A fuga de Mearah

 “Meu nome é Yeshowa, estou preso aguardando a execução da minha sentença. Meu crime? Trazer um pouco de luz à escuridão que é o meu antigo mundo. Que mundo, é esse? Vou te contar um pouco da minha história, quem sabe assim, me distraio um pouco nessa cela fria e escura.

Vivi a maior parte da minha vida, em uma sociedade chamada Mearah. É um mundo fechado, escuro e frio, mas como nascemos e crescemos nele, já estamos acostumados. Vivemos de comer pequenos animais e musgos que crescem das pedras, é uma vida bem simples. Nossa conduta moral é o que chamamos de Lei de Moshé. Ela foi passada para nós por meio dos sacerdotes que projetavam sombras nas paredes. Ficávamos dias, meses e anos aprendendo sobre como devíamos nos comportar, o que agradava e que era reprovado por nosso Deus. Sempre sentados e passivos, observando as sombras projetadas nas paredes e como elas tinham formas e tamanhos diferentes. Isso nos dava uma noção de como a Lei deveria ser interpretada. Era bem pacífico por aqui, até que surgiu um tal de Yochanan, que começou a falar de uma porta que nos levaria para outra perspectiva de vida, e começou a apontar para um caminho que levaria a essa visão. Alguns o amavam, e outros o odiavam.

Algum tempo depois do aparecimento de Yochanan, surgiu um tal de Yeshua. Esse foi alguém muito especial por aqui. Quando ele começou a falar e a fazer coisas que pareciam ir contra a lei de Moshé, foi uma confusão, por que ele conseguiu alguns discípulos, e suas palavras passaram a ser repetidas por muitos de nós. O modo como ele falava sobre as sombras, sobre a lei… ele dizia que havia mais ali, que havia detalhes que não conseguíamos perceber, e falava sobre um novo lugar, sobre uma nova vida…

Fiquei muito impressionado e passei a seguir esse homem. Passei algum tempo ouvindo o que dizia, e quando menos esperei, eu vi a tal luz que ele dizia, a luz de uma vida nova! A princípio, me senti cego, perdido e tudo era tão novo, colorido e vibrante… Foi então, que eu vi os detalhes, e percebi então que havia muito mais no modo como o mundo que Deus criou funcionava, então eu reconheci que ele é realmente o filho de Deus, pois somente alguém que criou o mundo poderia enxergá-lo, e revelá-lo a outros dessa forma. Não queria mais voltar para Mearah, essa nova realidade me proporcionou algo que eu não tinha e busquei a vida inteira, eu estava finalmente liberto, de mim, da escravidão, da escuridão, e da ignorância, esse Yeshua me deu algo que só o criador poderia oferecer, e sem pedir nada em troca. Como eu não fiz nada para ele, e mesmo assim ele me deu, era algo que eu não conseguia entender, mas de alguma forma passei a viver isso, e não fui o único! Haviam outros que como eu, haviam sido alcançados pela graça e agora viviam uma nova vida! Era maravilhoso!

Então, nos lembramos de nossos familiares e amigos que ainda estavam na escuridão e desejando que eles pudessem também viver essa nova vida, voltamos à Mearah, e começamos a contar sobre o mundo aqui fora, falando sobre como chegamos até aqui, quem nos trouxe, e os males de viver preso à escuridão. Éramos centenas, pregando para milhares, e conforme mais pessoas se juntavam a nós, as autoridades que haviam e zelavam por aquela forma de vida, foram torcendo os narizes e ficando irritados com quem havia saído de Mearah e voltado para contar sobre a novidade, pois o medo estava dando lugar à esperança, até que o medo mostrou a sua força…

Quando menos esperamos, passaram a nos atacar, perseguir e prender, e para aqueles que não aceitaram voltar à escuridão de Mearah, havia a morte. Mas não era uma morte rápida nem indolor. Vi amigos e irmãos sendo torturados e tendo partes de seus corpos sendo arrancadas a sangue frio, aquela ‘civiliação’ passou a se comportar como animais… alguns foram mortos e tratados como indigentes. Aqueles que decidiram voltar à escuridão tiveram suas vidas poupadas. Sabe, não lamento por aqueles que morreram defendendo tão gloriosa realidade que nos trouxe Yeshua. Aqui, nessa cela, choro e lamento por aqueles que voltaram às trevas e ao frio… preciso ir, o carcereiro me chamou. Parece que o carrasco já está a postos.

Meu coração está pronto. Yeshua ressuscitou dos mortos quando o mataram, depois de três dias. Agora tenho a vida dele, então a morte já não é mais um problema.”

Esse é um texto com personagens fictícios, mas baseados em fatos reais.

Texto inspirado pelo Mito da Caverna, de Platão.

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