Os Cinco Solas da Reforma Protestante: Sola Scriptura

Não são poucos aqueles que advogam que o momento em que estão vivendo em suas igrejas é um tempo de avivamento, e isso tem sido muito comum. A questão a ser esboçada aqui é: estes “avivamentos” têm respaldo em fundamentos encontrados nas Escrituras, ou, como em maior parte dos casos, em busca de satisfazer o interesse do público, relativiza as verdades das Sagradas Letras? Como bem nos lembra o pastor Renato Vargens, em seu livro “Reforma Agora”[1], precisamos nos questionar que tipo de avivamento é esse que coloca no mesmo patamar de autoridade Freud, Marx, Paulo e Jesus.

As Escrituras são nossa norma normanda (norma determinada), ou seja, ela é autoridade sobre todas as questões da vida, e também sobre toda autoridade eclesiástica. Posto isto, quando nos referimos à Reforma Protestante, que comemora 500 anos neste mês, lembramo-nos das palavras de Martinho Lutero em resposta à Dieta de Worms (1521), quando foi questionado se iria retratar-se de suas posições nas 95 teses, à qual, ele responde:

“A menos que eu seja convencido pelas Escrituras e pela razão pura e já que não aceito a autoridade do papa e dos concílios, pois eles se contradizem mutuamente, minha consciência é cativa da Palavra de Deus. Eu não posso e não vou me retratar de nada, pois não é seguro nem certo ir contra a consciência. Deus me ajude. Amém.”

Para o reformador alemão, suas idéias propostas sobre a justificação pela fé somente, só poderiam ser revogadas caso encontrassem respaldo bíblico para corrigi-lo. Seu entendimento era este por acreditar, tanto ele, como os demais reformadores, que quando as Escrituras falam, Deus fala. Para Calvino, reformador francês, quando o pregador falava, fielmente cativo às Escrituras, os lábios do pregador se tornavam como lábios de Cristo. E ele mesmo, declarou no comentário às cartas pastorais:

“Ao dar-nos as Escrituras, o Senhor não pretendia nem satisfazer nossa curiosidade, nem alimentar nossa ânsia por ostentação, nem tampouco deparar-nos uma chance para invenções místicas e palavreado tolo; sua intenção, ao contrário,era fazer-nos o bem. E assim, o uso correto da Escritura deve guiar-nos sempre ao que é proveitoso.”[2]

John Owen, também assevera isso, quando afirma que “toda a autoridade da Escritura… depende unicamente de sua origem divina… A Escritura tem toda autoridade de seu Autor”.

Para que esta idéia fique clara, precisamos definir dois pontos em nossa mente: a Escritura é inerrante e infalível. A inerrância das Escrituras significa que ela está totalmente livre de contradições; ela é livre de erro. A infalibilidade nos afirma que a Bíblia é “incapaz de erro” quando ela fala de assuntos de fé e prática[3]. Portanto, como nos lembra o reverendo Augustus Nicodemus, “revelações” e “profecias” que pretendem adicionar alguma coisa à Escritura, ou que a contradizem, são, como disse Jeremias, meros sonhos e ilusões de profetas que não têm o Espírito de Deus (Jr. 23:9-40), pois “o testemunho de Jesus é o espírito da profecia” (Ap. 19.10)[4].

Isto é muito importante para o cristão, pois, se sabemos que somente a Escritura é fonte da voz de Deus para nós, podemos nos chegar com confiança a ela e encontrar conforto para nossa alma e confronto para nossos pecados. Somente nas Escrituras. E, como Franklin Ferreira afirma, “se abrirmos mão das Escrituras, ficaremos apenas com a contradição e a falta de significado para a existência”[5].

É tempo de voltarmos à centralidade das Escrituras. Ela precisa alumiar os nossos passos e clarear os nossos caminhos. E como alguém disse certa vez, quando a Palavra de Deus cresce, a igreja cresce.

[1] VARGENS, Renato. Reforma Agora. São José dos Campos: Editora Fiel, 2013.

[2] CALVINO, João. Série Comentários Bíblicos – Pastorais. São José dos Campos: Editora Fiel, 2009.

[3] FERREIRA, Franklin. Pilares da Fé. São Paulo: Edições Vida Nova, 2017.

[4] http://www.ipb.org.br/informativo/sola-scriptura-1496 [Acesso em 10/10/2017]

[5] Pilares da fé, p. 56.

Por: Prof. Vinícius Mello

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