatitude final mostra como os homens…
Há primeiro, três graças na alma contrita, seguidas pela resposta de Deus em misericórdia, em justiça e em paz. Então seguem-se três graças de uma alma comissionada, seguidas pela resposta do mundo em perseguição e reprovação.”

Há consequências para os bem-aventurados. As promessas em relação a cada uma delas, são futuras, o cristão genuíno deve sempre se atentar a qual tempo as promessas de Cristo se referem, essas em especial estão no futuro. Ou seja, se conseguimos expressar ou não a natureza de Cristo aqui, define em 100% o que receberemos dEle no futuro. Mas como fazer isso?

Sal da terra e Luz do mundo

Jesus usa dois exemplos bem comuns na vida dos ouvintes para ilustrar como é a influência dos cristãos em uma sociedade não cristã.

Sal (Mt. 5.13)
Podemos dizer que o sal é uma referência dupla, pois além de ser tempero, também era usado como conservante. Vários alimentos somente por si não tinham um sabor agradável ao paladar, então necessitavam do sal para que estes fogem ingeridos de forma prazerosa. Um exemplo bem atual disso, são o chocolate a Coca-Cola, ambos possuem altas doses de sódio em sua formulação, para que não sejam enjoativos e sejam consumidos de forma constante pelo público. A sociedade e a cultura humana por elas mesmas não possuem sabor, sendo amargas pelo pecado e pela corrupção do ser humano. O discípulo de Cristo exerce um papel fundamental na sociedade por apresentar à esta algo muito maior do que simplesmente existir e ser levado pelos próprios desejos, sendo que estes podem ser manipulados e direcionados por satanás. A segunda função atribuída ao sal no decorrer dos tempos, é justamente a de conservar os alimentos. Ao ir à praia e engolir um pouco de água do mar sentiu sentiu sede? Isso acontece porque o sal presente na água desidrata o organismo ao invés de hidratá-lo, e é exatamente assim que age nos alimentos. Ao provocar a desidratação, o sal impede a proliferação de micro-organismos como bactérias, fungos etc. Na sociedade, a igreja deve atuar como o sal, “desidratando” para que o pecado prolifere o mínimo possível. Se o pecado à nossa volta se multiplica de forma avassaladora, é um sinal claro de que deixamos de fazer a diferença e só nos resta sermos pisados e lançados fora.

Luz (vs.14-16)

A luz é um símbolo universal de tudo o que é benéfico para as pessoas – notou que, recentemente as pessoas têm desejado luz umas para as outras, distorcendo o sentido que Cristo nos apresenta? – Jesus é a luz do mundo (Jo 8.12) então aqueles que o seguem, devem refletir a luz original provinda de Cristo. Do mesmo modo que a lua apenas reflete a luz que recebe do sol por não ter luz própria, assim é o discípulo de Cristo. “Mundo” aqui, não significa céus e terra, mas sim, aqueles que estão no mundo e o mundo. A “cidade edificada sobre o monte” aqui, é uma referência a Sião, e profecia de resplandecência em meio às trevas (Is 60.1-3), encontramos referência semelhante quando o salmista diz: “Elevo os meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro?” (Sl.121.1). Por mais que não gostemos da ideia, o discípulo não goste, ele se encontra em constante evidência, pois é o referencial da mensagem de salvação em um mundo caído. Por isso, não consegue manter o anonimato, pois a luz que resplandece sobre ele – evangelho – está além do seu controle.
Ao iniciarem o processo de conversão, suas obras passam a testificar sua nova natureza. Se agirmos de forma coerente àquilo que professamos, então glorificamos a Deus. Louvá-Lo com nossas vidas é mais importante que fazê-lo com nossos lábios somente.

É de suma importância que entendamos essas palavras, pois como disse o amigo e também escritor do blog, Vinícius Mello: “O sermão do monte é a ética do cristão”. Não se tratam apenas de palavras bonitas são características daquilo que professamos e se não temos tais características, no que cremos e a quem temos imitado? Temos conservado saudável ou contribuído para a proliferação do pecado? Temos resplandecido a luz ou de Cristo ou permanecemos nas trevas?

O próximo texto da série, seguirá a ordem e tratará justamente de como as características acima refletem diretamente no modo como encaramos e qual é a definição de justiça de quem serve a Jesus Cristo.

Deus abençoe!

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