Cruz, roupas, odres e vinhos

Recentemente, tivemos dois grandes eventos de música no Brasil. O Rock in Rio e o São Paulo Trip. Quando se dá uma olhada nos públicos desses shows, podemos ver que as pessoas tentavam se parecer o máximo que podiam com seus ídolos. Na tentativa, de serem identificadas com seus ídolos, e mostrar quem era o alvo de sua devoção, essas pessoas, usavam camisas com nomes de bandas e cantores, usavam maquiagens e cortes de cabelos, e etc. Traçando um paralelo com nossa realidade, o que vestimos tem comprovado a quem seguimos?

Todos os que se dizem cristãos, em algum momento de suas vidas, deve ter se visto diante da cruz de Cristo (Gl 6.14). Tal momento não se trata apenas de uma situação natural como ir à padaria, comprar dois pãezinhos e tomar um café. É o divisor de águas da nossa história, é onde passamos realmente, a dividir nossa vida em Antes e Depois de Cristo. Ao longo de nossas vidas, vamos acumulando uma série de sentimentos, memórias e fardos. Momentos felizes e tristes, de dor e de alegria, alguns lutos e alguns aniversários, amigos e desafetos. Todas essas coisas contribuem para nossa trajetória, e a desenvolver o que chamamos de identidade. Até mesmo chegamos a pensar que isso não pode ser mudado de forma nenhuma. Até nos encontrarmos aos pés da cruz…

Imagine que a cruz seja uma porta, e que ao passar por ela, toda aquela bagagem emocional e espiritual que carregou até aquele momento, desapareceu (Gl 5.24). De repente, você se encontra do outro lado, completamente nu. Exposto. Frágil (Tt 2.11,12). Uma fragilidade que passamos a vida inteira tentando esconder. A humanidade tem feito isso desde Adão… Mas Cristo não nos deixa expostos. Ele nos dá roupas novas. Nesse momento, passamos a ter uma nova identidade, uma identidade semelhante à d’Ele (Rm 8.5,6). Identidade essa, capaz de nos tornar próximos do Pai, dos quais antes, apenas éramos criaturas, mas agora somos filhos (Jo 1.12)!

Um bom exemplo do contraste entre a velha natureza e a nova, que agora vestimos, está em Mateus 9. 16-17. Jesus usa duas parábolas curtas para ilustrar essa situação, a primeira, se trata de fazer um remendo novo em uma roupa velha. Quando a roupa fosse lavada, o remendo novo iria encolher e estivar as extremidades da roupa antes encolhida. Isso faria com que a roupa se rasgasse, como consequência.

A segunda parábola, foi a de colocar o vinho novo em odres velhos. Eles não tinham garrafas como as que usamos, naquela época. Ao invés disso, usavam bolsas feitas de peles de cabra. A carcaça era removida e a pele costurada, exceto pelo pescoço. Ainda é possível ver esse procedimento na Palestina. Se o vinho novo foi colocado em uma pele “nova” ou “fresca”, a pele irá esticar devido à fermentação e expansão do vinho. Mas se o vinho novo for colocado nas peles velhas, quebradiças e já esticadas, será um verdadeiro desastre. As peles secas e esticadas não têm capacidade para esticar mais pela atuação da fermentação do vinho. Ao invés disso, elas irão arrebentar em algum ponto, e tanto o vinho quanto a pele se perderão.

Precisamos assumir a vida nova que temos em Cristo com seriedade. Para que o evangelho alcance as pessoas próximas a nós, precisamo vivê-lo em sua plenitude. De dentro para fora. As roupas que nos identificam como seguidores de Cristo, são nossas atitudes. Não é uma camiseta, nem um corte de cabelo, mas ações! Assim sendo, não adianta termos atitudes piedosas, quando ainda carregamos dentro de nós, sentimentos e emoções antigos que apenas atrasam o crescimento. Assim como, não é saudável nos despirmos desses sentimentos, quanto tomamos ações opostas aos mesmos. Em algum momento, vamos nos despedaçar em nós mesmos. Nos veremos frustrados, e essa frustração pode comprometer a pregação do evangelho, e por consequência, as almas que precisam de salvação e dessa pregação.

Como seguidores de Cristos, precisamos ser odres novos, cheios de vinho novo, para que nossas atitudes, revelem a quem buscamos e queremos ver, e nisso, o nome dele seja glorificado, clamado, e mais do que nunca, buscado (Fp 2.9-11)!

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