Introdução à Escatologia: A Segunda Vinda de Jesus – Pt 2

Introdução

Com a realidade da Segunda Vinda de Jesus, surgem algumas outras perguntas. Talvez a principal delas, seja o que vai acontecer nesse evento tão importante. O que vai acontecer com os crentes? E com os descrentes? A vinda de Jesus vai iniciar o milênio instantaneamente? É o que vamos entender na aula de hoje. Continuar lendo “Introdução à Escatologia: A Segunda Vinda de Jesus – Pt 2”

Introdução à Escatologia: A Segunda Vinda de Jesus – Parte 1

Introdução

Assim como a morte, entre os cristãos ortodoxos a doutrina da volta de Jesus não é motivo de debates quanto à sua realidade. Talvez o maior problema com algumas abordagens sobre o tema seja a tentação de tentar prever quando essa volta ocorrerá. Muitas heresias surgiram dessas tentativas. Contudo, quando estudada corretamente, a doutrina da segunda da vinda de Jesus no revela um sentido ministerial para nossas vidas, pois, entendendo como será, temos uma percepção melhor de nosso papel e de nossas responsabilidades. Nesse conteúdo, abordaremos alguns aspectos que podem e devem ser entendidos biblicamente, pois se há um lugar onde poderemos encontrar informações a respeito, é na Palavra.

1.O que é a Segunda Vinda de Jesus?

É o evento mais aguardado por Cristãos de todas as eras. Dos apóstolos até cada um de nós, todos esperam pela volta gloriosa de Jesus. Em sua primeira vinda, Jesus revelou-se somente para os judeus, porém, na próxima vez em que pisar na terra, todas as nações contemplarão o Messias revelando-se em poder, glória e majestade.

Em Sua Primeira Vinda, Jesus Cristo veio à terra como um bebê em uma manjedoura em Belém, exatamente como fora profetizado. Jesus cumpriu muitas das profecias do Messias durante o Seu nascimento, vida, ministério, morte e ressurreição. Entretanto, há algumas profecias a respeito do Messias que Jesus ainda não cumpriu. A Segunda Vinda de Cristo será o retorno de Cristo para cumprir estas profecias restantes. Em Sua Primeira Vinda, Jesus foi o servo que sofreu. Em Sua Segunda Vinda, Jesus será o Rei conquistador. Em Sua Primeira Vinda, Jesus aqui chegou na mais humilde das circunstâncias. Em Sua Segunda Vinda, Jesus chegará com os exércitos do céu ao Seu lado.

2.Como será?

Um comentário muito usado – até mesmo por crentes – para atacar a igreja é o de que se Jesus voltasse hoje/em nosso tempo, seria crucificado. A ideia presente na tal frase, é a de que a igreja não só negaria a autoridade de Jesus, como também ignoraria qualquer aspecto de sua natureza, negando também os seus ensinamentos prévios, pois, segundo os adeptos desse tipo de comentário, é que a igreja não conhece o seu Senhor, não sendo mais fiel aos seus ensinamentos. A raiz fonte desse pensamento, é que Jesus está morto, e que se trata de um profeta do passado. Acontece que Ele está vivo e isso muda todo o panorama e nossa relação com fim dos tempos. A questão muda de figura deixando ser “se” Jesus voltar, para “quando Ele voltar”.

2.1 Pessoal, corpórea e visível

Liberais costumam dizer que o Messias não pisará novamente na Terra, mas que a sua vinda será na verdade uma manifestação do seu espírito, que operará e executará a sua vontade e a sua justiça através da igreja. É uma manifestação terceirizada. Seria uma espécie de reino da igreja, na verdade. Ideia essa que surge da análise crítica dos textos bíblicos, negando qualquer aspecto sobrenatural e que aponte para um Jesus morto, que  deixou ensinamentos que um dia serão compreendidos plenamente, e assim, poderão ser aplicados pela igreja. Porém, não é isso que nos dizem as escrituras. Ao contrário, o que o próprio Jesus e os apóstolos disseram sobre a segunda vinda não abre margem para um entendimento alegórico (Mt 24:30; 25:31; 26:64; Mc 13:26; 14:62; Lc 21:27; 22:69; At:1:11; 1 Co 11:26 1 Ts 1:10; 2 Ts 1:10; Jd 1:14; Ap 1:7).

Uma vez que virá em pessoa, Cristo há de se manifestar em um corpo material. Para entendermos esse ponto, precisamos nos lembrar do ministério de Cristo. Em sua missão, vida, morte e ressurreição, Jesus tratou de religar o homem a Deus e derrotar a maldição do pecado que agia livremente sobre a terra. A restauração proporcionada através do sacrifício na cruz, não é somente espiritual, mas também material. Notemos que, ao aparecer aos discípulos e dentre eles, Tomé demonstra descrença quanto ao fato da ressurreição, Jesus  então, pede que o discípulo toque nas suas mãos e também, na lateral de seu corpo (Jo 20:25). Temos aqui, uma referência a um corpo sólido e não espiritual. Ao ressuscitar dos mortos, Cristo em seu corpo físico, aponta para a realidade da derrota da maldição da morte, em seus dois estágios, o natural e o espiritual.

2.2 Inesperada

Quando a Palavra fala sobre a Segunda Vinda de Jesus ser inesperada é bastante comum o entendimento que será uma surpresa para todos, de crentes a descrentes. Entretanto, quando analisamos os textos bíblicos, vemos que refere-se muito mais ao fato do evento ser imprevisível e sem possibilidade de agendamento, no sentido de estabelecer uma data (Mt 24:36). Aparentemente, o tempo de seu retorno era uma das questões a que Jesus estava se referindo quando, logo antes da ascensão, respondeu aos discípulos que queriam saber se restauraria o reino de Israel naquele momento: “Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade” (At 1.7) (Millard Erickson, 2015).
Embora existam muitos sinais da vinda de Jesus (vide Mateus 24), em nenhum momento é nos dado algum subsídio que nos permita dizer com certeza quando ocorrerá. Os ensinos de Jesus dão a entender que, por causa de uma grande demora até a segunda vinda, alguns serão tomados pela desatenção (Mt 25.1-13; cf. 2Pe 3.3,4). Mas quando a parúsia finalmente ocorrer, será tão rápida que não haverá tempo para fazer preparativos (Mt 25.8-10) (Millard Erickson, 2015). Como afirma Louis Berkhof, “A Bíblia dá a entender que a medida da surpresa que haverá quando da vinda de Cristo será na razão inversa à medida da vigilância das pessoas”.

2.3 Triunfante e Gloriosa

Um dos pontos que mais causará impacto às pessoas quando Jesus Cristo voltar, é o modo como será sua vinda. Na ocasião em que pisou na terra pela primeira vez, Jesus não poderia ter vindo em posição mais humilde. Nasceu em um estábulo, guardado por animais e reverenciado por pastores. Cresceu em uma província do império que dominava o seu tempo, teve uma profissão não muito glamourosa, e morreu de forma mais vil e humilhante possível (Dt 21:23; Rm 8:3; 2 Co 5:21; Gl 3:12-14). Todo esse primeiro conceito a respeito de Jesus será substituído por uma vinda em toda a glória que somente o unigênito da criação possui. Ele virá nas nuvens com grande poder e glória (Mt 24.30; Mc 13.26; Lc 21.27). Ele estará acompanhado de seus anjos e será anunciado pelo arcanjo (lTs 4.16). Ele se assentará em seu trono glorioso e julgará todas as nações (Mt 25.31-46). O carpinteiro virá como Rei; a ovelha virá como Leão; o servo virá como Senhor; o réu virá como Juiz.

3. Certeza e iminência do evento

Assim como temos conhecimento das profecias cumpridas em Jesus em sua primeira vinda, e muitas outras no decorrer da história de Israel, podemos confiar plenamente que o que a Palavra de Deus anuncia sobre a Segunda Vinda de Jesus também se cumprirá. O grande ponto de discordância quando falamos sobre esse evento está na verdade, relacionado ao ponto de vista dispensacionalista e os demais. Para os dispensacionalistas, o arrebatamento da igreja pode acontecer a qualquer momento, sem prévio aviso. Isso ocorre principalmente por conta da interpretação que fazem de alguns pontos dos discursos do Messias sobre sua vinda, Millard Erickson lista os principais:

  1. Jesus instou seus discípulos a estarem prontos para sua volta, uma vez que não sabiam quando isso ocorreria (Mt 24—25). Se há outros eventos que devem ocorrer antes da volta de Cristo, tais como a grande tribulação, é difícil compreender o motivo pelo qual ele disse que a hora era desconhecida, pois ele sabia pelo menos que o retomo não ocorreria antes que tais eventos tivessem ocorrido.
  2. Destaca-se repetidas vezes que devemos esperar com ansiedade, pois a vinda do Senhor está próxima. Muitas passagens (e.g., Ro 8.19-25; ICo 1.7; Fp 4.5; Tt 2.13; Tg 5.8,9; Jd 21) indicam que a vinda poderia estar bem próxima, podendo, talvez, acontecer a qualquer momento.
  3. A declaração de Paulo, de que aguardamos nossa bendita esperança (Tt 2.13), exige que o próximo evento no plano de Deus seja a vinda do Senhor. Mas se o próximo passo for a grande tribulação, dificilmente teremos esperança ou alegria antecipada. Antes, nossa reação seria de medo e apreensão. Já que o retomo de nosso Senhor será o próximo evento no cronograma de Deus, não há motivo para que não possa ocorrer a qualquer momento.

Esses argumentos quando analisa à luz de todo o contexto escatológico não são plenamente satisfatórios, pois cabe uma pergunta simples, porém, necessária para tratarmos da questão: se a Segunda Vinda de Jesus pode ocorrer a qualquer momento, porque então, Jesus deu tantos detalhes sobre os eventos que a antecederiam?
O chamado à vigilância se trata de um ato de graça para que a Igreja do Senhor esteja atenta, preparada e obediente às Palavras do Noivo, do contrário, a Segunda Vinda seria não um ato glorioso, mas puramente punitivo, ou seja, uma ameaça. Viveríamos então, não com base em fé, mas com base no medo, algo que está totalmente em desarmonia com a revelação de Deus em sua Palavra. Os sinais são importantes pois, mantém em nossos corações a chama da esperança acesa, tal qual foi para os israelitas ao receberem a mensagem da vinda o libertador de Israel. Deus é constante, para entendermos o objetivo de suas Palavras em Jesus, precisamos nos atentar ao que o Novo Testamento manifesta a respeito.

Conclusão 

A Segunda Vinda de Jesus é um dos pontos que une as correntes escatológicas, tendo como diferença apenas alguns detalhes a respeito sobre o modo como cada uma interpreta esse evento. Apesar da ideia que temos de que pode ocorrer a qualquer momento, Jesus foi bem claro em anunciar quais os sinais que devemos nos atentar para mantermo-nos fieis e preparados para quando ocorrer, assim, se os sinais não se cumprirem, Cristo mentiu, e sabemos que isso é impossível de acontecer (Nm 23:19; 1 Sm 15:29; Rm 3:3; 9:6; 2 Tm 2:13; Tt 1:2 Tg 1:17).
Contrariando também o senso comum que vê Jesus como sendo um profeta morto e derrotado, sua Segunda Vinda se dará de forma surpreendente, e para aqueles que não participarem dos seus escolhidos, aterradora.

Referências Bibliográficas

Erickson, Millard. Teologia Sistemática. 1ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2015.

Grudem, Wayne. Teologia Sistemática ao Alcance de Todos. 1ª ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2019.

McGrath, Allister. Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica. 1ª ed. São Paulo: Shedd, 2005

Ferreira, Franklin. Myatt, Alan. Teologia Sistemática. 1ª ed. São Paulo, Vida Nova, 2007

Berkhof, Louis. Teologia Sistemática. 4ª ed. São Paulo, Cultura Cristã, 2012

Introdução à Escatologia: A Grande Tribulação

A série de filmes e livros Deixados para Trás, cravou no imaginário de crentes do mundo todo uma visão hollywoodiana a respeito da Grande Tribulação, contribuindo para a ideia do arrebatamento secreto conforme a corrente dispensacionalista. O resultado desse legado, são crentes que possuem uma visão, e também expectativas, voltadas para eventos que sejam semelhantes aos narrados nos filmes e livros. O grande problema que temos, é que essa abordagem não é bíblica. Nesse texto iremos abordar os sete anos do reinado do Anticristo, até a volta de Jesus ao fim do período. Antes de iniciarmos, existem duas perguntas principais que precisarão ser respondidas antes de prosseguirmos. Continuar lendo “Introdução à Escatologia: A Grande Tribulação”

Correntes Escatológicas

Escatologia, infelizmente, é uma das áreas mais negligenciadas da teologia. Sendo sempre tida como uma doutrina de segundo plano, pela suposta impossibilidade de determinar e entender os eventos do futuro. Talvez, por isso, tenhamos tanto medo e receio quanto aos acontecimentos do fim. Aliado a esse receio, há também as interpretações fatalistas que mais assustam os crentes do que glorificam a Deus, como deveria ser. Nesse texto abordaremos alguns conceitos ligados à escatologia, que por sua vez, estão ligados às correntes de pensamento dessa doutrina. Continuar lendo “Correntes Escatológicas”

As Crônicas de Nárnia: Uma jornada bíblica

Publicados entre 1950 e 1956, os livros narrando as aventuras de crianças em um país mágico cuja autoridade máxima é um leão dourado não domesticado, são a obra mais famosa do escritor C.S Lewis. Muitos consideram as obras infantis demais por conta de sua alegoria um tanto quanto óbvia a respeito do leão em questão, e mesmo sendo uma obra claramente cristã, assim como seu autor, ainda há quem acredite que não seja uma literatura a ser consumida por cristãos. Nesse breve texto, vou abordar um pouco sobre como cada livro traz ensinamentos valiosos e profundos sobre nossa trajetória cristã. Obediência, fé, amor, responsabilidade, honra  e justiça, são as lições principais que o mundo fantástico de Nárnia nos ensina.

Continuar lendo “As Crônicas de Nárnia: Uma jornada bíblica”

Porque estudar Escatologia?

A cada nova desgraça que acontece no mundo, os crentes nas redes sociais ficam ouriçados com os sinais dos tempo, marca da besta e afins. Quem nunca dormiu e acordou achando que o arrebatamento aconteceu e ficou para trás que atire a primeira pedra. Muito disso é fruto de um ensino baseado em achismos, experiências pessoais e um misticismo que existe em relação ao tema, como se somente as mentes mais iluminadas de todas as eras da Igreja fossem capazes de compreendê-los. Entendendo essa necessidade, abro com esse texto uma série de estudos que buscarão te ajudar a entrar nessa parte da teologia. O que acompanhará nessa série, não é nem perto do que vai possuir ao consumir conteúdo a respeito (confesso que estou bem longe de ser um especialista no tema). Entretanto, assim como você, caro leitor, já acreditei em alguns mitos sobre Escatologia que me impediram de acessar e buscar conteúdo bíblico a respeito. Quer saber quais mitos são esses? Confira abaixo:

Continuar lendo “Porque estudar Escatologia?”

Morte e Estado Intermediário

A morte é um aspecto da vida humana tão intenso que gostando do assunto ou não, é a referência que temos quando falamos em certeza. Quem nunca usou a expressão “se existe uma certeza na vida, é a morte”, ou uma de suas variações e paráfrases, que atire a primeira pedra. Por ser um tema tão importante e alvo de algumas controvérsias, a morte possui um ramo da escatologia só para ela. Trata-se da Escatologia Individual. Continuar lendo “Morte e Estado Intermediário”

Jesus e as Religiões

Perguntas simples, podem trazer verdades reveladoras que nos ajudam a entender aquilo que cremos e o que pensamos acreditar. Vi uma dessas perguntas no twitter há um tempo. A questão era “Fora do cristianismo, qual é a religião que você considera mais ‘interessante’? E por quê?”, a princípio, por não levar a coisa a sério, respondi Ufologia. Mas um comentário na publicação me chamou a atenção. O teólogo Ângelo Bazzo, comentou que qualquer cristão deveria responder judaísmo. A partir de então, me pus a refletir sobre a forma como vemos nossa própria religião. Abaixo explico como não escolher o judaísmo reflete num desconhecimento tanto de nossa fé, como de um dos seus pilares: a Trindade.

O Problema da Religião

A partir de 2012, iniciou-se no meio evangélico um movimento de negação da religião. Frases como: “viva o evangelho e não a religião”, “Cristo salva e a religião mata”, “Não seja religioso” eram comuns em shows, pregações e eventos gospel. Então, toda uma geração de crentes, principalmente, novos convertidos foi convencida de que sua relação com Jesus deveria ser pautada em um comportamento que não poderia, e nem deveria, ser marcado pela obediência a regras. A ideia de rebelar-se contra o sistema religioso e revolucionar o cristianismo com uma geração de jovens que sabiam realmente o que era melhor para a igreja e como resolver seus problemas na base do amor, foi uma tentação e tanto. Confesso que eu mesmo caí nesse engano.

Moderação nas roupas e linguajar, eram cobranças que os jovens não aceitavam de suas lideranças. E o argumento que ainda é utilizado nos dias de hoje é que Jesus não definiu normas de conduta, e que por isso, esse apego às tradições não é o verdadeiro evangelho. Acontece que esse argumento é baseado numa confusão de termos.

Religião, Dogmas e Costumes

Vamos abordar os termos e suas aplicações para entendermos o real panorama de toda essa situação, e como ela é muito mais ampla e não recebe a atenção devida. É muito comum confundirmos religião com dogmas, mas são coisas diferentes. A situação fica ainda mais complexa, quando há a confusão de que costumes e dogmas são a mesma coisa. Alguns núcleos críticos à fé cristã usam da variedade de igrejas para atacar a credibilidade do cristianismo. Afinal, se ela é a verdadeira, por que então, existem tantas denominações?
A definição de religião vem do latim religare, que significa, religar. Ou seja, religião é o conjuntos de crenças que tem por objetivo nos conectar ao divino, com a finalidade de satisfazer a necessidade existencial que temos de voltar a Deus, status perdido após a queda de Adão. É possível compreender então, que qualquer postura ou ação que tenha por objetivo nos conectar a uma entidade considerada superior que nos provê uma condição moral capaz de nos tornar completos em nossa condição de criatura, é uma atitude religiosa.

Uma vez que assumimos uma postura religiosa, e existe a crença em um ser superior, assumimos também que existem ações que agradam e desagradam a esse ser. Sendo necessário então, a sistematização das regras para que se possa agradar a vontade deste. Estamos falando dos dogmas. Dogmas são pontos considerados indiscutíveis de uma crença. No cristianismo, temos as confissões de fé que nos ajudam a visualizar a crença como um todo e que tem efeitos práticos em nossas leituras e estudos a respeito de Deus e de Jesus. Por exemplo, uma instituição não pode se declarar cristã, se ela não enxerga como Jesus Cristo como o ponto principal de todas as coisas.

Os chamados usos e costumes, são uma forma de cada denominação expressarem sua identidade. E aqui, é onde vemos a diversidade tão criticada. Recentemente, um amigo me marcou em um post no facebook, onde uma página criticava um presidente por usar uma bermuda, enquanto o estatuto da referida igreja ordena o não uso dessa peça de roupa. Em outras denominações não há esse tipo de exigência. O que muitos classificam como religiosidade e alvo de críticas é na verdade apenas uma característica de cada denominação. Independente de acreditar que tatuagem é pecado ou não, enquanto crer que Jesus é o Filho do Deus Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, que morreu e ressuscitou ao terceiro dia, está a direita de Deus e voltará para julgar os vivos e os mortos, aponta para a profissão da fé cristã, que é uma religião.

Nesse momento, você pode pensar: ok, mas o que tudo isso tem a ver com não escolher judaísmo em uma pergunta que exclui o cristianismo, tem a ver com a Trindade? É o que respondo agora.

Sim, Jesus criou um religião

Agora que entendemos os termos e suas diferenças, podemos entender melhor a religião que Jesus criou. Obviamente, Jesus não marcou uma data no calendário como sendo o ponto de partida de sua religião. É possível identificar uma religião formal com base em alguns preceitos, veja abaixo:

  • Mandamentos (Mt 22:34-40; Mc 12:28-34) – Os mandamentos enfatizados por Jesus resumem os 10 mandamentos da Lei Mosaica e não os substituem como pensam alguns. Amando a Deus de todo o nosso coração, alma e entendimento, não prestaremos culto a outros deuses, não construiremos ídolos e imagens, não tomaremos o nome do Senhor em vão e também dedicaremos um dia da semana para honrá-Lo e adorá-Lo. Da mesma forma que amando o nosso próximo, honraremos nossos pais, falando em um contexto familiar, não intentaremos contra a vida, não cometeremos adultério, diremos mentiras a respeito deste, cobiçaremos ou tomaremos algum dos seus bens. Ao resumir a Lei, Jesus aponta para o objetivo desta, deixando esse esclarecimento como ordenança.
  • Estabelecimento de uma aliança (Mt 26:27-28) – O sangue de Cristo é o selo que cobre os cristãos de todas as eras, assim como o sangue do cordeiro pascal cobriu as portas dos hebreus impedindo que a morte entrasse nas casas do povo de Deus, esse sangue nos livra do salário do pecado, uma vez que o preço já foi pago. Assim, vivemos em graça por conta do sangue derramado.
  • Ensino de uma doutrina (Jo 15:8-14) – Ao contrário do que os adeptos da hipergraça ensinam, a identidade do cristão não está numa liberdade descompromissada, mas sim, pautada pela obediência. Cristo como autor da Lei, conhece a motivação desta, assim, quando se contrapunha aos judeus, ele não o fazia para anular a Lei, mas para apontar o erro de interpretação cometido por seus opositores. No versículo da referência desse tópico, Jesus diz claramente que permanece no amor do Pai por sua obediência ao que lhe fora ordenado. Adão caiu pela desobediência, enquanto Cristo foi exaltado por sua obediência. Logo, a obediência, e não a revolução, é o que nos mantém em Jesus.
  • Realização de sacrifício para religar o homem a Deus (Jo 12:23) – O sacrifício apresentado pelo Messias não foi um animal perfeito, mas o sacrifício perfeito. Somente Jesus tinha condições de se apresentar diante do Pai como conciliador entre Deus e o homem. A oferta perfeita, aquele que em tudo foi tentado, o único sabia o ponto de vista de Deus e passou a seus discípulos. Jesus Cristo é o elo perfeito entre uma humanidade imensamente pecadora e um Deus infinitamente santo.

Antes que Abrãao existisse, Ele era

Pai, Filho e o Espírito Santo são um só, entretanto, possuem personalidades distintas. Sempre juntos, mas independentes. Como isso ocorre é um dos mais belos mistérios com relação ao Ser Supremo que é o Deus que servimos. O fato de a história ter sido dividida em Antes e Depois de Cristo e da Bíblia ser dividida ser dividida em Antigo e Novo Testamento, pode gerar em nosso imaginário a ideia de que as coisas anteriores a Jesus não tenham tido sua participação direta. É como se concordássemos com aqueles que afirma que Jesus não era Deus, mas uma criatura como nós. Em João 8:58, Jesus diz que antes que Abraão existisse, ele era. Essa afirmação vem logo após os judeus questionarem sua identidade por conta de suas palavras sobre a morte e a vida de quem crê nele. Para um judeu nos tempos de Jesus, essa afirmativa era uma blasfêmia, pois em Abraão estava a origem terrena de toda a nação. Ao chamar para si o atributo da eternidade, Jesus apresentou a quem o ouviu, uma autoridade maior que a de Abraão e dos profetas.

No primeiro capítulo do evangelho de João, temos: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o verbo era Deus”. O Verbo (origem de todas as coisas) a quem o apóstolo se referia, era o próprio Cristo. Então, devemos entender que Jesus estava presente em todos os momentos da história. Da criação, passando pela confusão das línguas na Torre de Babel, o chamado de Abraão, a revelação até a entrega da Lei para Moisés. Quando é dado a Moisés as instruções para os ritos, Jesus como integrante da Trindade, deu essa ordem. Dos sacrifícios aos rituais de purificação, tudo instituído por Jesus.

Ao encarnar como homem Jesus não obedece a Lei por estar sujeito à ela humanamente falando, mas por ser o autor! Seria completamente incoerente que ele, sendo perfeito e a encarnação do Ser Supremo, fosse capaz de negligenciar, desobedecendo algo que o próprio apresentou como sendo um fundamento para a identidade de seu povo. Ao dar a Lei a Moisés, Jesus também antecipou a revelação de si mesmo, pois somente ele, na condição de Legislador poderia compreender não somente o significado, mas o propósito de suas leis.

Cristo x Deus

É uma tentação acreditar que, de alguma forma, há uma diferença entre o modo como a Trindade se revela no Antigo Testamento e o modo como a enxergamos no Novo. Não há. Acontece que, ao estabelecer o pacto da Graça, a cortina foi rasgada e agora, podemos vislumbrar o panorama da obra de Deus. É um erro grotesco acreditar que Jesus anula o Antigo Testamento. Quando diante da pergunta que mencionei, não escolhemos o judaísmo de imediato, apenas apontamos para uma verdade bem inconveniente: a de que para nós, a revelação de Deus no Antigo Testamento não é suficiente. Como se Jesus fosse um substituto de Deus. O que é um pensamento absurdo vindo de um cristão.

Assim como Deus, Cristo está revelado na Lei e nos Profetas. Não podemos acreditar que o Pai foi substituído pelo Filho, uma atualização dos aplicativos de nosso celular. Quando pensamos assim, em algum momento podemos acreditar que o Espírito Santo substituirá Jesus de alguma forma, no presente ou no futuro.

Não sou judaizante, longe disso. Entretanto, tanto o cristianismo quanto o judaísmo têm a mesma origem. Somos co-herdeiros da promessa feita aos judeus, por causa da fonte! Assim, precisamos resistir à tentação de que acreditar que a revelação de Deus no AT é diferente da que vislumbramos em Cristo. Se temos necessidade de um advogado, é porque há um juiz. Que o amor que dizemos ter por Deus, seja aprofundado pelo conhecimento de como Ele se revelou, e como Ele quer ser adorado.

Jesus criou tanto o judaísmo, quanto o cristianismo. Ambos apontam para ele, a diferença é que nós vislumbramos o Pai através do sangue do Filho com os olhos dados pelo Espírito. Amar e conhecer a Deus consiste em conhecer a Ele todo e não somente a visão que projetamos. Ele é quem se revela. Quer conhecer o Pai, o Filho e o Espírito Santo como eles são e não mais com base em falácias e discursos tolos de internet? Abra sua bíblia.

Celso Amaral

O Senhor dos Anéis e o Cristianismo

Você sabia que a obra O Senhor dos anéis tem Deus como personagem principal, mesmo sem o nome dEle ser mencionado uma única vez? Esse texto é sobre a aplicabilidade do cristianismo nesta obra tão fantástica de J. R. R. Tolkien. Também farei uma curta menção a acontecimentos da obra O Silmarillion, que é conhecido como “o velho testamento” do universo que Tolkien criou, e ao O Hobbit, para melhor contextualizar o leitor. Continuar lendo “O Senhor dos Anéis e o Cristianismo”

O cristão e as redes sociais

“Portanto, quer comais quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei para a glória de Deus.”
1 Coríntios 10:31

O ambiente virtual, comumente é visto como uma realidade alternativa na qual as leis e normas de conduta de nosso mundo físico não só não existem, como também devem ser postas à prova. Muitas vezes parece que a redes sociais, e a internet como um todo, são o habitat natural de trolls, fakes e assediadores, e que para pertencer devidamente a esse espaço, todos devem se converter nesse tipo de perfil. Entretanto, essa “regra” não vale – pelo menos, não deveria valer – para cristãos. Se somos chamados a não nos curvar diante do mundo em seu sentido físico, o mesmo se aplica ao virtual. Continuar lendo “O cristão e as redes sociais”

Evangelho: você sabe o que é?

A bíblia possui quatro livros que são chamados evangelhos. Dependendo da versão que possua em sua casa, pode ser ” o evangelho segundo…”, “o evangelho de…”, “evangelho escrito por…”, como forma de apresentação do conteúdo narrativo contido naquele livro. Talvez se você perguntar no grupo da igreja quantos evangelhos exitem, por conta, desses quatro livros a resposta “quatro”. A propósito, esse texto não tem como objetivo trazer uma nova definição de evangelho, pense nessa leitura como um esclarecimento de algo que muitas vezes soa abstrato em algumas falas que vemos por aí. Continuar lendo “Evangelho: você sabe o que é?”

Compreendendo o jejum

O jejum é a abstinência total ou parcial de alimentos por um período definido e propósito específico. Tem sido praticado pela humanidade em praticamente todas as épocas, nações, culturas e religiões. Pode ser com finalidade espiritual ou até mesmo medicinal, visto que o jejum traz tremendos benefícios físicos com a desintoxicação que produz no corpo. Mas nosso enfoque é o jejum bíblico. Muitos cristãos hoje desconhecem o que a Bíblia diz acerca do jejum. Ou receberam um ensino distorcido ou não receberam ensinamento algum sobre este assunto. Continuar lendo “Compreendendo o jejum”

A importância do cancelamento de cultos

O que todos previam e temiam, aconteceu. O Novo Corona Vírus chegou ao Brasil, e até o momento da escrita desse texto, já fez 5 vítimas fatais em solo tupiniquim. Ao contrário do que o governo brasileiro afirmou durante dias, não se tratava de uma histeria coletiva, não era um alarmismo desnecessário e agora, estamos diante de uma situação que pode ser extremamente prejudicial. Diante desse cenário, vários pastores e líderes têm insistido em manter a grade de seus cultos normalmente, sendo Silas Malafaia o que mais fez esse tipo de pronunciamento e até viralizou recentemente um vídeo sugerindo que o Estado o proibisse de realizar cultos. À parte da necessidade quase patológica que Malafaia tem de causar polêmica para se manter relevante, neste texto vou dissertar um pouco sobre como o ato de manter as igrejas abertas não é somente irresponsável, mas vil e desumano e contrário a qualquer princípio bíblico do trato e amor ao próximo. Continuar lendo “A importância do cancelamento de cultos”

O que cristão devem fazer em situações como a do Novo Coronavírus?

A OMS declarou a situação do Coronavírus (COVID-19) como sendo uma pandemia, mas o que isso significa? Em resumo, significa que a doença tem potencial para uma contaminação global. Diante desse cenário caótico, muitos charlatães se manifestam dizendo que se trata do Apocalipse, prometem curas e proteção contra a contaminação, etc. Assim sendo, é necessário que saibamos como agir de forma ética e sábia. Continuar lendo “O que cristão devem fazer em situações como a do Novo Coronavírus?”

QUEM É JESUS?: O panaroma bíblico

As galerias de arte estão abarrotadas de quadros com imagens que seus autores dizem ser de Jesus, assim como a imagem que ilustra esse texto. Muitas casas também. Acredito que a mais famosa dessas representações gráficas do Cristo seja a tela chamada Sagrado Coração de Jesus, também acompanhado do Sagrado Coração de Maria. Com a ascensão dos debates pautados em causas identitárias – movimento negro, LGBT, feminista e afins – a questão da aparência de Jesus novamente se tornou ponto de discussão. Mas até que ponto essa obsessão é relevante para aqueles que buscam conhecer a Cristo?

Continuar lendo “QUEM É JESUS?: O panaroma bíblico”