Reforma Protestante, o que foi?

No próximo 31 de outubro, a reforma protestante desencadeada pelas 95 teses de Martinho Lutero, completa 500 anos. Embora as tentativas de sufocar esse movimento tenham sido amplas e intensas, a Reforma atravessou séculos e gerações por meio das igrejas e denominações que, de alguma forma herdaram seus princípios.

Sola Gratia, Sola Scriptura, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria.

Com essa bandeira, os reformadores conseguiram comunicar o que acreditavam ser um evangelho puro e verdadeiro.

A primeira dessas doutrinas, ”Só a Graça”, rebate a crença romana de que a salvação é fruto das obras, pois de acordo com a bíblia, a salvação do homem não é meritória e sim uma concessão de Deus mediante a fé. Segunda “Só as Escrituras”, determina que toda autoridade esta na bíblia e não na igreja romana, como os padres ensinavam. Terceira “Só a Fé”, pode levar o homem a Deus, e nada mais. Por isso as duras criticas contra as indulgências da  igreja católica induzindo os fieis a acreditarem que se as comprassem se abriria alguma porta no céu. Quarta “Só Cristo”, entende-se que a salvação está no filho de Deus e não na igreja, conforme era ensinado. Quinta, e, por fim, toda a glória deveria ser atribuída a Deus e ninguém mais.

O porquê do nome protestante.

Os reformadores passaram a ser chamados de protestantes por causa de uma atitude corajosa contra a liberdade religiosa na Alemanha. Em 1521 o Edito de Worms proibiu que as obras de Lutero fossem ensinadas, mas a liberdade religiosa havia sido assegurada, relativamente pela Dieta de Aspira (1526).

A ideia do imperador Carlos V era, não perder o apoio de sete príncipes reformados da região e de seus exércitos em um provável enfrentamento contra os turcos. Carlos V convocou uma nova Dieta de Aspira em 1529, ele exigiu que os príncipes luteranos parassem de divulgar os princípios reformados, em troca de uma promessa de paz. Após uma longa discussão, os príncipes se recusaram a aceitar o acordo e foram chamados pela primeira vez de protestantes. Em seguida eles redigiram uma declaração protestante, onde assumiam o compromisso apenas com a palavra de Deus.

A tradição reformada foi sistematizada, sobretudo, pelo teólogo francês João Calvino (1509-1564), enquanto trabalhava pelo movimento protestante em Genebra, na Suíça, ele desenvolveu conceitos e princípios, seguidos até hoje pelas igrejas reformadas e presbiterianas. O pensamento Calvinista enfatiza a soberania de Deus e a incapacidade de o homem desejar a redenção, isso na pratica funciona assim… Que a salvação não é aceita pelo homem e, sim, concedida por Deus a quem Ele determinar.

Também de formação protestante o holandês Jacó Armínio (1560-1609), contrariou a doutrina Calvinista da predestinação, ele ensinava que apesar de a salvação ser uma obra de Deus, cabe ao homem aceitá-la ou rejeitá-la. Os conceitos defendidos por Armínio foram rejeitados pelos reformadores no Sínodo de Dort (1618-1619), mas acabaram influenciando outros movimentos de origem protestante  como os metodistas.

A discussão entre Calvinistas e Arminianos aquece até hoje muitos debates teológicos.

Quem é protestante hoje no Brasil?

Atualmente os princípios protestantes continuam vigorando nas igrejas evangélicas brasileiras. Autoridade da bíblia, justificação pela graça mediante a fé, centralidade de Cristo e sacerdócio universal. Mas na prática muitas igrejas estão longe de uma fé protestante. Uma igreja que pratica campanhas, jejuns ou reuniões especificas para receber uma benção, não é protestante. Se ela acredita que o dízimo pode ser revertido em alguma dádiva especial, também não é protestante. O protestante crê que qualquer benção vem de Deus pela sua graça,  e não porque fazemos alguma coisa para agradá-LO.

Por: Pr. Carlos Henrique Agapito

Pastor Dirigente  da Igreja Cristã Pentecostal da Bíblia no Jardim Casa Grande, em Diadema – SP

 

 

 

 

4 comentários em “Reforma Protestante, o que foi?

  1. Diferença entre protestantes e evangélicos?
    Protestante
    Os dois nomes referem-se aos cristãos que romperam com a Igreja Católica durante a Reforma Protestante. O termo “protestante” vem do documento formal de protesto – Protestatio – que os luteranos apresentaram em uma assembleia em 1529, manifestando a sua oposição à política religiosa adotada pela Igreja. Já o nome “evangélico” vem do fiel que se submete ao ensinamento contido nas “boas-novas” (evangelium, em latim) trazidas por Jesus. Os protestantes se declaravam seguidores do Evangelho – um dos seus princípios durante a Reforma era o da Sola Scriptura (“Só a Escritura”, em latim). Isso significava que, para os protestantes, apenas a Bíblia era fonte de revelação suprema, e que não deveria ser permitido à Igreja fazer doutrinas fora dela. Todos esses movimentos estimulavam o fim do monopólio da Igreja sobre a interpretação da Bíblia e reivindicavam que todo e qualquer cristão pudesse ler as Escrituras e tirar delas o que quisesse. Os protestantes recusavam a ideia de que um único líder – o papa – deveria guiar os rumos da religião. Sem um “chefe”, cada grupo começou a se fragmentar em diversas correntes, com pequenas divergências doutrinárias.
    Pra Sueli Tostes

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