Celulares, Deus, e nós…

Algo que me chama muito a atenção nos últimos meses, é a questão da nossa interação com celulares e redes sociais, e como isso tem influenciado nossos jovens. Vivemos a era da informação (peço de desculpas se estou usando esse termo com frequência, por aqui), e esta tem se tornado cada vez mais palpável, por assim dizer. Letreiros, logotipos, propaganda, slogans, links e notícias… todas estas, são formas de recebermos informação, seja ela, de forma consciente ou não. E com essa quantidade absurda de dados, vêm as muitas certezas baseadas em quantidade e não em qualidade, até antes do tempo, na maioria dos casos.

No modo geral, os jovens estão tendo muitas certezas, de coisas que eles não compreendem. Eles “sabem” como e com quem transar, “sabem” qual a carreira seguir, “sabem” como o mundo funciona, “sabem” quem é Jesus, “sabem” o que é bom, e o que é ruim…

Mas não sabem nada, nem sobre si mesmos, não conhecem as próprias emoções, não conhecem as consequências de suas ações. Acham que a vida é como um celular, que quando não gostam mais de um trecho dela, podem encerrar e desinstalar como fazem com um aplicativo. E quando não aguentam mais tanta coisa acumulada, trocam de aparelho para poder dar conta. Mas nós não somos celulares, não podemos encerrar nossos próprios processos. Só podemos lidar com eles, e procurar aprender com os mesmos.

Faz parte da vida que eles acham que conhecem, mas a visão que têm do mundo, acaba sendo proporcional à tela do celular. Tudo é descartável, nada é reaproveitável. Vestimos sentimentos, como se fossem roupas.

Esse comportamento acaba refletindo em nossa vida espiritual, quando a encaramos uma competição sobre quem está mais próximo de Deus. Nesse contexto, temos jovens se casando apenas para mostrarem para os “ex” que podem ser felizes sem eles. Vivemos em função de mostrar para os outros que nosso caminho é mais certo, e que possuímos mais espiritualidade. Passamos muito tempo, tentando construir esse mundo para nós mesmos.

Existe algo entre os atributos de Deus, que simplesmente não conhecemos como deveríamos, a misericórdia. Esta, muitas vezes é confundida com o amor. A falta de compreensão a respeito da misericórdia de Deus, nos torna frios e cada vez mais materialistas, pois vemos as pessoas e suas misérias como forma de nos promover, e quando a situação delas não nos é favorável, simplesmente ignoramos. Vamos a uma análise, usando um cenário de nosso cotidiano.

O que rende mais curtidas (elogios) quando exposto, o auxílio no resgate de alguém na miséria, ou o testemunho de alguém que nasceu em berço cristão, nunca tendo se afastado dos seus caminhos? O apoio ao usuário de drogas, ou ao irmão da igreja que tenta te desacreditar e te diminuir?

Entende onde quero chegar? Ambos estão debaixo da mesma misericórdia, a de Deus, mas uma vez que direcionamos a misericórdia para aquele que melhor nos expõe, agimos com vaidade.

Quando não valorizamos igualmente a forma como Deus trabalha, ainda que diferente de pessoa para pessoa, limitamos o poder dEle. Ele não usa mais poder, resgatando a vida de uma prostituta, do que ao impedir que caiamos em nossos próprios pecados!

Achamos que há uma espécie de tabela de esforços de Deus, porque nós somos seletivos, quando O Soberano, não o é!

“Minha vida foi fácil Deus salvar, quero ver salvar a do Beira-Mar”. É isso que dizemos quando pensamos, da forma acima.

Ser incriminado, ser punido por algo que nunca cometeu, apanhar como nenhum outro, ser cuspido e humilhado, e em seguida ser crucificado, fazem parte do processo de salvação que envolve todos nós, independente de por qual meio fomos escravizados pelo pecado.

O modo como interagimos com as redes sociais tem influenciado nossa espiritualidade, estamos sendo levados a nos comportar não pelo exemplo que temos de Cristo, mas pelo que pode ou não virar likes. Devemos estar atentos quanto a isso, pois quanto maior o número de curtir, comentários e compartilhamentos do mundo. Na mesma proporção, podemos estar nos afastando de Deus.

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