A importância da Bíblia como única regra de fé

“Toda escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” 2 Tm 3.16

Introdução

A Bíblia é a palavra de Deus, e como Ele não erra, não muda e nem tem sombra de variação, assim também é a sua Palavra. A verdade faz diferença, por essa razão, a doutrina da inerência bíblica é vital para todos.

A importância da Bíblia

Tudo aquilo que sabemos a respeito do Criador, está documento na Bíblia, ela é a revelação que o próprio Deus faz de Si mesmo. É nela e por meio dela que conhecemos os atributos, e personalidade de Deus. Não existe outra fonte da qual possamos desfrutar de tal verdade.

1.1.       O Livro que tem transformado o mundo

A presença da Bíblia na história da humanidade é inegável. No momento em que Deus escolhe para Si um povo, e toma esse povo como nação, Ele inicia um processo de se revelar aos seus escolhidos, por meio dos seus decretos dados aos seu profetas e servos ( Lv. 26.46; 27.34; Nm 36.13; Dt. 1.1,3-5; 4.44,45) em diferentes períodos da história da humanidade. Inicialmente, sendo transmitida de forma oral e depois escrita. Os primeiros registros escritos das Escrituras são as tábuas da lei, escritos pelo próprio Deus (Ex 24.12), em seguida vieram as inscrições públicas, (Dt 27.2,3,8) que eram utilizadas para o ensino da lei nas habitações dos israelitas. Acompanhando os avanços nas técnicas de confecção de documentos, a Palavra de Deus também fora escrita em rolos (Dt. 17.18,19), epístolas (Gl 6.11) e livros (Ap 1.11,19). No século XV, um dos grandes feitos de Lutero foi justamente a publicação de exemplares da Bíblia para que todas as pessoas pudessem lê-la e consequentemente praticá-la. E para que isso se tornasse algo comum nos lares dos cristãos, temos então as pessoas sendo alfabetizadas justamente para que pudessem buscar as verdades bíblicas por si mesmas. Essa metodologia aplicada pelos protestantes influencia até hoje na educação moderna. A influencia da bíblia nas civilizações é muito mais profunda do que podemos imaginar.

1.2.       Um livro amado e odiado

A influência da Bíblia na história do mundo, proporciona uma relação de amor e ódio entre a Palavra de Deus, a humanidade. Não é para menos, afinal como seres humanos, buscamos o nosso próprio prazer e bem-estar, ao passo que a Palavra de Deus, revela toda nossa carência e decadência espiritual. Somos tentados a acreditar que há bondade na humanidade e que o pecado, é apenas um erro que pode ser corrigido por nossas próprias mãos. Mas a Palavra de Deus nos mostra que o pecado é uma condenação espiritual, e que apenas Cristo tem o poder para nos libertar de tal condição (Gn 3.15; 1 Co 1.30) nos colocando novamente na presença do Pai. O humanismo tem pregado que uma pessoa boa, que não comete crimes, nem ofende aos outros, e busca o bem-estar dos outros, está mais próxima de Deus do que os chamados “tolerantes”. Essa é uma disputa que tentam vencer, competindo atributos de moralidade, mas com definições humanas. Como filhos de Deus, e renascidos pela obra vicária de Cristo, não seguimos mais esses preceitos, mas sim o Deus.

Governos, ideologias e filosofias já tentaram e tentam ainda hoje tentam descreditar qualquer doutrina que seja bíblica. As escrituras são de origem eterna, e ela tem a finalidade de nos mostrar essa realidade. Por não ter sido concebida por homens, ela não se enquadra em nossos padrões, e não pode ser vista como algo democrático, ela é teocrática. Essa compreensão não é possível por parte daqueles que não estão em Cristo, por isso, podemos acompanhar as tentativas de destruição e de diminuir a credibilidade das Escrituras, já que nossa natureza carnal, rejeita tudo o que vem de nosso Santo e Perfeito criador.

 1.3 O livro mais exato da humanidade

A Origem perfeita das escrituras, garantem à ela a inerrância que necessitamos para crer nela. Todo o conteúdo da Palavra durou cerca de 1.600 anos para ser concluído, sendo escrito por 44 autores, em 3 continentes (África, Ásia, Europa), e em 3 idiomas originais (hebraigo, grego e árabe). Tendo como pontos principais: a queda, a expiação e a exaltação da humanidade diante do Senhor Deus. Tantos pontos desfavoráveis deveriam ter resultado em uma obra totalmente contraditória, porém, não há evidências disso. Como todo o cânon foi inspirado pelo Espírito Santo, o autor é único, e por ser onisciente não poderia nunca se contradizer em nenhum aspecto. De forma que há coerência entre o que disse a Moisés, e o que disse a Isaías. Entre os ensinos da fundação do mundo, e a concretização do Plano da Salvação ao Cristo ressuscitar.

 Dentre os livros antigos que foram copiados, a Bíblia é a que mantém mais fidelidade quanto a seu conteúdo original, tendo uma variação de apenas 1,7% entre os escritos originais e as cópias. Esse é um dado importante, pois as obras de Homero, Platão e Sócrates, possuem muito mais variações com relação ao relação ao original do que os pergaminhos bíblicos, beirando 40% de tal variação.

A Bíblia aplicada à vida cristã

 Paulo recomenda a Timóteo que se apresente a Deus como um obreiro aprovado que maneja bem a Palavra da verdade. Como cristãos, precisamos estar afiados com as escrituras, pois não sabemos em quais momentos poderão ser necessários que ministremos sobre as verdades bíblicas.

2.1 A Bíblia deve ser o alimento diário da vida cristã

Nosso corpo precisa de uma série de reações químicas desencadeadas na alimentação para que tenhamos força, vigor, energia e nos desenvolvamos de forma correta e saudável. Da mesma forma nossa alma. A palavra é o alimento de nossa alma, pois é nela que cuidamos ter a vida eterna (Jo 5.39). Devemos nos atentar em alimentar nossas almas com o mesmo cuidado que alimentamos nosso corpo. Ao ser tentado no deserto por satanás, Jesus não se preocupou em ostentar seu poder realizando um milagre, Ele confiou na Palavra do Senhor (Dt 8.3; Mt 4.4). A palavra é o instrumento pelo qual o Senhor molda nosso caráter e providencia o nosso crescimento. Precisamos sempre estar em dia com a meditação e estudo das escrituras se quisermos crescermos diante de Deus, e auxiliar aqueles que necessitam também de um crescimento sólido (Hb 5.12-14).

2.2 A Bíblia e o Espírito Santo

 Por ser de autoria e inspiração do Espírito Santo de Deus, a Bíblia se apresenta como única, pois uma vez que estamos vivificados por Ele, guardamos a sua Palavra, e quando a ministramos não deve se tratar de um conhecimento meramente humano, pois o Autor é quem deve falar através de nós, nos fazendo lembrar e trazendo ao conhecimento verdades e revelações do texto que somente Ele conhece (Jo 14.26).

É necessário fazermos como salmista diz. Meditarmos dia e noite na Lei do Senhor, para sermos bem-aventurados (Sl 1.2). Buscando na Palavra a direção a ser tomada nesse mundo mal e pecaminoso.

2.3 A Bíblia forma o caráter humano

 Ao analisarmos Efésios 6. Notamos que a única arma de ataque presente na armadura de Deus, é a espada do Espírito que é a palavra de Deus. Na batalha espiritual, nós nos defendemos de satanás com o escudo da fé, e com a espada atacamos. O adversário não resiste ao poder da Palavra quando usada corretamente contra o mesmo (Mt 4). Com a palavra de Deus, o cristão dispersa as dúvidas e inflige feridas mortais nas tentações.

Essa mesma espada, nos molda para que sejamos aceitáveis segundo o chamado de Cristo (Jo 15.16), é a ferramenta usada pelo carpinteiro de Nazaré para nos tornar à imagem dele. Ela é quem nos liberta de nosso pecado, e por consequência da ira de Deus sobre nós (Jo 8.32).

Evidenciamos essa transformação quando vemos o fruto do Espírito, sendo dado no tempo certo (Sl 1.3; Gl 5.22).

A Bíblia é o livro dos livros

Como vimos no início do estudo, 1600 anos foi o tempo aproximado para a confecção do cânon bíblico. Segundo o calendário judaico estamos próximos do ano 5800. O livro com os registros mais antigos é o de Jó, com eventos que datam do 430 do calendário judaico. A autoria é atribuída a Moisés por conta das semelhanças encontradas nas narrativas do Pentateuco. O livro de Jó, é um exemplo bastante interessante de como a Bíblia é superior a qualquer, pois há a narração de coisas impossíveis para a época, e sem evidências arqueológicas de que nações contemporâneas ao autor possuíam tal conhecimento. São exemplos de tais afirmações: A terra estar suspensa no vazio (Jó 26.7); a densidade do ar e o peso das águas, e o ciclo da água (Jó 28.25,26), as fontes submersas das águas (Jó 38.16). Todas essas afirmações foram feitas sem a utilização de instrumentos científicos.

3.1 A Bíblia é uma fonte inesgotável

Qualquer que seja o assunto relacionado à natureza, encontraremos resposta na Bíblia. Claro, que não encontraremos os termos que utilizamos hoje, para isso, será necessário um estudo um pouco mais detalhado, mas a Palavra do Senhor por si só, é eterna (Is 40.8; 1Pe 1.25). Pois a sua fonte, o Deus Criador, é eterno, inesgotável e imensurável. Cada vez que abrimos a Palavra e nos dispomos a ouvir por meio de suas letras o que o Senhor quer falar, a leitura se renova, e podemos sempre aprender mais do Senhor Deus. Não conhecemos a mente do Senhor, não conhecemos os seus caminhos, sabemos daquilo que Ele nos revela, e enquanto buscarmos dEle na Palavra, não nos cansaremos do caminho.

3.2 A Bíblia é superior a todos os demais livros

A principal característica da Bíblia quando comparada a outros livros de natureza humana, é que, por meio dela, não somos apresentados a um padrão de ética, nem de moralidade. Somos apresentados a um padrão de glória e santidade. A ética, a moralidade e a filosofia humanas podem sofrer variações até que se chegue a um consenso dos envolvidos no debate. Mas santidade não. Santidade é algo restrito ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. É algo que devemos buscar, mas que sabemos que não podemos alcançar sem consultar a fonte certa. O incômodo que as Escrituras causam quando comparadas a outras obras, é justamente por nos apresentarem a um Deus que não se contenta com o nosso atual estado, somos apresentados ao nosso pecado, e somos expostos então à necessidade de sermos mais do que cascas vazias. Somos chamados a sermos filhos que abdicam de si mesmos, para obedecer ao Pai.

3.3 A Bíblia revela a Cristo e a salvação do homem

E como podemos obedecer ao Pai? Vários homens tentaram e falharam. Abraão, Davi, Isaque, Jacó, até mesmo Moisés, o maior nome do judaísmo, falhou. Como podemos então alcançar tal perfeição? Agostinho de Hipona, diz o seguinte a respeito do Cânon Bíblico: “O Novo Testamento está escondido no Antigo, e o Antigo é esclarecido no Novo”. A Bíblia inteira de trata de Jesus. Ele é a excelência de tudo o que temos como perfeito, Ele é a causa e fim de todas as coisas. Ele mesmo nos é apresentado pelo apóstolo João como sendo a Palavra (logus) nos primeiros versos do seu evangelho (Jo 1.1-5). O ser humano por si só não pode fazer nada que resulte em sua salvação. Cristo é quem se dispõe a cumprir todo o processo. Desde a fundação do mundo, esse plano já estava traçado, e é por meio da Palavra de Deus que temos conhecimento de tal obra redentora, é por meio dela que vemos como o Senhor conduziu toda a história da humanidade, até a plenitude dos tempos para o nascimento de seu Filho. Nosso Salvador. Glória a Deus!

 Conclusão

A Bíblia não é um livro qualquer, e como tal não podemos lê-la e tratá-la dessa forma. Sempre que formos lê-la devemos ter em mente que ela não foi constituída como um manual de auto-ajuda, nem como um conjunto de frases feitas para serem repetidas como mantras, visando obter algo. Ela é a revelação de todo o plano de Deus para a humanidade, o registro da natureza de Cristo e a garantia de que nosso Criador se preocupa conosco nos dando diretrizes para que ainda estando como criaturas nos preservemos como espécie, até que sejamos alcançados pelo Evangelho de Cristo Jesus, mediante o Espírito Santo.

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