A liquidez da cultura e a solidez do evangelho

É bem provável que vejam a expressão ‘”líquidos” nos meus textos aqui no blog daqui em diante. Ouvi a expressão no sentido que utilizo aqui pela primeira vez um episódio de Pokémon. No episódio em questão, Misty que é uma treinadora de Pokémon de água diz que prefere esse tipo, justamente por que a água em seu estado líquido tem a capacidade de se adaptar a qualquer recipiente e por algum motivo, a referência desse episódio

ficou em minha mente. Os anos se passaram e por meio de uma conversa com uma amiga que é psicóloga, fui apresentado por ela ao sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, que usa a expressão para descrever o que ele chama de relacionamentos líquidos e em seu livro A Cultura no Mundo Líquido Moderno, expõe como a cultura tem mudado e influenciado nosso modo de viver que atualmente é pautado numa cultura de consumo, onde os comportamentos são influenciados justamente por aquilo que julgamos ser uma necessidade. Nesse texto quero tratar um pouco dessa relação entre a cultura na qual estamos inseridos e o evangelho que vivemos.

O que é cultura?

Podemos entender como cultura, todo o complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro.
O conceito é melhor visualizado quando pensamos no que vem à nossa mente quando pensamos em um determinado país. Por exemplo: Japão. Quando penso na terra do sol nascente, a primeira coisa que me vem à cabeça são os samurais com suas katanas, wakizashis, animes e mangás. A cultura é justamente o todo que cerca que essa informação característica de um povo. As técnicas de confecção e aperfeiçoamento, as crenças por trás de tais feitos e obras, as motivações, etc.

O que é evangelho?

Em resumo, Boas-Novas. Mas imagino que você sendo cristão já deva saber ou ter ouvido essa informação na Escola Dominical, Discipulado ou, caso tenha tido a oportunidade, estudado em um curso de Teologia, ainda que básica.
Mas vamos contextualizar essa expressão. Antes de invadir uma determinada região, o imperador romano enviava um emissário para anunciar a sua mensagem – as boas novas do imperador – a fim de trazer aqueles para o seu lado de uma forma política e “pacífica”. Jesus dá um novo significado à expressão, pois Ele não apenas entrega a mensagem, Ele é, a mensagem.

A Cultura líquida

A cultura de consumo na qual estamos inseridos pode ser notada em todo o nosso redor. Já ouviu o termo obsolência-programada? Se trata da seguinte ideia: o produto já sai de fábrica com prazo de validade. Quando compramos um celular, é bem provável que em 2 anos o mesmo já tenha sido completamente superado. Tomamos isso como natural em nosso dia-a-dia, a concepção de que as coisas simplesmente não duram.
Quando olhamos para o meio social e cultural, observamos que, as definições morais mudam tão rápido que não conseguem se estabelecer nem criar raízes, com a mesma velocidade que surgem e causam impactos significativos, se dissolvem. Essa é uma cultura líquida. Vamos imaginar a seguinte ilustração: imagine um copo com líquido até a metade. Quando giramos esse copo, o líquido acompanha o movimento e muda de forma e ritmo. O copo é o mundo, o cosmos; o líquido é a cultura. Conforme o mundo causa movimentos, a cultura humana o acompanha, mudando tanto sua forma quanto ritmo.

A rocha

O evangelho é como uma rocha. Em Mateus 16.18, Jesus faz uma afirmativa poderosa a respeito de si mesmo. Nos versos anteriores, há o questionamento sobre quem Ele era. Cristo então, pergunta ao seus discípulos quem estes diziam ser Ele. Ao passo que Pedro responde: “Tu és o Cristo (Messias), o filho do Deus vivo.” E Jesus o felicita dizendo que isto havia sido revelado não de si mesmo, mas do Pai que está nos céus e completa dizendo que sobre esta pedra, edificaria sua igreja. Ao contrário do que dizem, a pedra em questão não é a pessoa de Pedro, mas a afirmação do apóstolo. A igreja de Cristo está edificada sobre esta rocha: Jesus é o Cristo, o filho do Deus vivo.
Usando a mesma ilustração do tópico anterior, vamos observar o seguinte: Ao colocarmos uma pedra em um copo e começarmos a girar, será possível notar que a pedra assume um movimento descompassado, fora de ritmo, além de, não ter sua forma alterada pelo movimento circular. O copo é o mundo/cosmos, e a pedra, é o evangelho.

O cristão entre a cultura e o evangelho

Acredito que esse seja um daqueles casos da expressão entre a cruz e a espada. Ao contrário do que vivenciamos e vemos todos os dias, como cristãos, devemos assumir a responsabilidade de nos manter fieis à Palavra e a Cristo Jesus. Em tempos de relativismo tanto moral quanto teológico, se manter fiel à solidez do Evangelho é uma dificuldade real em nossas vidas. Precisamos nos atentar e vigiar para não sermos levados por filosofias transitórias e vãs quando comparadas com a mensagem eterna que recebemos do Filho de Deus.
Somos novas criaturas agora regeneradas pelo Espírito Santo e em processo de santificação. E tal processo se dá pela compreensão de nossa necessidade de sermos como nosso Criador nos fez inicialmente.
Oremos para que o Senhor nos desperte para analisarmos tudo o que vemos e ouvimos em nossos dias à luz do Evangelho, para que de forma nenhuma sejamos enganados e venhamos a apostatar da fé.

2 comentários em “A liquidez da cultura e a solidez do evangelho

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