A (Ir)relevância da igreja atual

E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Atos 2.42

Muito se fala sobre a igreja primitiva, sobre suas ações, a comunhão dos irmãos, e sempre se especula sobre qual o segredo do sucesso da igreja em seu período inicial. Veremos que, não há fórmula mágica, nem uma receita pronta. A principal diferença entre a igreja primitiva e a atual é a fidelidade. O modo como a igreja vê o evangelho mudou conforme os anos, e isso a modificou, desde suas pregações até a sua estrutura física. Os templos estão cada vez maiores e luxuosos. Em contrapartida, as pessoas estão mais vazias, e mais egoístas. Mudamos para pior.

ORIGEM E PILARES

O livro de Atos é o registro histórico que Lucas faz das ações dos apóstolos por meio da direção do Espírito Santo (At 1.1-3). Essas ações tiveram como resultado o estabelecimento da igreja de Cristo. Tudo começa em Jerusalém. O próprio Jesus os ordenou que ficassem em Jerusalém até que do alto recebessem o poder do Espírito Santo, pois o testemunho da ressurreição e ascensão de nosso Senhor à glória deveria começar entre os judeus (At 1.5).

Os apóstolos receberam de Cristo, o chamado a serem testemunhas não só em Jerusalém, mas também em Samaria e nos confins da terra. Tudo isso, por meio do poder que receberiam do alto. (At 1.8)

Mesmo após terem se passado alguns dias após a ascensão, os apóstolos perseveraram unânimes em oração (At 1.14). E assim, procederam, sempre esperando a direção do alto, e a prova de seu foco em obedecer às ordens do Mestre fica evidente no modo como Matias foi escolhido para a sucessão de Judas (At 1.21-26).

A história da igreja começa no testemunho da ressurreição (At 1.3), na esperança da volta (At 1.11), e a perseverança da oração (At 1.14). A igreja como representante do Deus que é Espírito, deve estar firmada em bases espirituais.

 CAPACITAÇÃO E PREGAÇÃO

A partir do capítulo 2, nós temos a narrativa do Dia de Pentecostes. E é por conta de tais acontecimentos, que nossa igreja é chamada de igreja pentecostal. Também se fala muito sobre as línguas de fogo, e o modo como o Espírito Santo desceu sobre os discípulos e usando Pedro de forma maravilhosa, e em uma pregação, que resultou na conversão de 3 mil pessoas.

Uma coisa importante a se notar, é o discurso de Pedro. É fácil deixar passar, o fato de que, seu discurso foi por conta do poder que havia recebido do Espírito Santo em sua descida. E assim como Jesus havia dito anteriormente, através de Pedro, o Espírito testemunha do Filho, e glorifica ao Pai.

 Inicialmente, Pedro se dirige aqueles que são de outros povos, mencionando a profecia do profeta Joel. Isso demonstra um cuidado, em tornar as pessoas cientes de que a cena que estão presenciando não é uma coincidência, nem somente um momento de histeria coletiva. Os gentios são apresentados ao poder e soberania de Deus-Pai cada um em sua própria língua, de forma que, a mensagem é clara, tanto para quem ministra como para quem ouve (At 1.15-18).

 Em seguida, ele se dirige aos judeus, relembrando-os de Jesus, que como servo aprovado por Deus, fez milagres diante deles. E mesmo assim, foi assassinado por eles, usando de mãos gentias (romanas). Mesmo sofrendo tudo isso, ressuscitou porque Ele não pode ser contido pelos grilhões da morte (At 1.22-24).

 Pedro continua mencionando o que Davi (considerado o maior rei da história de Israel), profetizou a respeito do Cristo. E novamente, retoma dando testemunho do poder de Deus, revelado em Jesus. E assim, como a promessa de que o trono de rei dos judeus permaneceria na casa de Davi se cumpriu, cumpriu-se também a promessa de Cristo sobre o derramamento do Espírito Santo, o que proporcionou aquele momento de glorificação do nome de Deus (At 1.25-28).

 E conclui dizendo que, o mesmo Cristo que morreu, foi feito por Deus, Senhor e Salvador! Aleluia! (At 1.36)

 Os presentes então foram tomados de arrependimento e espanto, e ao procurarem os apóstolos, foram instruídos a se arrependerem, batizarem-se para a remissão dos pecados e a se apartarem da geração perversa. A consequência disso? 3 mil almas convertidas ao Senhor (At 1.37-41).

 O AVANÇO DA IGREJA

Após os eventos do Pentecostes, Lucas narra que os convertidos persistiam na Doutrina dos Apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações. E em cada um deles havia temor, e no meio deles milagres eram realizados. E suas ações eram simples, buscando o bem do próximo, e havia unidade. Dessa forma o Senhor acrescentava ao rebanho diariamente (At 1.42-44). Mas algo mudou.

Praticamente 2 mil anos depois, a igreja continua de pé, pregando e se multiplicando como deve ser, mas com resultados diferentes. A igreja atual passa por uma crise de identidade, onde ela não sabe mais quem é. São tantos nomes e tantos costumes, tantas linhas teológicas e filosóficas, que quando evangelizamos notamos uma confusão nas pessoas por conta do número exagerado de igrejas. Nossa decadência começa quando visamos quantidade, e não qualidade.

CRISE DE IDENTIDADE

A crise de identidade pela qual passamos, nunca foi tão intensa em toda a  história eclesiástica. Nós simplesmente não sabemos quem somos. O ser humano tem vivido de marketing. Seja ele empresarial ou pessoal, em campanhas publicitárias ou qualquer outra situação em que a imagem é vendida antes do produto. Por conta disso, nosso discurso tem sido alterado. Quem nunca ouviu as frases:

“Antes de julgar, ore por ele.”

“Deus não se importa com a Religião. O que vale, é o coração da pessoa.”

“Eu não falo de religião. Para mim, isso não se discute.”

Dentre outras, que principalmente por conta das redes sociais tem se multiplicado de uma forma avassaladora.

É bonito dizer que somos pentecostais, e cheios do Espírito Santo, que somos usados de uma forma tremenda e poderosa, e que somos instrumentos de Deus para a pregação do evangelho. Dizemos que somos tocados pelo fogo, e que nosso coração está sempre incendiado e ansioso em ganhar almas. Mas de repente, quando somos postos à prova, e é nos dada a oportunidade de ministrar a alguém, nos acoamos e nos omitimos, e de repente, tudo aquilo que achamos que somos, se torna poeira diante da situação.

As pessoas para quem Pedro pregou e testemunhou no Pentecostes, eram pessoas de todo o mundo, de diversas religiões, etnias e crenças, as mais reações poderiam ser esperadas quando as pessoas viram aquilo que acreditaram a vida inteira ser confrontado por um pescador falando de um homem que nunca antes haviam falar, e que esse mesmo homem, era o legítimo salvador e o único com poder para vencer a morte. Apesar de Lucas não narrar, alguns podem ter ficado contrariados, porém nem por isso a mensagem deixou de ser transmitida. Precisamos retomar nossa identidade como pregadores do evangelho. Precisamos pregar o arrependimento, mesmo que isso nos cause uma imagem de intolerantes.

OS EFEITOS DA COVARDIA

Falando de nossa realidade hoje, o Brasil é um país majoritariamente cristão, segundo o IBGE, 35% da população brasileira se declara evangélica, e isso se mostra verdadeiro quando contamos por quantas igrejas conseguimos passar no caminho até o nosso trabalho, escola, faculdade, etc. Seria um motivo para comemorar, caso não fossem outros números. São eles:

A população carcerária do Brasil, perde somente para a dos EUA.

Temos um dos maiores índices de violência do mundo.

Segundo a ONU, 21 cidades brasileiras estão na lista das 50 mais violentas do mundo.

 Nos últimos anos, segundo o IBGE:

O número de divórcios cresceu 160%

O número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo aumentou em 31,2%

A taxa de casamentos caiu 2%

Os jovens têm começado sua vida sexual, aos 13 anos.

Desses, 7% das jovens entre 13 e 19 anos, engravidarão.

E dessas, 15% abortarão.

O tráfico de drogas no Brasil, é um dos mais difíceis de se combater, pois está enraizado como uma espécie de “Poder Paralelo”. E conta com a defesa de parte da população, pois aprendemos a glamourizar o crime.

Dado que 1/3 da população se diz cristã, esses números deveriam estar diminuindo e não aumentando em tão pouco tempo. A causa disso? Nossa covardia. No momento que deixamos de pregar o arrependimento por medo do que vão achar ou pensar sobre nossas convicções, apenas por querer estar bem em qualquer ambiente social que seja, estamos sendo coniventes no caminho que elas estão seguindo para o inferno.

Devemos buscar que o Espírito Santo nos use, como usou a Pedro. O vento impetuoso, que entra sem pedir licença e preenche lugar, deve ter lugar em nossas vidas. Se queremos ser morada do Espírito Santo, devemos nos convencer que quem é de casa, não pede licença, faz aquilo que é necessário. O fogo não deve ser emocional, deve ser constante, avassalador que promove renascimento e transformação. Do contrário, será para condenação.

Se queremos realmente ser uma igreja relevante, o arrependimento deve começar em nós mesmos. Uma igreja que não se arrepende, não ora; Uma igreja que não ora, é fraca; E uma igreja fraca, não produz frutos; E o próprio Cristo disse que aqueles que não produzem frutos, serão lançados no fogo (Jo 15.2).

 Fontes:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/01/brasil-tem-21-cidades-em-ranking-das-50-mais-violentas-do-mundo.html

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-11/divorcio-cresce-mais-de-160-em-uma-decada

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/11/casamentos-gays-aumentam-312-em-2014-no-brasil-diz-ibge.html

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2016/11/casamento-gay-no-pais-cresce-em-ritmo-maior-que-o-de-heterossexuais.html

 

 

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