O que é a Marca da Besta, afinal?

Poucos assuntos mobilizam tanto o meio cristão quanto aqueles relacionados à escatologia. A ideia de saber o fim das coisas empolga e mexe com o imaginário das pessoas. E isso na maioria das vezes é um problema. Digo que é um problema, principalmente por conta de haver muitas fábulas e histórias que se parecem mais com roteiros hollywoodianos do que com a bíblia. Chip, Mondex, Cartão de Crédito, Código de Barras… Quem nunca ouviu que a Marca da Besta, é uma dessas coisas?
Vamos tratar do assunto da forma mais bíblica possível, para que esse assunto que é tão polêmico, fique de forma clara nas nossas mentes e corações e que possamos com isso, ser cristãos mais atentos às ciladas do inimigo, e permanecermos fieis ao Senhor. Simbora?

“E foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta. E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome.
Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.”
Apocalipse 13.15-18

Vocês já pararam para pensar em como o mundo tem cada vez mais confrontado a Palavra de Deus? Não? Vamos por partes:

As bestas: Que emerge do mar (13.1-10)
João viu “subir do mar uma besta”. O profeta Isaías, escreve: “Porém, os ímpios são como o mar agitado, incapaz de sossegar, e cujas águas expelem lama e lodo para todo lado!” (Is. 57.20). Temos então um símbolo adequado para o local de surgimento da besta (mar, corrupção, pecado, etc).
Esse capítulo se conecta com o anterior, da seguinte forma: o dragão frustrado por não ter conseguido matar o Messias, segue para a beira do mar e de lá convoca sua besta para armá-la com seu próprio poder.
Em sua visão, João nota que sobre as cabeças, há um nome de blasfêmias, que seriam os títulos blasfemos assumidos pelos imperadores romanos nos primeiros séculos. Nas cartas imperiais encontradas entre as inscrições em Éfeso, há uma documentação bem vasta a respeito. Diversas vezes “filho de Deus”, aparece acompanhado do nome de um imperador. Em suas moedas, Nero se chamava de “O Salvador do mundo”. Você pode ter lido isso e pensado: “Pobre homem”, agora imagine para os cristãos da época, ao terem que lidar com isso diariamente, quando eles usavam esses títulos para se referirem somente a Cristo. Diz-se que Domiciano, o imperador quando João escreveu o Apocalipse, insistia em ser chamado de “nosso Senhor e Deus”, o que para os cristãos contemporâneos a ele, era uma blasfêmia dupla.
A besta que João viu é bem semelhante à apresentada pelo profeta Daniel (Dn 7.3-7). Porém, a besta de Apocalipse une os três traços dos três primeiros animais de Daniel na ordem inversa. Os quatro animais de Daniel representam respectivamente, o Império Babilônico, Medo-Persa, Grego e Romano. Parece que a besta de Apocalipse representa em primeiro lugar o Império Romano, que tinha as características dos três primeiros, mas era mais “terrível e espantoso”. Os imperadores perseguidores da igreja eram motivados por Satanás: “e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio”.
A linguagem usada por João, parece ir além do passado e presente, envolvendo também o futuro. No sentido mais completo, somente o Anticristo abrirá a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu (6). Ele particularmente terá poder (autoridade) sobre toda tribo, e língua, e nação (7). Somente dele podia se dizer: E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (8).

As bestas: Que emerge da terra (13.11-18)
João novamente vê uma besta emergir, só que desta vez, da terra. Essa, era menos assustadora, em aparência que a primeira. Porém, embora ela se parecesse com um cordeiro, ela rugia como um dragão. Essa besta se parece com Cristo, mas age como Satanás. E exerce todo poder (autoridade) da primeira besta na sua presença e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta. Ela faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu, como foi o caso de Elias. E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta.
Desde a peregrinação pelo deserto, o Senhor já alertara os israelitas que haveriam falsos profetas tentando enganá-los com milagres (Dt 13.1-3). Ela (besta do mar) instruiu os habitantes da terra a fazerem uma  imagem da besta. Além disso, foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta. Lembram da estátua edificada por Nabucodonosor (Dn 3.1-6)?

O número
O número 666 tem recebido incontáveis explicações. Muitas vezes têm-se falado que o número 6 representa o homem como imperfeito, incompleto, em contraste com Cristo, que é representado pelo 7, significando inteireza ou perfeição. O número 666 de forma simples multiplica triplamente essa ideia de que o homem é imperfeito.
À luz disso, a adoração à besta, cujo número é 666, ganha um significado adicional. Esta era terminará com a adoração ao homem, no lugar da adoração a Deus.
Esta corrente tem recebido grande apoio. No início do século 20, a teologia humanista, que nega a divindade de Jesus e elimina todo o trecho sobrenatural da bíblia, ganhou bastante espaço na Europa. Não é raro ouvirmos palavras como “Precisamos nos focar no aspecto humano de Jesus”, esse tipo de filosofia, ao falar apenas de Cristo homem, nos mostra um estado de perfeição que somos capazes de alcançar por nós mesmos. Uma vez que a natureza divina do Messias, ao nos revelar sua santidade, expões nosso pecado e desgraça. O humanismo endeusa o homem, e humaniza Deus.

A marca
O versículo 16 nos diz que pessoas de todas as classes são obrigadas a receber um sinal na mão direita ou na testa. Com referência à palavra “sinal” (charagma, em grego), se refere à marca de fogo que era aplicada aos escravos para identificá-los; devotos pagãos às vezes recebiam esse tipo de sinal, para sinalizar que eram de propriedade do seu deus. Tal marca, é o oposto do que podemos ver em Ap 7.1. Ali, os servos do nosso Deus são selados em suas testas, sendo protegidos dos julgamentos divinos prestes a serem derramados sobre a Terra. “Ninguém podia comprar ou vender, a menos que tivesse o sinal da besta, ou o número do seu nome” (v.17).

Onde ficamos nisso tudo?
Falei de tantas coisas para que tudo ficasse claro, e para chegar a esse ponto. Estamos esperando e nos “precavendo” da marca errada. Eu mesmo, já acreditei por muito tempo que fosse uma das coisas citadas na introdução desse texto.
Ter a marca da besta, é agir (mão) e pensar (testa), de forma oposta à vontade de Deus. Nós fomos feitos para honrar e glorificar ao nome dEle. Porém, estamos sendo levados a cultuar e a adorar nossa própria imagem. Estamos adorando à criação ao invés do Criador. Uma vez que a besta que emerge do mar, promove a perseguição e ataca de forma sanguinária, a que emerge da terra, usa sua aparência mais tranquila para corromper e promover a adoração à  primeira.
A filosofia humanista tem se instaurado de tal forma que, defendemos a homossexualidade dizendo ser amor; defendemos o crime alegando proteger os direitos humanos; permitimos que nossas crianças sejam corrompidas pela ideologia de gênero, com a desculpa de dar à elas a liberdade de serem o que quiserem; mentimos com a desculpa da necessidade; traímos com desculpa da oportunidade, e assim por diante.
Uma vez que não nos comportamos dessa forma, seremos hostilizados por não estarmos de acordo com essa filosofia maligna e corrompida pelo pecado. Já notou que hoje, basta dizer que não concorda com algo visto como normal pelo mundo, para ser tratado como preconceituoso? Notou também como é repetido com frequência que cristãos disseminam o ódio, que são violentos, e que essa narrativa, busca meios de justificar atos violentos, de modo a zombar de crentes, apenas por serem crentes? Que o número de cristãos com vergonha de se declararem tem aumentado?
Precisamos como igreja, repensar nossas atitudes e nossos pensamentos, precisamos voltar à vontade do Senhor. Do mesmo modo, que a marca de Cristo em nós, é visível por meio de nossas ações, assim também o é, a Marca da Besta. O que pensamos e por consequência fazemos, atesta qual natureza possuímos.

Oremos para que o Senhor nos mantenha em seus caminhos, e que Ele desperte em nós o desejo de conhecermos mais da sua vontade, para que dessa forma, nos distanciemos desse mundo tenebroso (Rm 12.2).

Um comentário em “O que é a Marca da Besta, afinal?

  1. Ótimo. E exatamente isso que penso. Saos as nossas açoes, pensamentos, e atitude é que vao definir qual marca que recebemos. Se a de Cristo ou a da besta. Parabens Celso. Esse estudo vai esclarecer muita gente.

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