O Deus que se revela

Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.

“Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite.
Sem linguagem, sem fala, ouvem-se as suas vozes em toda a extensão da terra, e as suas palavras, até ao fim do mundo. Neles pôs uma tenda para o sol, que é qual noivo que sai do seu tálamo e se alegra como um herói a correr o seu caminho.
A lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices.”
Salmos 19.1-5; 7

Introdução

Como cristãos, aceitamos a verdade da existência de Deus, não com uma fé cega, mas com uma fé alicerçada nas Sagradas Escrituras, na natureza e em Sua revelação pessoal (Rm 1.19).

A criação testemunha a existência de Deus.

O primeiro versículo da Palavra de Deus, já nos apresenta o Criador, e estabelece uma das doutrinas fundamentais da Teologia, o início de todo o conhecimento e de toda a matéria. A afirmação “no princípio criou Deus, o céu e a terra” contraria; os ateístas, que dizem que Deus não existe; os agnósticos que dizem que podemos conhecer Deus; os politeístas, que adoram a muitos deuses; os materialistas, que declaram que a matéria é eterna, e não criada; e os fatalistas, que ensinam que não um plano divino por trás da criação e da história. A personalidade de Deus se mostra no decorrer desse capítulo, pois Ele fala, interage, vê, nomeia e abençoa.

Deus é autoexistente.

Tudo o que sabemos a respeito do Senhor, é aquilo O próprio revelou em sua palavra sobre Si mesmo. Nada passa por fora de Deus. Uma vez que, para que algo esteja fora d’Ele, precisaria que Ele fosse limitado, houvesse uma limitação para o braço do Senhor. O tempo há n’Ele e e depende d’Ele, passando a ser contado para a criação, não para o Criador. Nosso Deus não se sujeita ao tempo por ser o Criador deste.
O profeta Isaías repete com frequência que Ele é O primeiro, e O último (Is 41.4; 48.12). As gerações (sequências de tempo) foram chamadas e marcadas por Ele, e por Ele ser o Senhor sobre tudo isso, a palavra d’Ele é firme e sem sombra de variação.

Deus criou tudo sem ser criado.

Duas perguntas, podem ser respondidas em Deus, “Quem fez todas as coisas?”e “Quem é anterior e maior que todas as coisas?”, ao mesmo tempo que essas perguntas podem soar ousadas, da mesma forma, a Bíblia é categórica em sua resposta: Deus.
Sobre a criação, existem muitas teses, inclusive a discussão mais comum, é sobre se os dias da criação são figurados, ou literais. Qualquer que seja a linha de pensamento a respeito adotada pelo cristão, ela de forma nenhuma diminui a autoridade do Criador, e ambos os teóricos, afirmam com toda a certeza, que Deus é o autor. Isso é indiscutível.

Deus é Espírito.

O fato de Deus ser um espírito, portanto, invisível, é usado com muita frequência por aqueles que duvidam de sua existência. Porém, mesmo sendo um espírito que não pode ser tocado, nem visto, é real e nada pode mudar tal realidade. Sua invisibilidade e intangibilidade o colocam acima de toda a matéria, pois significa que Ele não possui as mesmas limitações, e nem mesmo está sob as mesmas leis (At 17.24,25).

Deus é bom.

O catecismo de Westminster, diz o seguinte: “Um ser eterno, não causado, independente, necessário, que tem poder ativo, vida, sabedoria, bondade, e qualquer outra excelência na mais elevada perfeição em si e de si mesma”. Deus é a perfeição de qualquer excelência. Quando falamos de bondade, Ele é a perfeição dessa bondade. Sem variação, sem oscilação, sem erros, nem barganhas.

Deus é fiel.

A fidelidade de Deus é um de seus atributos morais, e como tal, não sofre variação, como escrito em Romanos, não são nossas ações que mudam o agir de Deus ou sua natureza. Ele em Si mesmo, não é afetado por nossas ações, pelo contrário, nosso relacionamento com Ele, é afetado apenas do nosso lado. O dEle, permanece estável (Rm.3.3,4; 8.37-39).

O amor de Deus.

O amor de Deus, está em uma proporção, e em quantidade que não podemos acompanhar. Seu amor sempre O moverá a tomar as decisões para sua criação, como quando enviou seu filho Jesus (Jo 3.16). O melhor para a criação, é que se ela se curve, e o glorifique, para que estando próxima a Ele, ela seja preservada e cumpra o seu papel (Is43.7).

Um amor que se doa.

Deus sendo o próprio amor, não ama de forma passiva, e muito menos reativa, ele ama de ativa e intensa. Podemos dizer que em nossa natureza carnal, nos doamos em conta-gotas uns para com os outros, ao passo que Deus se doou em Cristo Jesus, na intensidade da pressão de uma mangueira de bombeiros ao apagar um incêndio. O Espírito Santo é quem nos leva a amar na mesma intensidade.

Um amor que corrige.

O amor de Deus mesmo sendo intenso constante e sem variação e/ou mutação não é um amor permissivo, caso contrário não seria amor, seria negligência. E ambas essas coisas, são opostas uma à outra. Santidade, amor, justiça e fidelidade, são atributos de Deus, que possuem a proporção. Deus não deixa de amar por exigir santidade de sua criação, do mesmo modo, que não ama mais àqueles que lhe são fieis – estes podem viver experiências mais distintas, mas não mais amados por conta disso.

Conclusão.

Embora a Bíblia não faça questão de provar a existência de Deus, não há como negar que Ele exista. Quando olhamos para tudo o que está à nossa volta, inclusive, nós mesmos, temos a certeza de que Deus é real, não um mito (Sl 19.1-4).
Nossa tarefa como cristãos, é justamente conhecê-Lo e buscar n’Ele a maturidade necessário para sermos capazes de vislumbrarmos sua assinatura em toda a criação.

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