O sermão do monte: As Bem-Aventuranças – Parte 1

Introdução

Esse trecho do sermão do monte é bem conhecido de muitas pessoas, mas uma coisa que muitas vezes desapercebido é a sequência do discurso. O fato de as bíblias possuírem a divisão de capítulos e versículos facilita e muito a localização de um texto, porém, precisamos nos atentar sempre ao fato de que originalmente ela não tinha esse formato, então, quando analisamos um texto precisamos analisá-lo em sua totalidade. O sermão

do monte, por exemplo começa no capítulo 5 e vai até o 7. Devemos ler esse discurso como uma coisa só, para que possamos chegar ao que o Mestre queria dizer e assim, aprendermos corretamente e absorver esse ensinamento para uma vida plena. Essa será uma série de textos sobre o assunto visando esclarecer eventuais dúvidas que tenham sobre o assunto e tratar do significado real dessas palavras. Dito isso, vamos em frente!

Contexto histórico

O cenário era de uma Judeia dominada pelos romanos, os altos impostos cobrados pelo Imperador e os constantes abusos dos soldados romanos, faziam com que os judeus contemporâneos de Jesus, desenvolvessem uma mágoa para com esses em vários sentidos. Basicamente, a única liberdade que os judeus tinham era a de culto – prática comum no império para manter as regiões dominadas controladas, por assim dizer.
Quando olhamos para esse pano de fundo, podemos entender o motivo de facções rebeldes terem se levantado contra os romanos, algumas de formas violentas, até. No sermão do monte os judeus foram apresentados a um reino totalmente diferente daquele que conheciam: O Reino de Deus

As Bem-Aventuranças

Quando Jesus inicia o sermão, é mencionado que ele assenta-se, e que em seguida os discípulos se aproximam. Atualmente, seguimos o costume greco-romano de ministrar em pé, coisa que os mestres judeus não praticavam, o hábito comum era justamente ensinar sentados. As Bem-Aventuranças, são uma relação que envolve o processo de salvação, conversão e santificação do seguidor de Cristo, vamos à elas:

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.”
v.3

Ser pobre ou humilde – como em algumas versões – de espírito, é reconhecer sua pobreza espiritual. Somos totalmente carentes da graça e dependentes da misericórdia de Deus. O pecado tirou do ser-humano tudo aquilo que ele tinha, que é considerado de valor foi tirado, que era a comunhão perfeita com o Criador (Rm 7.24). Somos lançados na sarjeta espiritual, como mendigos, estamos desprezados e abandonados. Podemos dizer que pobreza de espírito é o destronamento do orgulho. Um espírito altivo e orgulhoso, não pertence ao Reino de Deus, só faz parte dele, aqueles capazes de enxergar a própria miséria. (Lc 18.23-25).

“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.”
v.4

Quando identificamos nossa pobreza espiritual e nosso estado diante do Senhor, choramos. Quando confrontamos a santidade de Deus e olhamos para o nosso coração, vemos a total desgraça na qual nos encontramos e choramos. Esse choro não é como o nosso choro de tristeza ou remorso, é diferente porque nos leva ao arrependimento e à conversão, e segue durante toda a vida do cristão que tenha a consciência do quanto carece da semelhança com Cristo. A promessa para os que se entristecem é o consolo. Mas não um consolo no sentido comum da palavra. Esse consolo se encontra primeiro no perdão dos pecados, onde por meio da obra vicária do Cristo ressurreto, a graça superabunda onde antes abundou o pecado (Rm 5.20). Uma vez em Cristo, somos consolados novamente, mas agora na comunhão com os irmãos (Hb 10.23-25).

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.”
v.5

Esse trecho muitas vezes é compreendido e ensinado da forma errada. O termo “mansos” muitas vezes, é entendido como uma humildade modesta, negativa e quase falsa. A mansidão dos que herdarão a terra, é um coração obediente ao Senhor. Um coração entregue, submisso, disposto a aceitar o quer que seja oferecido pelo Senhor. Isso não é, de forma nenhuma, algo negativo, mas sim positivo. Pois expressa nossa disposição em obedecer a vontade de Deus, diariamente. Constantemente, vemos disputas de força entre nações, que acreditam ter o direito de subjugar outras, porém, em Cristo sabemos que realmente reinará sobre a terra, são aqueles que aceitam a sua vontade.

“Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque estes serão fartos.”
v.6

Agora nascido de novo, o cristão tem como necessidade a justiça de Deus sobre as ações humanas. Ele não busca de acordo com o senso de justiça própria, mas sim de acordo com a do Eterno. Não se trata de algo pessoal, mas para glória do Senhor. O termo usado em grego é chortazos, que é “relva/pasto”, podemos entender assim que, do mesmo modo que as ovelhas se fartam de um pasto verdejante, assim também será com aqueles que esperam no Senhor pela sua providência.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.”
v.7

Todos aqueles que receberam misericórdia do Senhor, agem com misericórdia para com os seus semelhantes. Misericórdia é muito confundida com a graça, mas há diferença entre ambas. Graça é o favor que recebemos sem merecer e misericórdia é justamente não recebermos aquilo que merecemos, que é o castigo integral pelos nossos pecados. O fato de a humanidade não ter sido consumida até o momento, por seus pecados é justamente porque Deus constantemente está exercendo misericórdia (Lm 3.22) sobre ela. Entendo essa ação de Deus, assumimos o mesmo compromisso que Ele, afinal, somos seus embaixadores (2 Co 5.20).

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.”
v.8

Sobre tal Bem-aventurança, Whedon diz: “Aqui está um traço de caráter que só o Espírito pode produzir. Isso é, a santificação.” Um coração puro é um coração limpo pela obra santificadora do Espírito Santo (Hb 12.14). A soma de tudo apresentado anteriormente se encontra aqui. A cultura humana é totalmente incapaz de purificar alguém, pois uma vez que é composta por seres humanos, é igualmente corrompida, inútil e totalmente ineficaz, nesse sentido. Somente uma intervenção do Deus Santo, Gracioso e Misericordioso podem proporcionar uma real limpeza no coração do homem natural, tornando-o espiritual, de fato.

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.”
v.9

Aqui, se encontra um desafio. Os pacificadores serão chamados filhos de Deus, justamente porque agem como Ele. Os provocadores não fazem parte do rebanho do Senhor. Cristo o filho do Deus Vivo, encarnado e totalmente perfeito age em obediência ao Pai, obedecendo pacificamente de forma mansa.

Identificamos nossa pobreza, choramos por isso, nos entregamos à vontade de Deus entregando aos outros aquilo que recebemos demonstrando a pureza de coração promovido pelo Espírito e então, verdadeiramente, agimos como filhos de Deus. É um processo. Não se trata de algo instantâneo, fácil e rápido. Seguir a Cristo é uma caminhada e não um pulo. Agora que aprendemos nossos passos em direção ao Reino, na sequência, vamos analisar, nossa responsabilidade para com eles.

Deus abençoe e quaisquer dúvidas, contem conosco.

Sigam nosso perfil no Instagram: @cristao.racional; nossa página no Facebook: @CristaoRacionalBlog. Estamos sempre por lá!

2 comentários em “O sermão do monte: As Bem-Aventuranças – Parte 1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *