Os dons do Espírito Santo: Parte 2

O capítulo 13 da primeira carta de Paulo aos Coríntios tem sido desde tema de música à leitura quase obrigatória nos casamentos. Aqui, ele fala de forma magnífica sobre a superioridade do amor sobre os dons. Mas, o que é o amor? Talvez a maior parte das pessoas o defina como um sentimento, algo intrinsecamente ligado às emoções. Aquele momento em que o coração bate mais forte, as pernas tremem e as palavras fogem. Não há nada mais longe da definição de amor do que esta. Continuar lendo “Os dons do Espírito Santo: Parte 2”

Jesus e os sinalizadores

Você sabe o que é, ou já ouviu falar sobre sinalização da virtude (virtue-signalling)? É um novo padrão de comportamento que tem se tornado bastante popular por conta das redes sociais. Quando começou, era visto como algo bom, pois uma espécie de estímulo para que outros praticassem o bem, mas, atualmente, é visto como algo não somente negativo, mas também nocivo. E como a igreja é composta de pessoas, e essas pessoas acompanham as tendências comportamentais e são por diversas vezes influenciadas pela cultura na qual estão inseridas, no ambiente de culto, nós passamos então a ter a sinalização da espiritualidade.

Sinalização da Virtude: o que é?

Estamos chegando ao final de 2018, e quantas vezes as hashtags do tipo #somostodos(alguma coisa) foram usadas à exaustão? A ideia por trás das tags é a promoção de alguma causa como uma forma de conscientização por meio da popularização. Mas quantas das pessoas que compartilharam e entraram na onda, realmente tomaram ações concretas no seu dia-a-dia para de fato, promover a causa pela qual se manifestaram? Isso é a sinalização da virtude, promover a luta contra o câncer usando hashtags ao invés de buscar doações para hospitais e instituições que forneçam tratamento. Mostrar para o maior número possível de pessoas que está envolvida com algo virtuoso, sem o estar na realidade.
Recentemente, uma jovem suíça ficou famosa por impedir a decolagem de uma avião para que um homem não fosse deportado para o Afeganistão. Uma cena comovente que foi transmitida ao vivo pelo facebook. Casos como esse, não são difíceis de encontrar no feed de nenhuma rede social, principalmente o facebook, por conta da capacidade de viralização da plataforma. É possível até mesmo contar quantos vídeos passam pelas nossas linhas do tempo todos os dias, com pessoas ajudando pobres, ou militando por alguma causa.
A SV (sinalização da virtude) se tornou um problema social por conta da massiva busca por fazê-lo sem medir as consequências. O homem defendido da deportação no exemplo anterior, dias mais tarde foi acusado de ter estuprado uma adolescente. As pessoas não estão ajudando ou se engajando para ajudar de fato, mas poderem anunciar isso em bom som e conseguirem em certa medida, promoção. O ser humano é vaidoso e orgulhoso por natureza, buscamos sempre meios e formas de nos colocar em uma posição superior moralmente, adoramos a ideia de estar acima, seja em qualquer aspecto (quantas pessoas não se orgulham de terem levado vantagem indevida sobre outras?). É a busca desenfreada pela própria glória que nos leva a decadência desde o Éden.

E quando esse comportamento entra na igreja?

Como dito anteriormente, a igreja é composta de pessoas, e essas pessoas, possuem e interagem por meio de redes sociais, e dentro desse contexto, são influenciadas por elas, algumas mais e outras menos. Dizer que passamos ilesos por esse aspecto da cultura que nos cerca, é ser no mínimo, negligente. Dentro da igreja, as pessoas tem buscado sinalizar não somente suas virtudes, mas também sua espiritualidade. Mãos levantadas, gingado de um lado para o outro, choros, pulos, gritos… Para uma boa parcela das pessoas que se declaram evangélicas, essas são as características que servem de padrão para medir a espiritualidade de alguém, ou até mesmo para definir se um culto foi bom ou não. Se teve alguma dessas, foi bom, se não, Deus não estava presente.
O maior problema desse tipo de cultura na igreja, é justamente a promoção de uma espiritualidade superficial e sem nenhum tipo de comprometimento com o alvo da adoração. Afinal, o objetivo não é oferecer um culto racional e consciente de que cada ação executado naquele momento, deve ser para honra e glória de quem se adora, mas sim, a busca pelas emoções e reações palpáveis, que podem ser vistas e registradas.
Na prática, temos duas situações opostas, mas que são igualmente prejudiciais à saúde da congregação, que são:

  1.  Hipocrisia: Pessoas em situação de total escravidão do pecado e totalmente imersas na própria corrupção, deixam de buscar a santificação e concerto, pois o fato de reagirem emotivamente às situações do culto, faz com que creiam estarem vivendo uma vida agradável aos olhos do Senhor, afinal, Ele ainda se “manifesta” através delas. Um sinal bastante claro de que a pessoa foi ao culto apenas para se servir, é que normalmente, ela não se lembra do que foi pregado, e por consequência não se preocupa com o que realmente deve fazer para agradar ao Senhor.
  2. Rejeição: Na outra ponta, temos aqueles que pelos mais diversos motivos não reagem da mesma à cerimônia, podem se sentir desprezados pelos irmão mais “espirituais” e até mesmo por Deus, uma vez que, não há sinais de “manifestação” do sobrenatural através deles. Tal situação resulta em um crente que não se firma na fé e que constante busca atalhos para poder ter o mesmo que os demais.

Ambas as situações, contribuem para uma visão superficial e totalmente mundana a respeito do culto, e em nenhuma delas o nome do Senhor é glorificado. Ele não recebe a adoração de um povo que está mais preocupado com as próprias reações num culto que não é para elas, e não também não é adorado por quem não sente segurança no amor do Criador e Provedor de todas as coisas.  Nos dois casos, negligenciamos os atributos do próprio Deus que tanto repetimos à exaustão, como justiça, graça, verdade, soberania, amor e misericórdias, pois tornamos condicionais, as características do Deus eterno.

Jesus e os sinalizadores

Atualmente, Jesus, o Salvador, Redentor e Justificador do pecador, tem sido usado como uma espécie de muleta moral. Ou seja, sempre que puder ser usado para expressar uma superioridade sobre os outros, o nome de Jesus será utilizado, o que é contraditório e evidencia um desconhecimento a respeito dEle, afinal, diante dEle, somos igualmente pecadores, corruptos e sem nenhum atributo que seja capaz de nos justificar a nós mesmos (Gl 3:28).
Durante o Sermão do Monte, o mestre dos mestres trata diretamente com as duas situações que falamos acima. Aos que ajudam, mas tiram selfies, disse:

“Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial.
Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa.
Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita,
de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará”.
Mateus 6:1-4

E continuou, agora se referindo aos que ostentam seus próprios métodos de culto:

“E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa.
Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará.
E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos.
Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem.”Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os homens vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa.
Ao jejuar, ponha óleo sobre a cabeça e lave o rosto,
para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê no secreto. E seu Pai, que vê no secreto, o recompensará”.
Mateus 6:5-8;16-18

A repetição das expressões “hipócritas” e “lhes garanto que já receberam sua recompensa”, evidencia a vaidade dos sinalizadores de virtude e da espiritualidade. Afinal, tudo o que fazemos visando uma recompensa, seja ela qual for, indo desde a aceitação por um grupo até algo material, não passa de vaidade. Fora de Cristo, vivemos apenas para nós e para nossa própria glória obedecendo à nossa própria natureza carnal. É necessário que peçamos ao Senhor para que Ele limpe o nosso coração e mantenha afastado nosso maior inimigo: Nós mesmos.

Untitled design

 

Jovem, não desperdice a sua mocidade

Você que é, ou ainda se considera jovem, qual a sua prioridade, hoje? Mais do que isso, quais as ações que tem tomado para executar essa prioridade? Pois bem, o título desse texto é uma paráfrase, ao que o apóstolo Paulo diz a Timóteo em sua primeira carta. O original, diz:

Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza.
1 Timóteo 4:12

Essa referência é tema de diversos congressos de mocidade e adolescentes, sendo geralmente abordados de forma a tornar esses grupos intocáveis e irrepreensíveis. Muitas vezes dando a entender que os mais velhos nunca os compreendem e devem dar espaço para que eles agora assumam o comando. No fim, acaba sendo uma interpretação leviana que apenas serve para causar separação ao corpo de Cristo.  Mas, e quando o próprio jovem despreza a mocidade, e a si mesmo se sabota? Continuar lendo “Jovem, não desperdice a sua mocidade”

Relevantes como o sal, resplandecentes como a luz

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;
Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.
Mateus 5:13-16 Continuar lendo “Relevantes como o sal, resplandecentes como a luz”

Imagens e miragens

Já reparou como parece praticamente impossível sair tão bem ou bonitos em uma foto, quanto nos enxergamos diante de um espelho? Esse fenômeno tem intrigado diversas pessoas no decorrer de suas vidas. Afinal, em tempos como os nossos, com a exposição das redes sociais, todos nós queremos parecer belos e convidativos. Passar tanto tempo se admirando, pode ter consequências bem devastadoras, tanto para nossos relacionamentos, quanto para nós mesmos. Continuar lendo “Imagens e miragens”

A relação entre a Lei e a Graça

No rol das coisas que causam uma certa confusão na cabeça de muitos cristãos, está a relação entre a Lei e a Graça. Basicamente, encontramos dois grupos opostos: Os que buscam praticar a lei com total dedicação e aqueles que a ignoram totalmente acreditando que a Graça elimina qualquer traço de importância ou ensino que podemos ter com a primeira. Então, qual das duas é a correta?
Continuar lendo “A relação entre a Lei e a Graça”

A necessidade da tribulação: Expectativa e Esperança

Já parou para contar quantas mensagens motivacionais vemos todos os dias em nossas redes sociais? Aquelas frases feitas que tem o único objetivo de massagear o ego e contribuir para sentimento de que somos mais importantes e iluminados que os outros. Esse tipo de conteúdo é muito popular por ser de fácil acesso, mas também de ótima aceitação. Afinal, quem não quer ouvir/ler que é mais especial que pessoas de contexto social semelhante? Mas, qual o resultado disso? Será que esse tipo de conteúdo não contribui para o isolamento em bolhas sociais, nos tornando alvos extremamente frágeis para os espinhos que a vida possui? É sobre o que vamos discorrer nesse texto.

Continuar lendo “A necessidade da tribulação: Expectativa e Esperança”

Sal que não salga e a luz que se esconde

Recentemente, comentei ao final de uma live no Instagram sobre como o dualismo – ou dualidade como preferir – tem sido amplamente aceito pela igreja como algo não só comum, mas também necessário, abrindo margem e dando munição para os inimigos dela que usam dessa oportunidade, para a isolar e calar sua voz na sociedade. Continuar lendo “Sal que não salga e a luz que se esconde”

YouTubers, filhos e pais

Recentemente, o youtuber e influenciador digital Júlio Cocielo causou um verdadeiro frenesi após um tuíte no qual menciona o atacante Mbappé da França, como sendo promissor em cometer arrastões – claramente um comentário racista. Tentou em seguida se justificar dizendo que a comparação foi por conta da velocidade do atleta. Mas quando se fala em arrastão, a primeira imagem que vem à nossa mente é a de um assalto não há de uma pista de atletismo. Continuar lendo “YouTubers, filhos e pais”

ÍDOLOS MODERNOS

Esse é o primeiro texto de uma série que tem como objetivo trabalhar a idéia de como ídolos são criados em nossos corações com relativa freqüência para nos afastar de Deus. Calvino disse: “O coração humano é uma fábrica de ídolos.” Ele estava certo. Algo que precisamos entender para que então possamos combater isso, é que: o nosso coração (carne) naturalmente rejeita a Deus e abraça o pecado. Continuar lendo “ÍDOLOS MODERNOS”